Even Flow, Inside Job


Continuum

Desculpem a demora na atualização, aconteceram algumas várias coisas nos últimos dias. Havia três outros temas para serem publicados antes desse aqui, um deles eu até comecei a escrever, mas não estou conseguindo terminá-lo, já os outros dois estão ainda no campo das idéias, ou seja, ainda estou matutando. Mas em breve publicarei aqui.

Indo direto ao assunto, ontem durante o almoço lá no Bar do Getúlio (se você for lá um dia, peça a moela e o pastel de camarão com catupiry, são sensacionais), a conversa descambou para um papo mais reflexivo. Dois pontos de vista foram discutidos: (1) que apesar de sermos únicos, somos (ou podemos ser) pessoas diferentes em momentos diferentes, de acordo com o tempo e espaço; (2) que somos únicos em essência mas que nos aproximamos da nossa essência por pontos diferentes, dependendo da ocasião. Em princípio, ambas as idéias podem parecer similares, mas a nossa conversa caminhou pra um terceiro sentido que pra mim fechou a questão.

No primeiro caso, nosso comportamento pode (e vai) mudar de acordo com as ocasiões: seja no trabalho – com um perfil mais sério e centrado, recheado com alguns comentários bobos para manter o clima leve; seja em família, aquelas coisas que não podemos ou não devemos falar, pois por amor, é preferível guardar a opinião desgastar a relação com determinados entes; entre os amigos, que nos aceitam como somos, independentemente de raça, cor, credo, nacionalidade e time de futebol; ou com quem amamos, para podemos ser até nós mesmos (tem aquela canção do Jota Quest que fala disso).

No segundo caso, por mais que assumamos posturas diversas, mantemos nossa essência. No meu caso, estando numa situação complicada, ainda vou pensar em alguma coisa engraçada da situação para que esse riso, ainda que interno, alivie a pressão.  No trabalho, independetemente da situação, as decisões serão tomadas com personalidade, do contrário, eu me sentiria mal por não agir como eu sou. E por aí sucessivamente. Seguindo essa linha de raciocínio, me lembro da canção do Pearl Jam chamada Inside Job (Album de 2006, o do Abacate), ela diz o seguinte:

“Atrás deste sorriso tudo repousa
Toda minha esperança e raiva, orgulho e vergonha
Faço comigo mesmo um pacto para não fechar portas no passado
Apenas por hoje estou livre
Não irei perder minha fé
É um trabalho interno hoje
Eu conheço isso bem
Ousei tentar matar o amor, o pecado mais elevado
Respirando a insegurança para fora e para dentro
Procurando a esperança, o jeito de andar na linha me está sendo mostrado
Perseguindo o maior jeito para toda a luz humana
Como eu escolho sentir é como eu sou
Como eu escolho sentir é como eu sou
Nao perderei a fé
É um trabalho interno de hoje
Aguentando, à luz da noite
Em meus joelhos levantar-se outra vez
e reparar minha alma quebrada
Deixe-me correr na chuva
Pra ser uma luz humana novamente
A vida vem de dentro de seu coraçao e desejo “

A canção me remete à seguinte questão: podemos nos aproximar da nossa essência por diversos pontos, usando a imagem de abertura do post, é como se pudéssemos chegar ao nosso Eu partindo do ponto a, do b, de w e por aí vai. Essa aproximação por pontos diversos causa um efeito característico daquele ponto em nossas ações. Fazendo uma analogia bem viajante ( vou falar de física mas prometo não passar de 3 linhas) é como se nosso Eu fosse um planeta e que cada atributo fosse um outro corpo celeste, a força gravitacional exercida varia de acordo com o diâmetro do corpo, sua massa, o raio da sua órbita e etc. Trazendo isso para nosso assunto, a aproximação do nosso eu por determinado atributo nosso causará uma reação diferenciada. Exemplo: você está num ônibus e esvazia um lugar na sua frente; ao seu lado tem uma senhora com seus 60 e poucos anos; as possibilidades são: oferecer o lugar a ela (caso você esteja se aproximando do seu eu pela esfera da gentileza/altruísmo/boa educação), por estar muito cansado, sentar-se antes dela (caso esteja se aproximando do seu eu pelo esfera da auto-preservação/egoísmo?); enfim, chutei o nome das esferas e as causas das ações, mas é nessa linha aí. Disso tudo, me parece que  independentemente de qual esfera você assumir como ponto de partida, não irá fazer algo que vá contra quem você realmente é pois o seu Eu não irá deixar. Logo, é importante atentar para qual ponto você está assumindo como origem para as ações, como disse a canção logo acima: “como eu escolho ser, é como eu sou”, e isso é um trabalho interno, precisa ser exercitado momento a momento. Tem até uma outra canção que fala sobre isso “o mundo é das pessoas que mandam em seus sentimentos”, do Charlie Brow Jr, chamada Hoje eu só procuro a minha paz.

O terceiro sentido em que a conversa chegou foi que se listarmos todos os nosso atributos hoje, é possível e bem provável que sejam diferentes dos que possuíamos há 3 anos. Somos seres mutáveis e vivemos em construção a partir de nossas experiências de vida, por meio de situações, de pessoas e etc.  Nisso, voltando a usar a figura da abertura do post, vamos pegando alguns atributos e posicionando próximos a nós para lançarmos mão quando temos desejo ou necessidade, em contrapartida, vamos nos desprendendo de outros que já não fazem mais tanto sentido. A dinâmica dessa evolução acompanha o fluxo contínuo de nossas vidas, por isso coloquei aquele feixe atravessando o eu, para dar uma sensação de deslocamento ao longo de uma linha, que seria a linha das nossas vidas. Para que o título do post faça sentido, falta falar dela Even Flow. Nessa canção, o tema de fluxo contínuo é abordado, não vou colocar a letra toda, mas recomendo que ouça pois ela é um dos clássicos do Pearl Jam e completou 15 anos agora em 2009.

“Fluxo constante
Pensamentos chegam como borboletas
Ele não sabe, então eles o perseguem para longe
Algum dia ainda, ele começará sua vida novamente
Vida novamente….vida novamente”

Certa vez ouvi algo sobre Nietzsche e fluxo contínuo. Então procurei na Internet e achei esse artiguinho aqui ( mas esse texto não recomendado para quem não gosta de filosofia, pois está meio viajante. Se bem que você pode acabar gostando?!  Ah, leia e tire suas conclusões, ele é pequeno, tem apenas 4 páginas).

Para concluir, pense sobre os pontos de origem das suas ações, sobre como você quer ser, sobre o fluxo contínuo da sua vida e as características que você ganha e as que você perde ao longo do tempo.

Extras:

Peal Jam: Even flow

Pearl Jam: Inside Job

 

 

Atrás deste sorriso tudo repousa
Toda minha esperança e raiva, orgulho e vergonha
Faço comigo mesmo um pacto para não fechar portas no passado
Apenas por hoje estou livreNão irei perder minha fé
É um trabalho interno hoje
Eu conheço isso bemOusei tentar matar o amor, o pecado mais elevado
Respirando a insegurança para fora e para dentro
Procurando a esperança, o jeito de andar na linha me está sendo mostrado
Perseguindo o maior jeito para toda a luz humana (nossa, eu tive uma viagem aqui.. um lance de humam being – human beam – human light.. mas é viagem minha)Como eu escolho sentir é como eu sou
Como eu escolho sentir é como eu souNao perderei a fé
É um trabalho interno de hojeAguentando, à luz da noite
Em meus joelhos levantar-se outra vez
e reparar minha alma quebradaDeixe-me correr na chuva
Pra ser uma luz humana novamenteA vida vem de dentro de seu coraçao e desejo
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2 pensamentos sobre “Even Flow, Inside Job

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