o terceiro elemento


Atomo - publicado originalmente em www.odisseia.niv-ab.pt

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Como diriam Los Hermanos “Todo carnaval tem seu fim” e esse também teve o seu.  É hora de dar feliz ano novo pela terceira vez (sabia que existem três chances de dar feliz ano novo no ano? A primeira durante o reveillon, a segunda no primeiro dia de trabalho e a terceira depois do carnaval que é quando as coisas realmente voltam a funcionar) e tocar o barco.

Para esse reinício de ano, o tema escolhido foi o do ‘terceiro elemento”. A base desse post foi escrita por um amigo de fé e irmão camarada, o qual já debateu comigo vários dos temas postados aqui, entre umas cerveja e outras. Segue o post:

A ideia desse post surgiu há várias semanas, num dos vários colóquios e observações decorrentes das noites de boemia. Como postado em “bares, noite, conversa fiada, sexta-feira” , a predisposição para curtir e boa companhia são pontos fundamentais para uma ótima noite. Entretanto, ambos podem ser minimizados pela figura do terceiro elemento. Mas o que seria esse tal terceiro elemento? Ele é o indivíduo solteiro, geralmente do sexo feminino, que acompanha um casal  para uma grande balada. Até aí, nada de demais. O ponto-chave relativo a esse novo termo é a sua interferência na dinâmica das relações. Algumas de suas atitudes aliadas à constante proximidade com o dito casal impedem que o suposto par se sinta realmente à vontade para curtir, além de dificultar/desencorajar a aproximação de outrem. Nisso, o terceiro elemento acaba funcionando como um “repelente para socialização”.

Para tentar monstrar que não é exageiro, repare no seguinte comportamento: sua constante demanda por atenção do casal, independente do assunto que está sendo conversado. O casal então está tão *absorto que por instantes o mundo parece não existir à volta do trio (peraí: isso deveria acontecer entre os pombinhos apaixonados?). Jogo de cintura para conduzir a conversa e bom senso são essenciais para que se passe de terceiro elemento para terceiro integrante (a presença desse sim só traz benefícios , mas isso fica pra outro post, quem sabe). A proximidade excessiva do terceiro elemento com o suposto casal que o acompanha é traduzido pelos demais (predispostos a curtir e se socializar) como puro e simples desinteresse. Pois qualquer pessoa que pense em abordar o terceiro elemento pensará duas vezes, dependendo do quão interessante parecer a interação entre os três.

A solução é simples: o velho conhecido bom senso. Chegar numa grande balada junto, ok. Permanecer junto o tempo todo, agindo como se todo o universo se restrinja a apenas três pessoas, NÃO. Dê seu vôo solo, veja outras pessoas e seja visto. Assim (espero…) sua predisposição para curtir será notada por todos (repare que pode ser notada uma grande semelhança entre as expressões “segurar vela”, “castiçal” e terceiro elemento, mas há uma diferença importante: o indivíduo que “segura vela”, ou o casal, ou os três, tem plena consciência de que estão numa situação de desconforto). Se algo será feito a respeito, já são outros 500. O terceiro elemento é praticamente o furo no barco, mas que passa despercebido pela tripulação. Relembrando um pouco de Ecologia, acredito que não há classificação para este tipo de relação desarmônica: uma na qual indivíduos de mesma espécie se relacionam, mas todas saem prejudicadas. Tal relação seria oposta à simbiose (ou ao mutualismo). Um dos n tipos de relações ditas “humanas”.

Uma outra visão disso seria a seguinte: você quer sair mas não quer ir sozinho, logo, chama alguem. Sair a dois é muito mais tranquilo, você decide pra onde quer ir, ouve a opinião da pessoa que chamou, um dos dois cede e pronto. Simples assim. Quando há um teceiro elemento, a situação tende a virar uma plenária, em que uma suposta democracia deve imperar. Mas como a maioria das pessoas tende a optar pela solução mais fácil, o usual é sair em pares: casal; um amigo e uma amiga; dois amigos ou duas amigas. Quando se sai em 3, a conta não fecha, haja visto que aA probabilidade de encontrar pares é muito maior pelo simples fato de ser mais confortável.

Uma terceira abordagem ainda sobre esse assunto seria a da perspectiva dos pares que se deparam com trios, é como se um átomo querendo fazer uma ligação química se deparasse com uma molécula constituída por uma ligação ionica. A energia necessária pra desprender o terceiro elemento é tão grande, que o átomo acaba desistindo e indo procurar uma molécula formada por uma ligação covalente (se você fugiu da escola ou se lembra vagamente como eu: ligação ionica é forte, ligação covalente é fraca), a qual vai ser mais fácil interagir e conseguir alguma atenção.

Portanto, se pensar em sair, saia em números pares e contribua para a dinâmica da natureza ou saia em trio mas dê seu voo solo para que veja e seja visto.

Co-autor: Venâncio Kravitz.

*o mesmo que concentrado. Eu só deixei essa palavra porque ele botou no original, mas tive que procurar seu significado no google pra entender o que ele quis dizer e também amplixar nosso léxico.

ps.: a demora na atualização se deve a damned NET que fez o favor de ficar fora do dia 6 fevereiro até ontem no meu bairro. Digo até ontem porque hoje ainda não olhei. Mas voltarei à frequencia antiga de um por semana.

Feliz ano novo.

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2 pensamentos sobre “o terceiro elemento

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