Assim como a mãe natureza possui as relações ecológicas, a vida em sociedade possui as relações ecológicas sociais – minha definição para explicar as interações com as pessoas que nos cercam.
Me parece que existem dois grupos de tipos de amizades: a verdadeira e as outras. A amizade de verdade é aquela que navega pelas marés calmas e pelas tempestades, mantendo sua harmonia. Numa analogia às relações ecológicas, a amizade verdadeira seria um tipo de protocooperação, em que as duas pessoas optam pela relação e são beneficiadas com por ela, apesar de poderem viver independentemente.
No grupo das outras amizades, várias associações ecológicas podem ser estabelecidas. Talvez a menos *palha seja o inquilinismo, pois um dos participantes se beneficia mas sem que haja prejuízo ao outro. Uma amizade do tipo comensalismo pode ser considerada como ruim/humilhante, com um dos participantes se alimentando dos “restos” (atenção, tempo, cuidado) do outro. Não se trata de priorizar as outras amizades, mas se há dedicação de fato para que a relação se mantenha e evolua. Os dois outros tipos de amizades são: predatismo e parasitismo.
O primeiro tipo consiste na perseguição e “abate” da outra pessoa participante da relação, isso para a sobrevivência do predador. Tal tipo de relação é bastante comum no mercado de trabalho, sobretudo com a competição contemporânea. O segundo tipo de relação trata da interação em dos participantes retira o que precisa do outro. Não chega a abatê-lo por completo, mas é desarmônica por causar algum tipo de sofrimento. É o que popularmente chamamos de relações por interesse, facilmente encontradas quando se lida com pessoas interesseiras/falsas.
Isso posto, me parece que o que chamei de amizade verdadeira seja a amizade de fato. Em que os participantes da relação são beneficiados mutuamente, compartilhando tanto os momentos bons quantos os outros. Os outros tipos de amizade, onde apenas um participante é beneficiado podem até ser o início de algo maior, mas há que se ter cuidado para não entrar numa relação não construtiva.
Outro ponto a ser frisado é que amigos são diferentes de colegas. Colegas são pessoas que partilham de algum convívio por estarem juntos durante uma parcela de tempo em função de determinado contexto. Ex.: colegas de escola – podem se tornar amigos, isso será fruto da evolução da relação, todavia, sua convivência determina apenas uma relação entre colegas e não obrigatoriamente uma amizade. Portanto, amigo é uma coisa e colega é outra.
A amizade acontece, é um fenômeno da natureza oriundo do interesse mútuo. Ela, como toda relação, requer tempo, dedicação, vontade de fazer dar certo. Dessa forma se torna uma via de mão dupla e evolui para o seu estágio ideal: a protocoperação social. É interessante que as amizades verdadeiras tendem a não mudar com o tempo. O carinho, a intimidade e a consideração tendem a aumentar com o convívio e a variar muito pouco com a distância.
Por falar em amizade, entrou em cartaz o filme Gente Grande (clique aqui pra ver a sinopse) que é uma singela homenagem à amizade. Ele fala sobre um grupo de 5 amigos de infância que se reencontram depois de crescidos (por isso o nome em inglês: Grows Ups). Com o reencontro, a estima e a solidariedade, peculiares à amizade, vêm a tona seguida de alguma sacanagem(brincadeiras inocentes e outras nem tanto), afinal ninguém é de ferro e é rindo que a gente vive mais e melhor. Certa vez ouvi que “os amigos de infância são os que ficam”. Imagino que isso seja verdade porque na infância há mais inocência nas ações e a afinidade pese mais do que os interesses. Todavia, nem todas as amizades resistem ao tempo. Aquelas que sobrevivem ao tempo enfrentam outro desafio: resistir à falta de tempo.
É isso, pense sobre.
*palha = termo capixaba designado para expressar algo sem graça.
Extras:
Veja também as definições que encontrei no iDicionário Aulete:
Amigo: 1. Aquele que mantém (com outrem) relação de amizade, coleguismo ou companheirismo;
2. Indivíduo que toma o partido de alguém ou de algo ou o protege;
6. Que demonstra afeto, simpatia, benevolência por algo ou alguém: um patrão amigo dos empregados;
7. Que protege, consola, defende, acolhe;
Amizade: 1. Sentimento de estima ou de solidariedade entre pessoas, grupos etc.
3. Relação de caráter social.
4. Sentimento ou estado de entendimento entre pessoas, grupos, países etc.
Colega: 1. Pessoa que em relação a outra(s) pertence à mesma classe, corporação, sociedade etc., ou frequenta o mesmo colégio ou a mesma classe, ou a mesma comunidade etc., ou exerce a mesma profissão, atividade etc.;
2. Pessoa que, em relação a outra, exerce a mesma profissão, atividade ou função:
Gente Grande (clique aqui pra ver a sinopse) é uma singela homenagem à amizade. Ele fala sobre um grupo de 5 amigos de infância que se reencontram depois de crescidos (por isso o nome em ingles: Grows Ups). Com o reencontro, a estima e a solidariedade, peculiares à amizade, vêm a tona seguida de alguma sacanagem(brincadeiras inocentes e outras nem tanto), afinal ninguem é de ferro.
Certa vez ouvi que “os amigos de infância são os que ficam”. Imagino que isso seja verdade porque na infância há mais inocência nas ações e a afinidade pese mais do que os interesses. Todavia, nem todas as amizades resistem ao tempo. Aquelas que sobrevivem ao tempo enfretam outro desafio: resistir à falta de tempo.


Pra mim a amizade verdadeira mudar muito pouco com o tempo ou com a distância é tão utópica quanto o amor eterno. Sempre lindo nos filmes, mas a realidade é outra, dentro desse conceito, vamos chegar ao fim da vida e e crer que nunca tivemos amizades verdadeiras.
É muito difícil classificarr as pessoas fora do ambiente de trabalho, chego a essa conclusão. Nunca seremos justos. Talvez vc faça um bom trabalho eliminando o resto das pessoas, essas amizades que não levam a nada em pouco tempo. Mas nunca saberá se nunca errou.
Escreve muito bem, belas palavras escolhidas para descrever uma utopia.
P.S. Um beijo na testa.