Liberdade


Instintivamente, há cachorros que correm alucinadamente atrás de veículos em movimento. Quando o veículo estaciona, eles se restringem a latir pois é o máximo que conseguem fazer naquela situação. Desfrutar da liberdade é uma necessidade básica dos seres humanos. Porém, a liberdade é restrita a nós mesmos. Numa interpretação hinduísta, ignorantemente falando, nosso ser é limitado pelo nosso corpo mortal. Por isso que a maior parte de nós só atinge o brahma quando vai ao bar.

Além disso, somos limitados pela nossa formação/criação e experiência de vida que restringem nossos pensamentos a um microuniverso. Nele temos total liberdade, no entanto, suas fronteiras são vigorosamente vigiadas. Todo e qualquer ideia subversiva ao que for considerado normal será fiscalizada e inquirida exaustivamente, isto se o fiscal do turno agir conforme o protocolo. Do contrário, ela simplesmente terá seu ingresso negado.

Outro fator restritivo da liberdade, enquanto pertencentes a uma economia de livre mercado, é justamente o vil metal. Afinal, de que adianta ser livre e não ter condições de fazer as coisas. Por mais que tenhamos, o ímpeto de liberdade fará com que desejemos o que é inalcançável. Mas é justo que seja assim, afinal é o nos faz avançar e mantem as engrenagens da vida rodando.

Se liberdade fosse um instrumento, pouquíssimas pessoas conseguiriam entoar todas as suas notas, o que eu duvido que seja possível. Isso porque a vida é preenchida em sua maior parte pela rotina. Entre outras coisas, o desfrute da liberdade permite a fuga do lugar comum. Entretanto, vivendo condicionado a algo, bom ou ruim, sua ausência inexoravelmente será sentida. Assim, é natural que talvez surja uma sensação de culpa quando você estiver gozando de sua liberdade, fazendo coisas socialmente aceitas ou não.

A própria aceitação social é outro fator limitador da liberdade. Novamente a polícia mental age em prol do mantenimento da ordem. Se uma coisa não é socialmente aceita, pertence ao caos. Como o conceito de caos e criação não habita amplamente o pensamento ocidental, a emblemática imagem do caos como algo ruim permanece no inconsciente coletivo, subsidiando o mantenimento da mesmice.

O ideal de liberdade já levou inúmeras pessoas a antecipar compulsoriamente sua saída da vida, como por exemplo o Willian Walace. Mesmo assim, continuamos a persegui-lo incansavelmente, latindo e correndo. Contudo, quando o alcançamos, tal qual o cachorro do início, não sabemos bem o que fazer, então latimos.

Pense sobre.

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2 pensamentos sobre “Liberdade

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