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Arte Rupestre - Pré-História (Cena de caçada primitiva)

Arte Rupestre – Pré-História (Cena de caçada primitiva)

Talvez este seja o maior texto publicado no blog até hoje. Dividi em partes pra tentar organizar as ideias.

Parte I – Panorama

O calendário marca 2012 anos da Era Comum. Se a expectativa de vida nesse período fosse de 50 anos, teriam se passado aproximadamente 40 gerações. E o que mudou de lá pra cá? Muita coisa, por exemplo, aumentou o conhecimento sobre o universo, sobre o planeta, sobre os animais e sobre o próprio ser humano. A tecnologia evoluiu, os meios de produção foram incrementados, o que implicou na possibilidade de produzir muito mais com muito menos.

As organizações sociais também se desenvolveram, assincronamente, em função da particularidade da cultura de cada povo. No entanto, para certas questões, tudo continua tão arcaico. Se o sistema monetário permite resolver, por que ainda há tanta desigualdade econômica? Se os saberes estão dispostos, por que ainda há tanta ignorância? Se é sabido o que fazer e como fazer, por que não se faz?

Uma possibilidade, simplória, é a conveniência da manutenção dos que há, afinal, o poder tende a se aglutinar em vez de se dividir. Condições de promover realidades menos miseráveis existem, mas a ganância e falta de vontade caminham de mãos dadas, sem olhar para os lados. Paralelo a isso, as oportunidades de mudar a própria realidade são descartadas uma a uma, ou pela falta de esperança em si próprio ou pelo excesso de esperança em algo utópico que não vai se concretizar.

Parte II – Ainda predonimantemente ignorantes

De um modo geral, tudo evoluiu com enormemente, exceto nossos valores. Somos tão selvagens quanto sempre fomos. Como é possível que ainda ocorram casos de agressão, física e verbal, nos dias de hoje? E por motivos tão estúpidos como: discordância sexual, religiosa, time de futebol, trânsito, e tantos outros.

Nos últimos séculos, muito conhecimento foi gerado. As últimas décadas foram marcadas pela facilitação do acesso à informação. Contudo, poucos resultados práticos podem ser constatados. Então eis o paradoxo: há tanta informação disponível sobre tudo mas, de um modo geral, é incutido o mínimo de nada.

Dentro disso, a educação se mostra como redentora das trevas da nossa ignorância. Porém, muitos daqueles que tem acesso e oportunidade abrem mão em prol do menor esforço. De outro lado, há os esclarecidos que fecham os olhos para a realidade. Não há um fator de convergência que promova uma ascensão da consciência coletiva.

Há quem defenda que o sucesso do capitalismo se deva ao fato dele representar tão bem a natureza humana e sua tendência à competição: quem ganha mais?;  quem tem mais?; quem (complete com as palavras que puder imaginar aqui) mais e mais e mais e mais.

Parte III – A nave

Estamos numa nave que viaja pelo vácuo, em torno da estrela central do “nosso” sistema planetário, a uma velocidade constante e presa por forças invisíveis. Nela, diversos grupos buscam alcançar a direção. Quanta tolice querer dirigir algo que está num “trilho” e que descreve movimento é elíptico, isto é, vai voltar sempre para onde saiu.

Não seria melhor tentar tornar a viagem mais agradável? Se vou fazer um percurso de 2h de ônibus e estou sentado, não deveria me sensibilizar com quem está em pé? Se de tudo eu não quiser ceder meu lugar para um deles por pelo menos metade do caminho, não seria gentil segurar sua bolsa?

Mas a realidade é muito diferente, pois o que costuma acontecer é a pessoa necessitar de apenas um lugar, haja visto que possui apenas uma bunda, mas ocupar 8 ou 9 lugares, os quais ficarão ociosos, e ainda ficar à espreita para pegar os lugares que forem ficando vagos ao longo do trajeto. Para o restante dos passageiros resta desafiar as leis da física e tentar ocupar o mesmo lugar no espaço.

Parte IV – A triste raiva travestida de pena

Detesto ver a calçada da frente de casa suja pela lixeira ter sido revirada por pessoas que abriram mão da dignidade em razão de seus vícios. Mas minha raiva se traveste de pena por saber que elas são tão fracas psicologicamente a ponto de serem incapazes de saírem sozinhas de um estado tão vexaminoso. Este é o motivo pelo qual não me uno aos olhares indiferentes que os perscrutam enquanto fazem seu “supermercado de restos” e se negam ao mínimo da cordialidade devida a qualquer ser humano.

Engraçado que esta pena, oriunda da raiva, é a mesma que me comove com os religiosos. Pessoas que acreditam que um ser supremo irá de deslocar do infinito para tratar das suas questões tão pífias perante o todo. Voltando à analogia da nave, eu nunca vi o maquinista tentar organizar a disposição das pessoas no vagão do trem. Cabe a cada uma delas atentar para seu destino e, ao longo da viagem, buscar condições melhores como um lugar pra se sentar, a brisa da abertura do teto, evitar o aperto entre os corpos e etc.

Mas não me cabe julgar o que cada um pensa e acredita, no entanto, qualquer verdade absoluta representa um perigo para o convívio social. Nisto reside minha preocupação e minha queixa.

Parte final – Tantos por quês.

Por que nossos valores não evoluem com a mesma velocidade que todo o restante? Por que subsistem preconceitos contra cor, sexo, orientação sexual, estilo de vida e tantas outras coisas? Por que há tanta falta de vontade por todo lado? Por que simplesmente não se cuida da própria vida e faz-se o mínimo pela vida dos que estão em volta? Por que ter mais é tão importante? Enfim, por que não se pensa no porquê das coisas? Somente questionando é possível avaliar o que há pra ser avaliado. E a partir disso, se reposicionar diante das questões e dos fatos.

Pense sobre, vivo e inquieto.

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