mamãe disse


Cantinho - publicado em biscoitoebolo.blogspot.com

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Apesar de o título remeter à figura materna, me parece que esse tema se aplica também ao pai e/ou às pessoas que participam da formação do indivíduo durante as etapas iniciais de sua vida. Como mencionei no post anterior(clique aqui para ver), não existe um manual ideal para criação de filhos. Existem vários livros sobre o assunto, a própria bíblia no livro de Provérbios dá algumas dicas. Além disso, há também programas de televisão sobre o assunto como o da Super Nanny e outros na Fox Life ou Discovery Home and Health. Por fim, há a própria experiência dos pais com os seus pais. Disso tudo, valem os casos de sucesso para serem aplicados e os casos de fracasso para serem analisados (consciente ou inconscientemente, acredito que as pessoas tendam a fazer isso em diversas áreas da vida).

Todavia, cada individuo é único em si. Uma experiência que foi bem sucedida com o pai ou a mãe, pode não ser com o filho, simplesmente pelo fato de ele ser outra pessoa. Evidentemente que ele carrega traços de personalidade herdados dos pais, mas a sua maneira de encarar o mundo será moldada de acordo com suas vivências. Há uma frase famosa do filósofo  Heráclito (a qual só fui entender há uns 5 dias, rs) que diz mais ou menos o seguinte: “um homem não se banha duas vezes no mesmo rio”, isto é, tanto o fluxo do rio fará com que as águas corram e ele não seja mais o mesmo rio, como a própria mudança inerente à natureza humana fará com o que o homem não seja exatamente igual ao que foi um segundo atrás. Nessa mesma linha de raciocínio, tem outra frase famosa atribuída a ele que diz: “nada é permanente a não ser a mudança”.

Isto posto, acredito que o indivíduo nasça com áreas a serem preenchidas: a área do amor, a da liberdade, a do limite, a do carinho, a do respeito, e etc. O preenchimento da base dessas áreas ocorre durante sua formação nos estágios iniciais da vida. A dosagem dessas áreas combinado com as características inatas da pessoa faz com que ela seja quem é e do jeito que é. Claro que a poderá mudar ao longo da vida, por sí próprio ou intencionalmente fazendo uso de alguma ajuda como foi dito no post sobre terapia (clique aqui para ver). Porém, quando há desequilíbrio nas áreas que constituem o indivíduo, os problemas podem ser refletidos na vida adulta.

Por não haver um guia ideal para criação dos filhos, conseguir preencher todas as áreas harmonicamente é quase que acertar na loteria. Entendo que o equilibrio no preenchimento deva ser buscado, mas não a qualquer custo, para que a criação não se torne traumática. Sendo assim, entendo que deja ser um grande desafio para os pais aceitarem que o resultado final da criação não seja o filho “idealizado”. Como acertar na loteria não é muito fácil, me parece justo que os pais aceitem a busca do filho pela formação psicologica e emocional de acordo com o que ele entende ser melhor pra si mesmo, aconselhando mas não podando sua auto-construção.

Recentemente ouvi a seguinte frase: “onde há muita crítica, há pouco espaço para o amor”. Basicamente é isso, amar e deixar ser.

Por fim, há uma canção do Metallica chamada Mama Said. Foi com base nela que eu resolvi escrever esse post. Abaixo está o vídeo da performance ao vivo e alguns trechos de sua letra. A qualidade da imagem está duvidosa, mas o som e a emoção com quem o James a canta fazem valer a pena. Nela pode ser percebida a angústia de uma criação restritiva.

É isso, pense sobre.

Mama said – Metallica – Album Load (1994)

“Mamãe, ela me educou bem
Me disse quando eu era jovem
Filho, sua vida é um livro aberto
Não o feche até que esteja terminado
A chama mais brilhante queima mais rápido
É o que eu ouvi ela dizer
O coração de um filho pertence à mãe
Mas eu devo encontrar meu caminho

Deixe meu coração ir
Deixe seu filho crescer
Mamãe deixe meu coração ir
Ou deixe este coração ainda ser
Sim, deixe

Rebelde, meu novo sobrenome
Sangue selvagem em minhas veias
Laços maternos em volta de meu pescoço
A marca que ainda permanece
Deixei minha casa ainda jovem
E tudo o que eu ouvi estava errado
Eu nunca pedi perdão
Pelo que disse ou fiz

Nunca pedi a você
Nunca lhe dei
Mas você me deu seu vazio e vou levá-lo até minha sepultura

Mamãe agora eu estou indo para casa
Eu não sou tudo o que você quis de mim
Mas o amor de uma mãe por seu filho
Não fale, me ajude a ser eu mesmo
Eu levei seu amor para ser aceito
E todas as coisas que você me disse
Eu preciso de seus braços para me acolher
Mas uma pedra fria é tudo o que vejo

Deixe meu coração ir
Mamãe deixe seu filho crescer
Você nunca deixa meu coração ir
Então deixe este coração em paz”

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5 pensamentos sobre “mamãe disse

  1. Olá!
    Muito bom o texto! Muito emblemática e forte a imagem! (só não entendi a relação dela com a figura de mãe/criadora/cuidadora! rsrsrs) Realmente, filho não vem com manual de instrução… mas se viesse também… quem leria?? Se alguém prestasse atenção aos manuais, livros, programas, não teríamos mais uma geração que desrespeita e degrada ao outro ( e isso vem de muuuito longe. Sem essa de dizer que é atual essa bandalheira!). Só não concordo com uma coisa: que o indivíduo nasça com áreas a serem preenchidas. Me remete ao empirismo de John Locke e à sua teoria da Tábula Rasa… Vamos pensar (mais) sobre? bjs

    • Cris,
      a foto, assim como a música, falam de uma criação rigorosa. Com relação à questão do individuo precisar ser preenchido, remete justamente a esse pensamento da tábua rasa conforme eu havia lhe falado. A forma como ele vai ser “preenchido” (por exemplo, por ensinamento e etc) rende assunto para um outro post =D

      ps.: faltou o link do seu blog na assintura do comentário hein.

  2. Ops… ainda aprendendo a usar esse canal de comunicação. Pr isso faltou o link… rsrssrs
    Tem razão… é assunto “pra mais de metro”!!! Li recentemente um texto de Stuart Hall que fala sobre os estudos culturais, globalização, imposição de valores, etc… Ele destaca a importância das resistências surgidas a partir das imposições (ideológicas, inclusive). Me fez pensar a respeito da criação de filhos. Imposições, resistências, reações, surpresas… prosa boa essa!!! rsrssrs… abç!

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