angustia adolescente


Do momento em que a conheci até agora, a angustia adolescente tem me acompanhado. Não, não sou emo. Mas percebo que a ansiedade sentida na adolescência não acaba, mas se manifesta de formas diferentes ao longo da vida. Situações novas, de descobrimento, seguidas de decisões a serem tomadas remete aos calafrios da puberdade.

Então fiquei pensando em situações causadoras  dessa sensação. Imediatamente recordei de queixas de amigos relacionadas a morar com os pais após certa idade, carreira, relacionamentos, cobranças sociais e etc. Algumas delas merecem um pouco mais de atenção por conta da frequência com que ocorrem.

Por exemplo, atualmente a maior quantidade de anos dedicados à qualificação aliada à corujisse dos pais em querer manter os rebentos próximos faz com que a seguinte máxima seja validada: os vinte de ontem são os trinta de hoje. A geração que tangencia os trinta anos tem resistido em trocar o conforto do  lar dos pais pela misteriosa aventura de morar sozinho. Sozinho ou em república, mas cuidando de si mesmo. O desafio de administrar a própria vida de maneira adequada, realizando seus anseios mas respeitando seus limites após identificá-los. Os questionamentos que envolvem essa questão, normalmente, costumam ser fatores de angustia.

A carreira é outro ponto delicado, sobretudo quando a pessoa está insatisfeita com o rumo das coisas. A premeditação do sucesso resultante de anos de qualificação confrontada com seu atraso é um possível fator de conflito interno. Basear a realização nas atividades desempenhadas para alcançar determinado objetivo é uma forma de contornar a ansiedade pelo alcance efetivo da meta. Afinal, não dizem que o importante é competir?! A desobrigação do sucesso proporciona um olhar mais sóbrio nas possibilidades e oportunidades.

Um fator peculiar de angustia é a cobrança social, a qual acontece de dentro para fora. Modelos e ideais são internalizados como verdades absolutas. O não enquadramento em nenhum desses modelos pode gerar frustração. As obrigações de ter a carreira resolvida, a a vida pessoal estabelecida, as rotinas familiares arraigadas começam a ficar latentes por volta dos trinta à medida em que a sombra da vida adulta começa ser projetada a partir dos nossos pés. No entanto, acredito que existam opiniões e opiniões. Como a sociedade está em constate mutação, obrigar-se a determinado modelo simplesmente para ser aceito não me parece boa ideia, afinal, valores mudam e com eles, os julgamentos.

Tantos outros motivos poderiam ser citados, mas fazendo um resgate histórico musical, vi que o The Who entendeu essa problemática há algum tempo, denominando-a devastação adolescente. Por isso a canção da abertura do post, Baba O’rilley. Abaixo segue sua letra.

Por fim, não se preocupe caso sinta-se inseguro e confuso diante de alguma situação. Isso é normal. Apenas não deixe se deter e faça aquilo que acreditar ser certo. Cobre-se e preste conta a si mesmo. Ficar em paz consigo mesmo é o ponto de partida para todo o restante.

Aqui fora nos campos
Eu luto pelas minhas refeições
Eu tenho minhas responsabilidades no meu modo de viver
Eu não preciso lutar
Para provar que estou certo
Eu não preciso ser perdoado
Não chore,
Não levante seu olhar
É só a devastação adolescente
Sally, pegue minha mão
Bem, viaje até o sul, cruzando a território
Apague o fogo
E não olhe acima de meu ombro
O êxodo está aqui
Aqueles felizes estão próximos
Vamos ficar juntos
Antes de ficarmos muito velhos
Devastação adolescente
É só a devastação adolescente
Devastação adolescente
Oh, oh
É só a devastação adolescente
Eles estão todos bêbados!
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Um pensamento sobre “angustia adolescente

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