21 gramas, vida!


Imagem publicada em http://denisealves.files.wordpress.com

Num experimento feito em 1907, notou-se que imediatamente após a morte, o corpo humano perdia 21 gramas, daí, sem uma explicação lógica para isso, deduziram que seria o peso da alma. Quando ela morre, a alma se vai e o corpo perde 21 gramas. No filme 21 gramas , além da morte, é abordado como nossas vidas podem se cruzar e implicar uma série de situações em vidas de pessoas que desconhecemos totalmente. Outros filmes já abordaram isso também de uma maneira bem interessante, cada um à sua maneira: Crash, no limiteBabelA casa de areia e névoa, Pulp Fiction e  Efeito Borboleta – para citar somente alguns. Nisso, sem entrar no mérito dessa questão, apesar de eu acreditar que existe alma, não sei se com esse peso, aconteceu algo em minha vida dias atrás que me remeteu a essas duas questões: peso da alma e implicações ocasionadas por outras pessoas.

Pouco menos de duas semanas atrás, o corpo da minha avó ficou 21 gramas mais leve durante o soninho da tarde. Um dia antes disso havia sido o aniversário dela mas eu não havia me lembrado. No dia do ocorrido, no final da manhã, me lembraram que o aniversário de 81 anos dela havia passado e que seria comemorado no domingo seguinte. Como eu tinha duas reuniões naquele mesmo dia na parte da tarde, as quais eu imaginava que seriam tensas e estava concentrado nos assuntos, além de estar negociando o preço do meu playstation com um amigo naquele exato momento, deixei para telefonar para a vovó a noite.

A noite quando saí do trabalho para ir até em casa pegar o ps2 e entregar pro meu amigo, me ligaram dizendo que a vovó estava mais leve por estar num sono pesado. Na hora me senti muito mal por nao ter ligado mais cedo, quando tive oportunidade. Meu primeiro pensamento foi: corra pra lá para ajudar; o segundo pensamento foi de ir até em casa e concluir a negociação até mesmo para pegar o dinheiro e ver se poderia ajudar em algo naquela situação inesperada. De fato, foi possível ajudar.Quando o Danilo acertou comigo de comprar o videogame, creio que nem passava pela cabeça dele de que aquele dinheiro seria revertido para ajudar uma situação daquelas, logo, ações que fazemos e implicam em vidas que nem conhecemos. Pode parecer bobo, mas comece a reparar como isso acontece com frequencia em nossas vidas.

Outra ação que refletiu em vidas desconhecidas foi a do rapaz da funerária que cuidou da vovó durante a noite. Ele a buscou por volta de 21h, nisso, nos instruiu sobre a como leva-la do décimo segundo andar até o térreo do prédio, entretanto, mais do que isso, se mostrou bastante sensível àquela situação ao reparar nossa inexperiência no assunto e até mesmo a tristeza natural do momento. Quando os tios chegaram de São Paulo por volta de 0h, a primeira pergunta feita foi: cadê ela? Daí a explicação de que fazer o velório poderia ser um tanto cansativo considerando o todo o desenrolar da história desde a tarde, apesar de aceita, causou certa inquietação neles. Então telefonei para o rapaz da funerária  para tentar conseguir uma breve visita, a fim de confortar e acalmar alguns corações. Ele inicialmente foi resistente por já ser muito tarde, mas sensível à nossa dor, acabou aceitando. Essa visitinha noturna foi bastante agradecida no dia seguinte por um dos tios, creio que em função da paz que lhe proporcionou ver o semblante tranquilo estava no rosto da vovó, afinal, era da mãe dele que se tratava( e mãe, é mãe).

O outro ponto foi que por eu estar concentrado em tudo mais ao meu redor (trabalho, negócio$, seleção do mestrado, assuntos de casa e etc), posterguei uma ação boba, mas que faria toda a diferença para mim. Para a vovó, acho que seria bacana receber um telefonema atrasado de feliz aniversário. Mas para mim, faria diferença com relação a não me deixar sentir um certo remorso por ter colocado o trabalho e negócios na frente da família. Mas a vida é assim, uma surpresa a cada curva.

Nisso tudo, ficou pra mim a lição de tentar dar valor ao que realmente importa e ficar atento para reconhecer as oportunidades viver a vida de maneira mais humano e menos mecânica, me importando mais com os outros, mesmo em se tratando de coisas simples como um telefonema. Ficou também a lição de atentar para as implicações dos meus atos nas vidas alheias e dos atos de vidas alheias em minha vida, como a sensibilidade do rapaz relatada anteriormente. Por fim, viva, faça valer a pena a vida, pois não sabemos se os 21 gramas estarão conosco no próximo minuto.

ps.: sobre viver intesamente, para fechar o post num tom mais ameno, segue o clip de uma música que eu gosto bastante: Fugindo de Mim – Wilson Sideral.

ps2.: sobre ações de outras pessoas em nossas vidas, nessa semana me fizeram lembrar da música “You Give a Little Love“, a qual trata disso. Inclusive, foi feito um comercial de Coca-Cola usando essa música misturada à temática do game GTA. Confira ou relembre logo abaixo:

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8 pensamentos sobre “21 gramas, vida!

  1. Inicialmente, meus pêsames pela perda.

    Quando você fala em “ficar atento à vida”, me lembro da lição budista (mais especificamente, da escola zen): a vida deve ser vivida momento a momento, sem pressões e ansiedades. Só assim podemos estar atentos às pessoas ao nosso redor- e jamais protelar aquele telefonema.

    Mas é difícil, nos dias de hoje, conservamos essa postura. Eu próprio não consigo.

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