espectadores da vida


Spotlight - Publicado origalmente em http://wvbr.com/afterdark

li uma frase maneira durante essa semana: a vida é uma festa, que quando chegamos, já começou, e quando vamos embora, ainda continuará rolando.  Pois bem, uma outra concepção de vida, a qual sempre defendi, é que nossa vida é como um filme e nós somos os protagonistas dele. O roteiro vai sendo escrito durante as cenas. A direção de arte, fotografia e trilha sonora também. É preciso parar de vez em quando e fazer a edição das tomadas captadas. Eventualmente, será necessário reescrever algumas delas, corrigir falas, posturas, expressões e etc. Assim, quando o filme estiver pronto talvez possa concorrer a um prêmio tipo:

Um outro prêmio é o Autorealização de Ouro (tá esse eu inventei). Trata-se da satisfação ao assistir (lembrar) os takes produzidos ao longo da vida, a ponto de querer exibí-los para outras pessoas. Às vezes as cenas não ficam boas, como também não é possível refilmar (segunda chance) algumas coisas, mas desde que a história caminhe para o final feliz, vale a pena.

Todavia, nem sempre as pessoas se dão conta de que são os astros ou atrizes de seus filmes. Daí, passam de protagonistas a coadjuvantes ou mesmo, a antagonistas (isso quando fazem coisas que queimam o filme).  Já pensou, se o personagem do Leonardo DiCaprio no Titanic, ao perceber que o navio começou a afundar, entrasse no quarto e esperasse o fim? Seria um final patético para ele. Mas não, ele viveu seus momentos de amor com a personagem da Kate Winslet. O mesmo vale para para Frodo em Senhor dos Anéis, se ele virasse pro Gandalf e dissesse: eu levar esse anel?  Lamento, por favor, arranje outra pessoa. Entretanto, sua postura foi outra, levou cerca de 1300 páginas ou três anos – pra quem viu no cinema – mas ele foi lá e fez.

Tantos outros casos poderiam ser citados, mas a idéia é que a postura do protagonista seja de sob as luzes (por isso a figura do spotlight no início do post). Tem gente que prefere ficar à penumbra, sem chamar a atenção pra si. Não participa, não fala, não mexe, e consequentemte não vive. Isso me traz a seguinte dúvida: é legal ser assim? Ora, numa conversa onde todos estão participando, deve haver algum ponto que ela possa tecer alguma consideração, em vez de ficar apenas como ouvinte. Acredito que possa surgir a dúvida: se eu for falar, o que vou dizer? Eu respondo, diga algo sobre o assunto, simples assim. Outra dúvida, pode surgir: mas e se eu não souber nada sobre o assunto? Eu respondo também: leia, assista, pergunte e aprenda. Isto é, participe.

Sim, cuidados importantes devem ser observados, dentre eles, destaco:

  1. falar demais e não dar espaço para os outros atores em cena
  2. conversar demais e faltar assunto (havia uma propaganda antiga Folha de São Paulo que dizia: tá sobrando conversa e faltando assunto, leia a Folha). Hoje temos tv, radio, jornal, revistas e internet. Logo, informação é o que não falta

Pra fechar, você já assistiu a um filme de um cenário só ou de poucos cenários?  Os diálogos precisam ser mega elaborados ou o tema interessantíssimos, do contrário não funciona.  Cães de Aluguel e Dogville são exemplso disso. O primeiro funciona, o segundo não, ou eu que não entendi. A idéia que pretendo passar com isso é: diversifique suas locações.  Rode o filme da sua vida em lugares diferentes com pessoas diferentes. Não fique preso aos mesmos cenários, nem às mesmas pessoas. Enriqueça sua história, viva situações novas e vá costurando um roteiro complexo e diversificado. Assim, a chance de ganhar aquele prêmio que falei inicialmente pode aumentar. Esse lance de mudar funciona até mesmo em casa quando se faz algo diferente, então afaste os móveis, chame as pessoas, faça uma festa ou uma reuniãozinha, mas mexa-se. Meu irmão me dizia uma coisa, não com essas palavras, mas com esse teor: se você não aparece, nada acontece. Então, aparece, mesmo que seja na sua casa, convide para que você seja convidado. E quando for convidado, apareça.

Luzes, camera, ação! Pense nisso.

Espectadorzinho invocado

Espectadorzinho invocado

ps.: botei essa foto porque o guruçazinho ficou olhando a gente passando na praia com uma atenção que merecia ter seus olhos atentos veiculados na grande rede.

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3 pensamentos sobre “espectadores da vida

  1. O guruçazinho fez uma boa ponta no post!

    “A vida não vale nada, se voce não tiver uma boa história para contar.”

    Eita coisa difícil de se fazer, mas quando a gente acerta é pra lá de gratificante!

  2. Aqui estou relendo o post. E novamente ficando admirada e adorando o texto. Ficar na pose de coadjuvante na vida não resolve nada.

    Luzes, camera, ação! [2]

  3. Pingback: show de rock « Pense sobre

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