show de rock


Placebo - Chevrolet Hall - BH

Placebo - Chevrolet Hall - BH

Você já foi a algum show em sua vida? Com a insegurança que cada vez mais nos cerca, ir a um show pode ser algo pouco convidativo de início. Existe risco de furto, roubo e violência antes, durante e depois  – independentemente do estilo de música. Sem contar a extorsão garantida dos guardadores de carro (damned flanelinhas) – desses não há como fugir, estão em toda parte e se espalhando cada vez mais. Entretanto, essas coisas ruins já fazem parte do cotidiano, portanto não faz sentido ficar dentro de casa vendo a vida passar lá fora. Existem experiências na vida que pelas quais é importante passar ao menos uma vez para que não sejamos meros espectadores (espectador? não entendeu? clique aqui). É aí que entra o ir a um show – no meu caso, preferencialmente de rock.

Um dos grandes baratos de uma apresentação ao vivo é a interação entre o público e os artistas. Pro artista é bacana ter o feedback do público com relação à sua obra – qual música deixa as pessoas mais agitadas, quais letras são conhecidas e etc. A vantagem do público é poder ver seu artista de pertinho (não sei o motivo mas quando gostamos muito de uma obra – música, livro, filme, peça – dá vontade de interagir com o seu criador para, talvez, entender como ele conseguiu nos tocar com sua arte) e também apreciar sua a performance ao tocar cada música ( ainda naquele livro que falei no post anterior, li que o Jim Morrison misturava elementos teatrais em suas apresentações, por influência da obra de  Antonin Artraud, por exemplo: na música Unknown Soldier, há uma parte que remete a um fuzilamento, então o baterista toca algo parecido com o tambor que precede o disparo, depois o guitarrista finge que tem um fuzil na mão e atira em Jim que cai “morto”. Confira o vídeo no final do post).

Num grande show, além da própria música, às vezes pode-se contar com efeitos visuais e/ou pirotécnicos, entre outras coisas. Tudo isso contribui para que experiência seja ainda mais rica. Mas um ponto fundamental para que o show seja apreciado é a paixão pela obra do artista ( em alguns casos, tem gente que se apaixona pelo(s) artista(s), mas não vou falar de devaneios hoje). A paixão pelas músicas cria uma atmosfera de sensações que é compartilhada entre público e artista. Em alguns casos, lembra até um ritual.

No primeiro show que fui (Jotaquest em 1997), ver a alegria que tomou conta das pessoas naquela minúscula casa de eventos me impressionou. Continuei observando isso em outros shows de proporção igual ou pouco maior nos anos seguintes, até ser conduzido ao ápice pelo meu irmão mais velho: o show do Iron Maiden (Rock in Rio 3 em 2001). Disseram que deu cerca de 250 mil pessoas naquele dia. Posso afirmar que era gente pra caceta fissurada pra ver a banda. No show, o  Bruce Dickinson ficou correndo pra lá e pra cá o tempo todo (e olha que o cara é quarentão), tradicionalmente rolou um monte de isqueiros acessos quando tocaram Fear of the Dark e pra alegria da galera o Eddie entrou no palco. Tais cenas tornaram aquele dia especial. Pra completar, a cada música tocada, nosso coral de 250 mil pessoas entrava em ação e acompanhava enquanto e simultaneamente criava o fenômeno da da **dinâmica das massas.

Depois desso, fui a outros shows bem legais, alguns pequenos, outros um pouco maiores. Mas agora em 2010, para honrar um trato feito ano passado, eu e mais 2 amigos fomos ver o Metallica em Porto Alegre.  Mais uma vez o clima de ritual se instaurou. Centenas de pessoas devidamente vestidas com suas camisetas pretas enfrentando uma puta fila para ver o show. Uma coisa muito maneira desse momento preliminar é a sinergia que já vai sendo criada, gente de todo canto contando de onde veio para ver o show ( uns caras de de Curitiba, outros de Floripa, outros de São Paulo) e quais músicas gostariam de ouvir. No intervalo entre o show da banda de abertura e o show do Metallica, não sei o porquê até agora, várias pessoas começaram a cantar o hino do Inter, depois houve o revide e outros cantaram o hino do Grêmio. Então o Metallica entrou no palco e foi foda pra caralho tudo que a gente queria que fosse. No final do show, outra coisa curiosa: durante o pedido de bis, os gaúchos cantaram o hino do Rio Grande do Sul – nesse momento, acho que Gremistas e Colorados viraram um grupo só, achei maneiro essa demonstração de amor/respeito que eles tem pelo seu estado. Sabe aquele clima de família? A gente que nem era de lá se sentiu assim. Povo mega civilizado e super afim de curtir aquele momento. Foi, entre os grandes, o show de rock mais tranquilo que já vi.

Por fim, sexta passada fui ao show do Placebo no Chevrolet Hall em BH. Me amarro nessa banda desde 2002, quando ouvi o cover, Big mouth strikes again, que eles fizeram do The Smiths. Ouvindo seus albuns, que hoje totalizam 6, acabei virando fã. O show, também foi maneiríssimo. Público tranquilo cantando/pulando junto e o melhor, consegui ficar a uns 10m do palco, deu pra acompanhar tudo numa boa.

Eu acredito que essa mesma comoção/energia/sei lá como se chama também possa ser encontrada em shows de outros estilos, afinal, cada indivíduo tem seus gostos musicais. O grande lance é a oportunidade de estarem juntos vendo e ouvindo o que gostam, seja em pequenas, médias ou grandes apresentações. Para aproveitar e dizer se foi bom ou não, só indo mesmo. Se tiver oportunidade de ir a algo assim, não perca.

Até a próxima.

*mano: pripriedade ou karma daquele que é nascido no extremo sul da zona sul de São Paulo, popularmente conhecido como Capão Redondo.

**dinâmica das massas: empurra-empurra que faz seu corpo ser deslocado num raio de 10m contra sua vontade.

ps.: houveram sim shows nacionais maneiros que me amarrei em ter ido, mas como ainda estou com os acordes das guitarras distorcidas de sexta-feira passada, preferi enfatizar o rock das bandas de fora mesmo.

The Doors – Unknown Soldier

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