Falar sobre lixo televisivo é como chover no molhado, mas, vamos lá!
Não é de hoje que a televisão aberta costuma nos prestigiar com o que há de pior em termos de conteúdo: novelas com enredos repetitivos, telejornais sensacionalistas, reality shows grotescos, programas infantis débeis e etc. É natural que a audiência determine o tipo de programa que será produzido, todavia, tenho a impressão de que o nível de qualidade das atrações consegue cair cada vez mais com o passar do tempo.
Não se trata de saudosismo ou mera nostalgia, todavia me recordo de ter assistido na infância programas que entretiam e que também tinham algo a dizer, por exemplo: o Mundo de Beakman que ensinava ciência (veja aqui); Rá-tim-bum que discutia vários assuntos como a produção de certos objetos (veja aqui), intercalado com sub-atrações meramente infantis, sem violência ou putaria; desenhos infantis com alguma lição de moral (Ursinhos Gummy, He-man, Duck tales, entre outros); e telejornais onde os apresentadores não eram mais importantes que as notícias e passavam as informações com isenção e não nos faziam sentir num balcão de bar ouvindo uma fofoca (isso me lembra que eu babo de raiva quando vejo a escola Datena de jornalismo, a qual se proliferou em formatos regionais, cada um com seu “showman” para fazer estardalhaço com desgraças cotidianas).
É claro que a situação atual não chegou a tal ponto em vão, ela está intimamente ligada com a maneira que a maior parte da sociedade “pensa” ou melhor, “não pensa”. Sem educação de qualidade, é difícil querer que as pessoas analisem com senso crítico o que lhes está sendo oferecido. O que é uma pena, pois tal reflexão é fundamental para que elas possam optar por outra forma de lazer em vez de entupir suas mentes com lixo televisivo. Dias desses concluí o óbvio que tanta coisa de baixa qualidade é produzida na tv por um simples motivo, tem gente que consome e, o pior, é a maioria esmagadora a ponto de direcionar os esforços criativos cada vez mais pro fim do poço. Daí, temos Big Brothers, Fazendas, novelas, shows da vida e toda aquela merda que desagrega ainda mais a consciência coletiva da sociedade. Dessa forma, desenham-se situações do tipo: em vez de discussões sobre a real necessidade de outro plebiscito para o desarmamento, fala-se sobre o vestido que a nova princesa do País de Gales irá usar em seu casamento ou então sobre contratações que os times irão fazer pra disputar o brasileirão 2011.
Diante desse cenário desolador, a música Televisão dos Titãs se mostra mais do que atual. Mas como alternativa a essa alienação toda, fiz um post ano passado chamado Alimento pra cabeça (veja aqui). Nele sugiro algumas coisas pra botar a engrenagens da massa cinzenta em funcionamento.
É isso, pense sobre o lixo televisivo que você, por ventura, tem consumido.
Televisão – Titãs
Composição : Marcelo Fromes / Tony Belotto / Arnaldo Antunes
“A Televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
Oi! Oi! Oi!
Agora todas coisas
Que eu penso
Me parecem iguais
Oi! Oi! Oi!…
O sorvete me deixou gripado
Pelo resto da vida
E agora toda noite
Quando deito
É boa noite, querida….
Oh! Cride, fala prá mãe
Que eu nunca li num livro
Que o espirro
Fosse um vírus sem cura
Vê se me entende
Pelo menas uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe!…
A mãe diz prá eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
Oi! Oi! Oi!
A luz do sol me incomoda
Então deixa
A cortina fechada
Oi! Oi! Oi!
É que a televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais…
[...]“


Também penso que antigamente era melhor; mas sempre tenho dúvidas se essa impressão procede, ou se é mera nostalgia. É como os comentaristas de futebol antigos dizendo, “no meu tempo…”. Às vezes o sentimentalismo impede uma visão imparcial.
Mas, todavia, há lixo e mais lixo televisivo realmente. E não só na tevê aberta; na NET, pelo menos, é comum eu zapear até o último canal (e voltar), e não encontrar rigorosamente nada que retenha minha atenção.
Bobear, eu que sou exigente, mesmo, rs :(
Opa Tejo, eu deixei a tv por assinatura pra uma próxima oportunidade. Tenho que ler primeiro o livro chamado A Era do Vazio, pois acho que vai ajudar a falar sobre esse lance de zapear inúmeros canais e ficar cheio de tanto vazio televisivo.
Abç,
Wesley.