a vida até parece uma festa (mas quanto custa?)

Publicado: abril 13, 2010 por pensesobrewordpress em Reflexões
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Registro de Consumação

Registro de Consumação

Desde 1997, quando ouvi Diversão pela primeira vez, fiquei pensando que era uma música de incitação ao prazer, à diversão propriamente dita, afinal, a letra é bastante clara nesse sentido.  Entretanto, de uns tempos pra cá, caiu a ficha pra mim que diversão tem um preço. Então lembrei de uma outra banda de rock, chamada Viper, que diz algo relacionado a isso em uma de suas músicas.

DiversãoTitãs

“A vida até parece uma festa
Em certas horas isso é o que nos resta
Não se esquece o preço que ela cobra
(é meu irmão se a gente não quer!?)
Em certas horas isso é o que nos sobra.”

8 de abril - Viper

“A realidade veio me avisar
Tudo tem seu preço
Ela vai me cobrar”

Pensar que tudo na vida tem um preço é bastante razoável. Isso ajuda a explicar o porque de muitas coisas. Como disse num post anterior, a lei universal do equilíbrio diz que se alguém está se dando muito bem, necessariamente deve haver alguém se fudendo. A importância desse assunto está justamente o fato de saber o que se pretende viver/consumir, para que a conta, no final das contas, não seja mais alta do que se está disposto a pagar. Na infância, escolher obedecer os pais, nos torna mais sociável para a vida adulta. Na adolescência, escolher estudar em vez de ficar a toa emburrado no quarto – pra tentar entender o que não tem explicação -  ajuda no vestibular e também na vida adulta, afinal, de quando em quando, as informações teóricas absorvidas ao longo da vida se mostram úteis na prática ( química na cozinha ou na lavanderia; física ao fazer mudanças ou pequenas atividades como furar uma parede para botar um armário na parede; história e geografia pra aquelas conversas de boteco animadas; português para redação administrativa ou interpretação de um artigo e etc). Na vida adulta, a lógica é a mesma.

O grande desafio disso tudo é saber exatamente o preço de cada coisa. Algumas custam caro (em termos de tempo, dinheiro e esforço)  e proporcionam um retorno grandioso, como o caso da graduação. Outras custam caro e não levam a lugar algum (certamente você deva ter algo que lhe deu um puta trabalho e não compensou, como eu tenho mas que nem vale a pena falar). Existem ainda as que não custam caro mas geram um retorno interessante (como investir na amizade, em tempo com os amigos de verdade, não deixando o laço se afrouxar e romper).

Imagino isso tudo da seguinte forma, quando nascemos, além do acesso a festa que é a vida, ganhamos uma comanda pra ir registrando nossa consumação. Seu pagamento é feito no final da festa, quando se ficamos 21 gramas mais leves (não entendeu? clique aqui). Sobre a forma de pagamento, não sei dizer ao certo se é a vista ou a prazo. Mas sei que vários dos pedidos são pagos em tempo real (é o tal do aqui se faz, aqui se paga), talvez seja assim para amortizar a dívida final, ou simplesmente, pela dinâmica universal do equilíbrio.

Estou lendo um livro sobre o Jim Morrison(este aqui), do The Doors. Nele é abordada a influência de Rimbaud na música/vida de Jim. Achei na Internet uma matéria de Cláudio Vigo que fala disso um pouco (clique aqui pra ver na integra). Um trecho da matéria dele que me chamou a atenção foi:

“Jean Arthur Rimbaud no séc XIX e Jim Morrison no séc XX, entre outras almas solitárias e radicais, chegaram na beira do abismo e resolveram experimentar que gosto tinha o pulo. Pagaram caro, a ousadia de queimar em pouco tempo todos os cartuchos. Algumas coincidências, nestes percursos, são fascinantes. Anjos caídos de um inferno particular apontaram para o futuro e tocaram (sem a mínima cerimônia) os atalhos do absoluto.” (Cláudio Vigo)

No caso do Jim, em minha singela e costumeira analogia, acredito que sua conta ultrapassava e muito o quanto ele poderia pagar. Isso acarretou seu fechamento precoce. Semelhantemente ocorreu com Hendrix, Joplin e outros.

Enfim, antes de deixar o garçom (do livre arbítrio) anotar o pedido em sua comanda, certifique-se do que está pedindo e do preço que irá pagar por aquilo, lembrando que nunca temos certeza da forma de pagamento (se é em tempo real ou no final da festa).

É isso, em quanto está a sua comanda? Se for pouco, quer me ajudar e dividir a minha?

Abraço e até semana a próxima.

 

Extras:

Viper – 8 de abril

Titãs – Diversão

Comentários
  1. [...] afinal, um dia iremos prestar conta de tudo que fizemos em vida né (tem relação com esse post aqui?) , ou seja, ela se preocupava com minha alma [...]

  2. [...] anos eu tive ambição da primeira definição e quando vi o preço a ser pago (sobre preço, clique aqui e leia um post já publicado), achei um tanto [...]

  3. [...] post passado (clique aqui para ver) comentei que li um livro clipping do Jim Morrison (esse aqui). Nele, algumas questões delicadas [...]

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