Sociedade e consumo (Into the Wild)


Na natureza selvagem - (publicado em framemail.blogspot.com)

Na natureza selvagem - (publicado em framemail.blogspot.com)

Por definição “uma sociedade é um grupo de indivíduos que formam um sistema semi-aberto, no qual a maior parte das interações é feita com outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo. Uma sociedade é uma rede de relacionamentos entre pessoas. Uma sociedade é uma comunidade interdependente. O significado geral de sociedade refere-se simplesmente a um grupo de pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada.”

Pelo pouco que me lembro das aulas de Sociologia na faculdade, uma concepção de sociedade é que: ao mesmo tempo em que ela é constituída por cada um de nós, ela é maior do que nós. Acho que foi Durkheim que falou isso, mas aceito correções se eu estiver errado.

Sendo assim, a chamada “Sociedade do Consumo” nada mais é do que a manifestação das ações coletivas de todos nós, ou seja, se todo mundo compra à beça, justifica sermos chamados daquele jeito. O mesmo pensamento vale para a denominação “Sociedade da Informação”, o qual pretendo falar sobre numa outra ocasião. Pois bem, o consumo move a economia, a economia move a sociedade e o carrossel continua a girar. A idéia desse post é discutir o sentido do consumo. Até que ponto vale a pena basear nossa vida em consumir. Eu sei, você vai pensar: eu preciso morar, preciso comer, preciso me vestir e etc. Mas a questão é, consumir é uma ação decorrente da sua vida ou sua vida é em decorrência do consumo?

Vi na TV certa vez que atualmente é bastante fácil encontrar nas residências determinadas coisas que há 200 anos seriam consideradas artigos de luxo, dignas de um rei. Sabonete, barbeador, ventilador, geladeira, chuveiro elétrico, só pra citar. Por isso, você pode já começar a chamar sua case de seu reino e sua esposa de rainha, ou melhor, rainha do lar – isso era pra ser uma piada, eu não sou machista, não o tempo todo.

Conheço pessoas que ficam antenadas nas ultimas novidades, seja de moda, tecnologia, culinária e tantas outras áreas. Mas consumir demanda grana, grana demanda trabalho, em alguns casos, muito trabalho. Então, se não houver equilíbrio, pode-se virar escravo do consumo. É aquela velha história: ele trabalha tanto, só não tem tempo pra gastar. Claro, não quero que você tenha tempo de sobra para gastar e não tenha o que gastar. Tem uma canção do Frejat que ele diz: “desejo que você tenha muito dinheiro, mas é preciso viver também”. Segundo o  blog do Muneo, ela é baseada num poema. Mas o fato é: equilíbrio, esse é o lance, apesar de ser meio difícil de encontrá-lo.

Pra fechar a leitura não ser cansativa, conforme prometi num blog anterior, volto a falar do filme Na natureza selvagem que fala Christopher McCandless/Alexander Supertramp, um jovem que início da década de 90, após terminar a faculdade, pirou o cabeção e saiu rodando os Estados Unidos, no estilo mochileiro. Carregado com ideologias até o talo (no filme mostra ele lendo o tempo todo, botei o link no nome dele no início do paragráfo que dá pra ver o que ele lia). Ele viveu essa vida por dois anos, avesso à sociedade que ele considerava consumista demais. Ano passado o Sean Penn fez um filme sobre a história do rapaz e o meu prezado Eddie Vedder compôs a trilha sonora do filme. Como essa música(Society) ficou me martelando por um bom tempo, resolvi falar sobre esse tema aqui no blog. Abaixo está a versão traduzida da letra. Em inglês, tem umas rimas maneiras, em especial a  combinação ganância/concordar (greed/agreed).

Em resumo, acredito que o sentido de viver seja bem mais amplo do que consumir, posts anteriores já demonstram um pouco disso. Acredito também que não se deve vender a alma por auto-estima, o valor das pessoas é intrínseco. Ele não está nas coisas que possuímos. É preciso treinar os olhos para observar isso, tanto em nós, quanto nos outros.

É isso, leia a letra, assista ao filme, ouça a música e vá viver.

Sociedade (Eddie Vedder)

“É um mistério para mim
Nós temos uma cobiça com a qual nós concordamos
E você pensa que você tem que querer mais do que você precisa
Você não estará livre até que tenha tudo
Sociedade, você é uma raça louca
Espero que não esteja sozinha sem mim
Quando você quer mais do que você tem
Você pensa que precisa
E quando você pensa no mais que você quer
Seus pensamentos começam a sangrar
Eu penso que preciso encontrar um lugar maior
Porque quando você tem mais do que você pensa
Você precisa de mais espaço
Sociedade, você é louca
Espero que não se sinta sozinha sem mim
Sociedade, louca de verdade
Espero que não se sinta sozinha sem mim
Há aqueles que pensam, mais ou menos, que menos é mais
Mas se menos é mais, como você continua marcando?
Significa que a cada ponto que você faz, sua pontuação cai
Como se você começasse do topo
Você não pode fazer isso…
Sociedade, sua raça louca
Espero que não se sinta sozinha sem mim
Sociedade tenha compaixão de mim
Espero que se aborreça se eu discordar
Sociedade, louca de verdade
Espero que você não se sinta sozinha sem mim”

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5 pensamentos sobre “Sociedade e consumo (Into the Wild)

  1. “Na Natureza Selvagem” é um dos melhores filmes dos últimos anos, justamente pq fala claramente dessa questão tão ambigua pra nós, mortais, consumir ou não consumir? eis a questão!
    É lógico que isso tem a ver com o lance da Indústria Cultural e a padronização e blá, blá, blá… mas eu sempre me pego pensando:será que realmente precisamos de tudo que queremos? Não é bom não ter algo, pra poder ter o que querer?… meio confuso, eu sei, mas assim é a vida, não?
    Ah, parabén pelo blog, muito bom! =]

    p.s.: Eddie Vedder detonou com essa trilha, hein?!

    • Esse filme foi uma pancada pois veio justamente numa época em que eu estava mais reflexivo, daí ele deixa tanta coisa para se pensar. Na metade do filme eu já tava torcendo para ele morrer logo(tinha lido sobre a história do cara antes na wikipedia). Mas no final, me bateu a maior dó, dele, da família dele, de nós mesmos enquanto sociedade, enfim, um filme foda. Em breve falarei aqui sobre o 21 Gramas, que já deve ter uns 5 anos, mas também faz pensar em certas coisas da vida. Sobre a trilha, ela está sensacional, o Eddie Vedder é nojento, pois me recordo de outros 2 filmes(abaixo) que ele participou e mandou muito bem. No primeiro, ele gravou uma música com um indiano que ficou muito maneira, no segundo, ele regravou Hide you love away. Qualquer hora dessas eu acabo fazendo um post só sobre isso.

      1- http://www.adorocinema.com/filmes/ultimos-passos-de-um-homem/
      2- http://www.adorocinema.com/filmes/licao-de-amor/

      valeu pela visita :)

  2. A crítica ao consumismo é importantíssima, e sempre atual.

    Diz Karl Marx: “A desvalorização do mundo humano aumenta na razão direta do aumento de valor do mundo das coisas”.

    Ou seja. Na sociedade de consumo, a “coisa” vale mais que o “Homem”. Eu sou considerado não pelo que SOU, mas pelo que TENHO. E isso é triste.

    Parabéns pela postagem, portanto, e também pela lembrança de Eddie Vedder, do ótimo Pearl Jam :)

    • A migração do paradigma “ser humana” para o “ter humano”. Triste mas real.
      Sobre o Eddie Vedder, qualquer hora dessas, acabo botando um post de músicas com algo a mais pra se pensar só com canções do PJ.
      Valeu pela visita.

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