terapia, autoconhecimento


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Terapia - publicado em sr-espelho.blogspot.com

Detesto concluir o que depois me parece óbvio, mas até recentemente eu não havia percebido tal tema por esse ponto de vista. Então, vamos lá.

“A diferença entre psicólogo e paciente é que o primeiro possui a chave do consultório”.  Apesar de parecer uma frase hostil, foi depois de ouví-la que comecei a reduzir meu preconceito contra psicoterapia. Entendi que os psicólogos (psiquiatras, psicoterapeutas e afins), antes de serem profissionais, são pessoas passíveis de vivenciar os mesmos conflitos que qualquer simples mortal – pelo simples fato de também o serem.

Acredito que todos tenhamos conflitos internos (que chamarei de questões). A auto-compreensão dessas questões proporciona um viver mais harmonioso, tanto consigo mesmo quanto com os demais. Imagino que existam inumeros tipos questões. Cada pessoa lida com elas da maneira que entende ser a melhor – mas que nem sempre é de fato.

Tem gente que consegue cercear suas questões a ponto de não deixar que seu cotidiano seja afetado. Mas há outras pessoas que por conta do fator *PS não conseguem lidar tão bem com elas, o que pode implicar numa transposição do conflito do mundo das idéias para o mundo real. Isso talvez implique em danos de menor ou maior proporção em suas vidas, como também na vida das pessoas de seu convivio.

Com relação a lidar com as próprias questões. Imaginei uma metáfora pra ilustrar como percebo isso:

Você está numa rua e de separa com um cachorro desconhecido. Se você ignorá-lo, pode ser que ele passe sem lhe atacar e vá embora, mas também pode acontecer de ele lhe atacar pelas costas. Para se proteger, o melhor é enfrentá-lo.

Tal enfrentamento pode se dar de duas formas: partindo do princípio que ele iria lhe atacar, você avança na direção do cachorro, no estilo “a melhor defesa é o ataque” e tente afugentá-lo. Caso não consiga, corra você. Outra forma seria, se ele parecer dócil, aproximar-se vagarosamente e tentar fazer “amizade”. Se a alma dele for de vira-lata, vai funcionar. Para tomar a melhor decisão, o ideal é compreender todas as variáveis do contexto:

  • De onde o cachorro veio e quem seria o seu dono?
  • O cão parece hostil ou dócil?
  • A rua apresenta rotas de fuga para o caso de ter que fugir?
  • Existe alguma coisa que possa ser usado contra o cão no caso de um ataque dele?

Sim, na metáfora o cão representa o conflito – a questão que há consigo mesmo. Dentro das alternativas, percebo três maneiras distintas, comumente usadas, para lidar com ela.

  1. Ignorar: nesse caso, com o passar do tempo, ele pode simplesmente ser esquecido como também pode tomar aumentar sua proporção e se tornar mais difícil de ser enfrentado. Essa maneira está representada pela primeira parte da metáfora, onde o cachorro é deixado de lado. O fato de ignorar um problema raramente faz com que ele desapareça.
  2. Fugir: talvez essa maneira caia nos moldes da primeira citada. Mas pensei no seguinte questão: há quem precise “fugir” da realidade para conseguir ignorar o problema. A pessoa não consegue simplesmente se desligar, ela precisa lançar mão de algum tipo de fuga, o que pode acontecer de várias maneiras: pelas drogas (lícitas e/ou ilícitas), consumismo, bitolação (religiosa, cultural), depressão, trabalho em excesso e etc. Além disso, um desses mecanismos pode acabar levando a outro.
  3. Enfrentar e resolver: o enfrentamento diz respeito a compreender o conflito em sua totalidade. O que é? O que se sente? O que causa e si mesmo e nos demais? Quais outros conflitos podem ser influenciados por esse? Quais outros podem ser causadores desse?

A terapia auxilia no item 3. A compreender o que está acontecendo. Não é algo imediato, é um processo que leva tempo, dedicação e dinheiro. Sendo esse último item um fator de impedimento para grande parte das pessoas, afinal, por não se ter noção da importância desse tema, a saúde mental acaba ficando para o fim da lista de prioridades cotidianas.

Eu relutei por muito tempo em aceitar que terapia pudesse realmente fazer diferença na vida de alguém, por acreditar que todo ser humano é auto-suficiente. Hoje percebo quão ignorante era esse pensamento, vejo que é como tentar consertar o motor de um carro sem entender de mecânica (se você conseguir, foi por sorte).  A terapia não dá as respostas para tudo, mas tem recursos para lhe ajudar a conseguir chegar nelas ou o mais próximo delas. Também não é algo para se fazer por tempo indefinido. Deve ser feito quando se precisa de ajuda para solucionar questões com as quais não se está conseguindo lidar. O psicoterapeuta irá lhe ajudar a desembolar seus pensamentos, puxando o fio da meada para que ele não se perca.

É isso, pense sobre.

*fator PS: é o fator Pense Sobre.  Eu inventei pra englobar um conjunto de um ou mais fatores que vai variar de pessoa pra pessoa e que será responsável por fazer com ela não consiga ligar com a questão sozinha. Daí, será necessário a ajuda de um especialista para ajudá-la a Pensar Sobre o que está acontecendo, a fim de compreender a questão e encontrar a solução.

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Um pensamento sobre “terapia, autoconhecimento

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