Orgulho besta


Orgulho besta - Imagem publicada em drang.com.br

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Oi, você já pensou em orgulho? Orgulho segundo o Word, meu prezado editor de texto, é sinônimo de empáfia, de soberba, de arrogância e, para não ser perda total, de amor-próprio. Considerando os sinônimos que o Word apontou,  quase que orgulho seria uma coisa ruim, mas amor-próprio é bom desde que não seja em demasia e atrapalhe nossa relação com as outras pessoas. Tudo bem, eu explico essa linha de raciocínio que pra mim é clara como a água, afinal, 27 anos de convivência com alguém assim, dá pra se aprender algo.

Para mim, orgulho é aquele lance de estufar o peito depois de ter feito alguma coisa que se desejava muito. As outras pessoas podem ou não dar valor para a sua realização, mas quem deve dimensionar o nível de satisfação proporcionada é você, afinal, foi você que lhe atribuiu algum valor e é esse valor que lhe faz sentir realizado. Creio que não devamos balizar o valor das nossas realizações pela reação de outras pessoas, afinal, são nossas realizações. Agindo assim, aumentando nossa autoconfiança e também amadurecemos emocionalmente. Tudo bem, eu sei que uma massaginha no ego é legal, eu sei e gosto. Mas não se pode querer isso aconteça em tudo que façamos, pois as outras pessoas têm a experiência de vida delas, tem a sua vivência. O que faz com que elas dêem ou não valor às coisas que fazemos. Logo, se você fez e te realizou, maneiro. Se as outras acharam bacana também, maravilha, senão, tudo bem, não deixe que isso diminua o valor que você atribuiu a ela.

Por outro lado, como não somos ilhas em nós mesmo, é importante atentar para aqueles que nos cercam. Observar a superação e a estimular. Pode parecer antagônico dizer no parágrafo que não se deve ficar esperando o reconhecimento das pessoas e agora vir dizer para que observemos os que nos cercam para poder parabenizar e estimular. Mas a idéia é mais ou menos a seguinte: não dependa do que os outros pensam, dependa do que você pensa de si mesmo. Mas por sermos seres sociais, acho importante olhar os que estão a nossa volta e fazermos essa troca, estimular o desenvolvimento. Isso gera um comportamento em cadeia, no sentido de: hoje quem está dando o tapinha nas costas é você, amanhã já poderá ser o contrário e o seu ombro a ser estapeado como sinal de reconhecimento (me refiro àquele lance de virar para a pessoa e falar: pô, maneiro isso que você fez, parabéns – enquanto se dá um tapinha no ombro).

Mas voltando a discutir o conceito de orgulho, existe aquele orgulho besta (empáfia, arrogância, soberba). Aquele de o sujeito não fazer o que eu disse no parágrafo anterior e para piorar ignorar se as pessoas que estão em volta estão felizes ou não. É triste pra cacete isso, pois como eu já disse: não somos ilhas em nós mesmos, pelo contrário, somos seres sociais, dependemos uns dos outros. Se não fosse para ser assim, imagino que nasceríamos como as tartarugas, enterradas na areia, nasce, toma seu rumo e nada pro mar. Todavia, nascemos emendados em nossas mães, depois precisamos ser cuidados (e muito bem cuidados por sinal: alimento, fralda, colinho, carinho, amor e etc) até conseguirmos nos virar (isso quando aprendemos a usar o peniquinho). Depois que conseguimos nos virar, nossa dependência se altera, mas não acaba, precisamos de orientação para saber nos comportar nas determinadas situações da vida (como diz Durkheim que o primeiro estágio de socialização acontece, ou pelo menos deveria acontecer, no seio da família; o segundo estágio na sala de aula escola e o terceiro estágio no trabalho – se eu estiver falando bobagem, me corrijam, mas pelo pouco que me lembro da aula de sociologia, era mais ou menos assim), depois somos alfabetizado, instruídos sobre o certo e o errado e por aí vai. Sendo assim, nossa dependência das pessoas é para toda a vida. Não se trata de ser um parasita e depender dos outros para viver, mas sim encontrar no outro aquilo que precisamos. Para que a relação entre nosso interior e o exterior seja equilibrada, é importante devolver algo também. Por isso falei da questão de dar moral para as coisas maneiras que os outros fazem.

Logo, aquele tipo de pessoa que estufa o peito e diz “eu não dependo de ninguém” pode até estar orgulhoso de si mesmo, mas eu penso “vale a pena?” ou então “realmente lhe faz feliz agir contra nossa natureza?”. Sei lá, acho que é viver é bastante triste. Prefiro continuar no jogo do ganha-ganha. Eu fico feliz e faço as pessoas felizes quando me toco. E também procuro ficar atento para ter aumentar minha sensibilidade e me tocar, para dar o tapinha no ombro.

Logo, abaixo o orgulho besta. Viva o orgulho do amor-próprio. Mas que seja o amor-próprio com moderação, para não correr o risco de virar o orgulho besta.

Orgulho - Imagem publicada em brincardepoetar.blogspot.com

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5 pensamentos sobre “Orgulho besta

  1. Acho que eu preciso de um pouco desse orgulho, sabe Wesley. Cobro demais de mim mesma, em tudo que faço, penso sempre que poderia ter feito melhor, (isso causa minha própria insatisfação) e é o que voce disse no início, se eu não der o valor devido, nem sempre tem quem o faz ( a tal massagem no ego rs). Incrível, já com as outras pessoas eu ajo diferente (- e é sincero -), o mínimo que fazem já é o suficiente para eu “encher a bola” delas… “Viva o orgulho do amor-próprio”, gostei disso, vou tentar seguir seu conselho. Obrigada.

    Abraços.

    Marli.

    • Ei Marli, eu escrevi esse post mais pra desabafar(assim como os outros, rs). Mas fico feliz que a essência dele (do amor-próprio) tenha feito sentido pra você também.

      abração,
      Wesley.

  2. Ter orgulho do que se faz de bom ou de bem… isso é interessante. Mas os conceitos de “bem” e “bom” são relativos. Orgulho do que se faz, só se for em forma de satisfação pessoal, sem necessidade de reconhecimento, pra não correr o risco de virar empáfia. Orgulho como empáfia, não cabe em lugar nenhum. Desagrada a quem convive e a quem vive a situação. Mas… isso também é muito relativo….
    Abç,
    Cris

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