alimento pra cabeça – Parte I (produção)


Árvore de livros - publicado em www.techusers.org

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na terça (09/03) fui a um café literário promovido pelo SESC. O tema era “A trajetória do livro: da edição ao leitor”. Me chamou a atenção a discussão sobre o ato de ser lido. Como você deve imaginar, sinto prazer em escrever os posts do Pense Sobre. Desfruto de cada momento desse ritual: do antes (quando fico matutando sobre o assunto ou conversando sobre ele com alguem); durante (quando procuro as mídias que irão ajudar a compor o texto – figura, músicas, clipes e etc); e depois quando vejo números de acesso ao blog. É muito maneiro isso tudo. Mas num blog, a coisa flui de maneira muito mais dinâmica, eu escrevo pelo um post por semana. São textos curtos que sempre trazem alguma imagem pra ilustrar o assunto.  Então você vem aqui, lê e pronto.

Mas com um livro, a coisa muda um pouco de figura. O escritor fica meses e meses cultivando seu material. Depois passa por mais uma via-crucis para editar e publicar o livro, seja com recursos públicos oriundos de leis de incentivo cultural ou seja por meio de recursos próprios. Por fim, tem a dificuldade de comercializar o livro já impresso. Se ele foi editado por uma editora grande, o valor da vendagem para o escritor tende a ser bem pequeno, porém ele não vai ter que se preocupar com a logística da distribuição dos livros para as lojas, nem com a divulgação. Mas se o livro for feito “artesanalmente”, comercializá-lo pode ser tornar um parto. Pensando no ponto de vista do consumidor, é difícil comprar um livro do nada, sem indicação de alguem, sem repercussão na mídia e sem saber do que se trata, logo, o escritor tem que batalhar para fazer a divulgação e tentar persuadir o leitor a provar da sua lavoura.

Eu disse isso tudo só pra tentar mostrar, ao menos um pouco, o quão difícil é produzir cultura literária. Não que as outras formas de arte não sejam complexas, pelo contrário, produzi-las também tem sua dificuldade. Inclusive, até é possível fazer uma listinha rápida do tipo de cultura, traçando um paralelo com o seu “cultivo”.

  • um album de rock (música) – compor as músicas, ensaiar, ir para estúdio, gravar cada instrumento sem errar, juntar as faixas, mixar, masterizar, prensar o cd. Sim, ainda tem que tirar fotos pro encarte, fazer a arte gráfica que vai ilustrá-lo e etc.
  • espetáculo teatral – escrever a peça ou buscar um texto já pronto (o que normalmente exige algum esforço de adaptação), selecionar o elenco, montar o figurino, conseguir o espaço para que o espetáculo seja feito, montar o cenário, iluminação, sonoplastia, divulgar, vender os ingressos e, é claro, dramatizar a peça propriamente dita etc.
  • filme de curta ou longa metragem – escrever o roteiro ou buscar algum já pronto para adaptá-lo(ou não), selecionar o elenco, escolher locações, fazer o story-board, gravar as cenas, editar as cenas, montar trilha sonora, juntar o audio ao vídeo pra montar a versão final e exibir (algumas coisas estou chutando, mas se algum leitor souber as etapas certas e quiser botar nos comentários, eu ficarei feliz em corrigir).
  • artes plásticas (pinturas ou esculturas) – pensar na forma que se deseja produzir (esculpida ou pintada), reunir os materias necessários (tela e tintas para pintura ou o material da escultura), trabalhar em cima da obra para fazer a parte bruta e depois o acamento, por fim, fazer a exposição da obra.

Bem, continuando com minha mania de fazer analogias, produzir cultura, em alguns casos, leva tanto tempo e requer tanto cuidado quanto produzir alimento. Afinal, fazer nascer uma um grão de feijão num algodão é bastante fácil, mas isso não é suficiente pra alimentar. Seguindo essa linha de pensamento, posso dizer que apenas um livro, ou um album, ou um filme, ou uma pintura também insuficientes para a alimentação cultural de um indivíduo. Logo, dieta do intelecto demanda que seja criado um hábito de alimentação cultural, o qual prime por alimentos de qualidade. Mas para garantir que a dieta seja rica, é preciso aprender a apreciar cada tipo de arte de acordo com a complexidade da sua produção e com a intensidade com que nos toca.

Sobre produção cultural, era isso.  Veja também a continuação desse post [alimento pra cabeça – Parte II (consumo)] que fala sobre o consumo propriamente dito.

Até mais.

ps.: Por desencargo de consciência, esclareço que coloquei a foto da árvore de livros para fazer analogia do cultivo da cultura com o cultivo de alimentos.

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Um pensamento sobre “alimento pra cabeça – Parte I (produção)

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