bolinho de chuva


Bolinho de chuva - publicado em panelinha.ig.com.br
Bolinho de chuva – publicado em panelinha.ig.com.br

Sabe quando uma mulher mexe com sua vida a ponto de você não conseguir esquecê-la? Eu sei que isso parece clichê, mas ela realmente me transformou. As coisas entre nós aconteceram meio que por acaso. Não foi amor à primeira vista, tanto que no momento que ela soube de mim, esforçou-se em vão para me evitar.

Ela trabalhava como caixa no supermercado Pão de Açúcar da Av. Santo Amaro em  São Paulo quando me conheceu de perto e inevitavelmente se apaixonou. Tá bem, eu sei que estou longe de ser um galã, mas apesar de seu jeito sério, ela sabia como me arrancar vários sorrisos. Essa brincadeira acabou lhe dando a idéia de me apelidar de Nino. É bem verdade que tal apelido não tem muito sentido com o fato de eu ter me tornado mais risonho depois de tê-la conhecido, mas creio que ela o colocou em mim para ser uma coisa só nossa. Entretanto, ela me chamava daquela maneira carinhosa na frente das outras pessoas, gradualmente quem era próximo a nós dois, por achar “bonitinho” aquele tratamento, passou a usá-lo também.

O tempo foi passando e nossa relação foi amadurecendo. De vez em quando eu fazia algumas coisas que ela não gostava, mas reconheço que era pura infantilidade de minha parte.  Apesar disso, ela sempre me perdoava, talvez pelo fato de eu sempre ter sido bastante companheiro.

No começo, eu gostava de tomar banho junto e de dormir com ela. Com o passar do tempo, isso foi se perdendo. Mas vieram outras coisas bacanas para substituir, passávamos muito tempo conversando e vendo tv. Em geral, sempre nos divertimos bastante. Uma das coisas mais legais era seu respeito pelo meu espaço pois mesmo vivendo juntos, eu gostava de ter tempo pra mim e ficar sozinho para poder organizar minhas idéias (pensa sobre as coisas, sabe?!).

Ela me ajudou a crescer como pessoa de várias formas: me perturbando pra eu ler mais; me ensinando tarefas domésticas básicas como limpar, lavar, passar e cozinhar. Por ser um pouco mais velha, sempre se preocupou em como eu ficaria quando ela não fizesse mais parte da minha vida. Pode parecer desprendimento isso, mas eu acho que era uma demonstração de amor muito sincero de sua parte, afinal, ela queria apenas que eu soubesse me virar. Por falar em amor, a forma dela de manifestá-lo às vezes era bem peculiar, mas eu entendo, afinal, antes de mim ela teve algumas relações conturbadas. Além disso, a relação com seus pais havia sido complicada, a ponto de fazê-la sair de casa relativamente cedo. Tudo isso fez com que ela trouxesse uma carga meio pesada pra relação, o que felizmente não nos prejudicou.

Outra coisa que ela me ensinou, a qual eu considero mais importante de todas, foi confiar em mim mesmo. É incrível como a autoconfiança pode ser estimulada. Ela fazia isso comigo sempre, dizendo que eu poderia fazer qualquer coisa que quisesse, desde que eu não poupasse esforços. Além disso, sempre me estimulou a continuar estudando e, por diversas vezes, conversava comigo acerca de valores, sobre como era importante sempre agir corretamente, afinal, um dia iremos prestar conta de tudo que fizemos em vida né (tem relação com esse post aqui?). Diante disso, vejo que ela se preocupava com minha alma também.

Passamos alguma situações bem difíceis juntos, mas ela nunca se deixou abalar ou não deixava isso transparecer isso pra mim. Sua força interna é enorme e, indiretamente, acabou me ensinando que  o mundo é um lugar onde os fracos não tem vez. Eu sei que é estranho dizer que ela era a pessoa mais forte da relação, todavia é a mais pura verdade.

Bem, houve uma época em que eu sentia ciúmes dela com um outro *cara que ela conheceu 5 anos antes de mim. Eu achava que ela lhe dava mais atenção. Com o tempo entendi que ela tinha amor suficiente pra nós dois e o manifestava de formas diferentes pra cada um de nós.

Nos separamos há quase 4 anos atrás, mas nos mantivemos muito próximos. Ainda costumanos conversar sobre várias questões difíceis da minha vida pois sei que seu amor por mim é incondicional e ela só quer me ver feliz. Mas ela tem pouco de dificuldade pra entender minhas ações com relações a alguns comportamentos dela (como este aqui), entretanto, tudo que faço é porque a amo e também quero que ela seja muito feliz.

Essa mulher é a minha mãe e esse é um trechinho da nossa história. Minha idéia hoje foi fazer um breve apanhado sobre pedaços da nossa vida juntos. Não sei se ela já parou pra pensar nisso dessa forma, mas pra mim foi uma brincadeira bem legal. E você, já parou pra pensar nisso? Aproveite e diga à sua, se tiver oportunidade, o que achou de tudo. Se você for mãe, faça o inverso. Enfim, pense sobre.

“O amor de mãe é o combustível que permite a um ser humano fazer o impossível”, Marion C. Garretty.

Alguns esclarecimentos sobre o post:

  1. até eu completar uns 4 anos, de vez em quando ela me chamava pra tomar banho junto, mas fazia eu prometer que iria me comportar. Lembro que eu fazia bagunça sempre, então ela acabou parando de me chamar =P
  2. não dormiamos juntos, mas como na infância eu era acostumado a acordar cedo, me impirulitava pra cama dela e achava um espacinho entre ela e meu pai. Ai cutucava a barriga do meu pai, ficava abrindo o olho dela pra ver se ela estava dormindo mesmo, enfim, mais bagunça. Como o passar dos anos, eu fui parando com isso =P
  3. o cara citado no penúltimo parágrafo é meu irmão mais velho.
  4. A imagem do bolinho de chuva é uma das minhas memórias de infância pois sempre foi uma das armas secretas da minha mãe pra me alegrar. No ranking das minhas coisas gostosas favoritas, ele ocupa o segundo lugar. O primeiro continua sendo o pudim de leite condensado. Mas o pudim era uma unanimidade lá em casa, o bolinho não, era feito só pra mim mesmo, por isso essa ligação: minha mãe + eu + bolinho de chuva.
  5. No primeiro parágrafo eu disse que não foi amor à primeira vista, pois quando ela soube que estava grávida, inicialmente pensou em não levar a gravidez adiante. Mas quando nasci, não teve jeito, foi amor incondicional pelo resto vida.
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5 pensamentos sobre “bolinho de chuva

  1. Wesley,

    Que lindo! Adorei seu texto, muito bom!

    Depois de alguns meses complicados, hoje estou muito bem com a minha mãe e isso me deixa muito feliz!

    Parabéns pelo texto!!!!!!!!!!!!!

  2. Realmente, mãe é tudo!
    Mãe(zinha) onde você estiver, sei que estará sempre comigo, guiando meus passos; sentindo seu amor, sua companhia, enfim….TE AMO para sempre!
    Ah, e os bolinhos de chuva…… doce lembrança.

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