família


Publicada em Diario da Incerteza
Família

ainda no clima do aniversário,  recebi algumas pessoas pessoas queridas em casa para fazer um oba oba. Foi uma coisa simples, até mesmo porque tentar colocar mais de 20 pessoas em 30 metros quadrados desafiaria as leis da física. A idéia se resumia a um final de tarde com esfihas, torta de limão, jogos de tabuleiro e muita conversa. Apesar da simplicidade da coisa, a alegria proporcionada por aqueles momentos me lembrou a sensação gostosa de almoço de família. Nisso, lembrei daquele comercial da Sadia que fala sobre as várias famílias que vamos compondo ao longo da vida.

Enquanto seres sociais, temos necessidade de interações com outras pessoas. Dias atrás, ouvi uma frase que dizia mais ou menos o seguinte: “o homem é o único animal com possibilidade plena de viver independente dos outros, mas é o mais dependente em função dessa necessidade de interação”. Essas interações podem ocorrer de diversas formas:

  • falando sobre futebol na fila para cortar o cabelo
  • no trabalho, aproveitando lacunas de distração entre os momentos de seriedade  para falar sobre diversidades como brinquedos de criança, férias, coisas do cotidiano, formula 1, trânsito e etc
  • no almoço vendo tv no restaurante e falando sobre aquele suco que são tem efeito laxante – manga no meu caso :(
  • no cafezinho da tarde, falando trocando experiências das mais diversas, desde coisas do trabalho até perder placa de carro em enchente
  • e por aí vai…

Mais do que isso, é importante que façamos parte de algo. Sabe aquela sensação boa de olhar pra uma pessoa e dizer: ei, você estudou no Arthur da Costa e Silva? E a pessoa dizer: Sim! Ou então: ei, você também nasceu em Capão Redondo? E a pessoa dizer: sim, lá na quebrada, rs.  Pois é, inconscientemente, vivemos buscando afinidades nas outras outras pessoas. Com exceção das mulheres que querem morrer quando acham alguma roupa ou acessório igual em outras, o ser humano se sente bem ao encontrar pontos em comum com outras pessoas: torcer pro mesmo time, trabalhar no mesmo lugar, morar no mesmo bairro. Acho que é algum tipo de instinto de clã* que gera em nós essa necessidade de pertencer a algo maior. Uma vez que pertencemos, temos que ‘vestir a camisa” e defender nosso clã com unhas e dentes.

Seguindo… ouvi ou li certa vez que o ser humano é fruto das relações que constrói. Creio que deva ser verdade  porque hoje  vejo em mim coisas que “herdei” de famílias que participei ou que participo. Alguns traços de personalidade que eu até condenava, hoje consigo entender seu significado e, por várias vezes, acabo copiando involuntariamente. A convivência nos proporciona essa mutação. Há que se desenvolver senso crítico para levar na bagagem apenas o que é construtivo. Tal desenvolvimento, me parece, ser um exercício que deve ser feito ao longo de toda a vida. Lá na terra da minha mãe, eles chamavam isso de Desconfiômetro.

Chamo a atenção para o seguinte fato, as famílias estão por aí, dispostas de diversas formas e prontas para nos receber de braços abertos. Basta estarmos em sintonia, como diz a letra daquela  música maneira do Rappa:

Não Perca As Crianças De Vista

“Família é quem você escolhe pra viver
Família é quem você escolhe pra você
Não precisa ter conta sanguínea
É preciso ter sempre um pouco mais de sintonia”

A Família - de Tarsila do Amaral
A Família – de Tarsila do Amaral

Indo mais além nesse assunto,  já ouvi várias vezes que a  família é o berço da sociedade.  Mas pensando que podemos partilhar de várias famílias, poderíamos dizer que sociedade então é um berçário? E mais, neste berçário, nem todas as crianças são lindas, bem como, nem toda família é perfeita, mas isso nos proporciona oportunidade de crescimento pessoal, no sentido de podermos trabalhar as diferenças entre o nosso universo e os dos nossos “parentes”, sejam eles de conta sanguínea ou não – se você não entendeu o lance da conta sanguínea, ouça a música maneira do Rappa que eu falei agora pouco :D.

Pra terminar, várias músicas falam sobre família, tem essa do Rappa, tem uma bem legal e um tanto quanto melancólica do Cramberries chamada Ode to family. Tem uma bem pra cima do Sister Sledge (pelo nome nem eu sabia quem era,  mas ouvindo você irá reconhecer) chamada We Are Family. Pra fechar, tem a canção Família do Titãs com um clip maneiro com desenhos e pinturas de  família inclusive com essa figura ao lado.

Então, pense nisso.

* Resolvi falar de clã e dessa questão de fazer parte de algo pois esse sentimento vem forte toda vez que ouço a canção The Clansman do Iron Maiden desde o rRock in Rio 2001 quando ouvi a primeira vez (momento tiração de onda do autor ;-P ). Bem, tomara que não tenha fugido muito do tema do post.

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5 pensamentos sobre “família

  1. No Direito, aprendemos que o ser humano é gregário por natureza. Daí a necessidade, justamente, do Direito, que vai regular a vida em sociedade.

    Mas o que eu queria dizer é o seguinte: família, para mim, é mais uma questão de afinidade que de sangue. O laço mais profundo, para além de impositivos biológicos.

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