Animal de estimação


"Sou só mais um cãozinho brincando com sua bola" (Edredon)

"Sou só mais um cãozinho brincando com sua bola" (Edredon)

Pensei em escrever esse post após assistir Marley e Eu ou Procura-se Um Amor Que Goste de Cachorros. O segundo eu já até tentei mas não fui até o fim, o primeiro nem isso. Logo, vou me ater apenas às minhas percepções do assunto.

Nunca fui muito fã de animais de estimação. Na infância tive um piolho de cobra (se não conhece, clique aqui pra ver o que é) e um casal de periquitos que nunca deu filhote, fato esclarecido mais tarde quando descobrimos que eram duas fêmeas. Tivemos cães também com seus nomes tradicionais: Xuxa, Malhado, Duque, Dique e Ralf. Todos vira-latas que latiam proporcionalmente ao tanto comiam e faziam cocô. Assim, despertavam a repulsa da minha mãe que incutiu na minha cabeça que animal era algo sujo. Além disso, certa vez o Malhado comeu a perna do meu bonequinho do Flash que havia ficado no quintal em cima de um botijão de gás. Isso foi um golpe terrível pra mim, superado apenas pelo gato que me fez quebrar o pé quando se escondeu atrás de uma tampa de mesa de concreto que estava encostada na parede. Ele havia roubado uma batata frita do meu pratinho num quiosque na praia de Piratininga (litoral do RJ) e, após meu encalço, se refugiou lá ardilosamente – a tampa virou.

Até hoje tenho certa antipatia de gatos, quanto a cães, me tornei indiferente. Achava bacana e tudo, mas eles lá e eu cá. Todavia, há 13 anos conheci a Mila, uma poodle, na casa do meu amigo Vinícius. Ela sempre foi brava na recepção e carinhosa após os 5 primeiros minutos. Como era criada dentro de casa, comecei a ver que animais mais próximos da família tinham uma ligação maior e não eram tão sujos quanto eu imaginava. Hoje a Mila está cega de ambos os olhos, mas continua com o mesmo jeitinho de sempre e é tratava como da família (tipo uma idosa de respeito), não só pelas suas limitações, mas pelo amor sedimentado com o passar do tempo.

"Cade a bolinha! Joga a bolinha! Vai! Vai!" (Noturno)
“Cade a bolinha! Joga a bolinha! Vai! Vai!” (Noturno)

Além da Mila, tive um contato ainda mais próximo com o Noturno, o beagle do meu irmão. Por ser da raça que inspirou o snoopy, a simpatia surge naturalmente. Entretanto, o cachorro tem uma energia danada que chega a encher o saco. É como se bebesse energético em vez de água. O meu irmão acompanha o ritmo do malandro, já eu acho demais. Por outro lado, vi que meu irmão ficou muito próximo do quadrupede e que rolava um companheirismo bem grande entre eles – algo que também observei com a Mila na casa do Vinícius, isso me chamou a atenção.

Ano passado decidi que deveria ter um cãozinho também. Seria uma experiência parecida como a do personagem do Jack Nicholson no filme Melhor Impossível, isto é, um cara que não gosta de animais mas que aprende com o passar do tempo. A diferença foi que ele se viu obrigado a fazer isso e no meu caso seria por vontade própria. Imaginei que isso me ajudaria de alguma forma a me tornar uma pessoa melhor.

Escolhi a raça Teckel (dachshun) por conta de algumas familiaridades em suas características: dóceis e engraçados. Beleza não é o forte deles, mas de tão esquisitinhos, acabam despertando certa simpatia. Escolhi o nome Edredon pois é um nome estranho e engraçado, tal qual meu amigo canino. Nesses dois meses em que estamos juntos, não sei se me tornei uma pessoa melhor, mas seu companheirismo e disposição me surpreenderam a ponto de conseguir compreender melhor o ditado: “o cachorro é o melhor amigo do homem”.

Por fim, me recordo que apareceu um pássaro verde (que eu não sei a espécie) na casa da minha mãe na mesma época em que ela foi diagnosticada com câncer. O grande barato é que, felizmente, o câncer foi controlado e o bicho se tornou seu companheirão. Além disso, virou um tipo de símbolo de esperança pra ela por ter surgido num momento tão delicado. Eles vivem juntos até hoje.

Portanto, me parece que ter um contato mais próximo com um animalzinho nos ajuda a ser mais humano.

É isso, até a próxima.

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Um pensamento sobre “Animal de estimação

  1. Adorei o texto!!!!
    Você escreve divinamente…consegue fazer de um tema tão “comum” um verdadeiro leque de possibilidades.
    Lindo o Edredon.

    Beijo.

    Nane

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