amor contagioso (dengue/cupido)


Ensaio sobre o amor

O nome do post seria ensaio sobre o amor, o assunto (mais uma vez) é relacionamento. Entretanto, vou usar a palavra amor para me referir a relacionamento e o título do post mudou pra esse ai depois que terminei de escrever.

Imagine o amor de uma maneira não romantizada. Suponha que ele seja uma doença semelhante à dengue. A dengue é transmitida pelo mosquito, já o amor é transmitido pelo cupido, ambos voam e picam (um pra se alimentar e outro só de sacanagem com suas flexas). O mosquito da dengue tem uma vantagem em relação ao cupido: seu comportamento já foi identificado e os cuidados para se prevenir da doença são sabidos (apesar de não praticados em larga escala). Todavia não se conhece os comportamento do cupido, logo, não é possível saber quais cuidados tomar para evitar a doença (ou o que pode ser feito pra se contagiar logo).

Pois bem, uma vez contaminado pelo amor, os sintomas iniciais são bem agradáveis: sorriso que não foge aos lábios; olhos que procuram pela pessoa; forte calor local na região esquerda do peito; boboletas no abdomem; ligeiro devaneio mental (a pessoa fica boba); entre outros. Mas depois de determinado tempo de contagio, um novo cenário se desenha e é justamente nesse ponto, a dengue se diferencia do amor. Quando se está contaminado pela dengue, o organismo reforça o sistema imunológico, aumentando a quantidade de plaquetas, para lutar contra o vírus e eliminá-lo do corpo. Mas quando infectado pelo amor, forças internas e externas à relação (discussões; falta de sincronicidade; monotonia; medo de sair da superficialidade; cunhado(a)s; sogro(a)s; amigo(a)s e tudo mais que perturba uma relação) lutam para expulsá-lo do coração. Não adianta pedir pro cupido dar outro disparo, é preciso segurar firme a flexada para que o corte não se feche e cicatrize, de modo a manter o vírus do amor, contido na ponta da flexa, em contato com o sangue para que ele continue se dispersando pelo corpo.

Se de tudo não conseguir manter o vírus em atividade, o amor tende a ser repelido de fato. Esse processo costuma ser um tanto quanto incomodo. Isto é, se o amor é novo, talvez a dor seja menor. Algo como se curar de um resfriado, em poucos dias a saúde é restabelecida. Mas se o amor não é tão novo, a cura pode ser mais parecida com o tratamento de uma gripe: evitar friagem (o frio de ver a pessoa sem haver mais sentimento); se alimentar com sopas quentinhas (o calor das pessoas que nos querem bem, sejam parentes ou amigos); e consumir bastante água (nesse caso, é bom que seja ardente, assim ajuda a esquecer mais rápido).

Mas existe ainda o amor crônico, aquele que foi bom mas não é mais. Que só de lembrar dói, que é preciso evitar lugares, músicas, livros e etc. Esse amor, também conhecido por relação mal resolvida, mesmo depois de tratado deixa o vírus inativo mas não o expele completamente. Logo, assim como alguém que pressão alta evita o sal ou quem tem bronquite e evita friagem, quem sofre de amor crônico, deve evitar o que ataca seu sistema imunológico emoncional.
Por fim, pensei em falar daquele amor que é como um banquete. Você sente fome/sede da relação. Quando pode, sacia-se até não poder mais. Mas se o amor (relação) for *indigesto, vem o mal-estar, uma dor de barriga sentimental que arrepia seus pelos, lhe faz suar frio e se arrepender de ter provado dela, como se fosse virar do avesso de tão ruim que é o processo de colocar aquilo pra fora. Então vem a conclusão de que foi um amor de merda.

Seja como for, é uma doença deliciosa de se pegar. Como dizem por aí: quando é ruim é bom e quando é bom, é ótimo.

Até a próxima.

*amor indigesto: aquela relação que você gosta a beça mas sabe que te faz mal. Se você ainda não viveu isso, agradeça a Deus e torça para não se deparar com tal coisa ao virar a próxima esquina.

** fonte das imagens usadas no gif:

Léon Bazile Perrault “As flechas de Cupido” (1882) óleo s/tela 101,6 x 83,2 cm

Imagem do mosquito da dengue  pega no site http://www.fiocruz.br


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6 pensamentos sobre “amor contagioso (dengue/cupido)

  1. Muito boa sua correlação de Cupido x Dengue. Realmente o amor, muitas vezes, nos causa sintomas de muitas doenças, mas acho que é mais fácil superar uma dor física à uma dor emocional. Parabéns pelo blog, sempre muito criativo seus posts. Abraços…

    Marli

  2. Pingback: tempo, passado, futuro « Pense sobre

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