política

Cachorrada é com quem sabe e quem sabe tá aqui. Vote Edredon!

Cachorrada é com quem sabe e quem sabe tá aqui. Vote Edredon!

Sempre me senti um pouco especial por fazer aniversário próximo das eleições. O 1° turno coincidiu com a data do meu nascimento em várias ocasiões. Mas isso mudou quando comecei a entender melhor do que se tratava. Meu breve contato com o universo da política aconteceu durante o ensino médio. Fiquei encantado com discurso de que a política era a força transformadora da sociedade. Os exemplos da Revolução Francesa, Russa e Cubana abrilhantavam ainda mais os ideais insurgentes que começavam a brotar no meu coração juvenil. Meu espírito subversivo era complementado pelo passado recente do Brasil e suas lutas armadas protagonizadas por Lamarca, Prestes e até mesmo a atual presidente.

Vivendo num sistema econômico capitalista e nascendo em classe baixa, o desejo por uma realidade mais “justa” é o mínimo que se espera de alguém normal na faixa dos 15 anos. Alimentado pela mídia, eu passava fome de consumo, supérfluo, mas consumo. Queria a guitarra do James Hetfield, computador, celular, TV por assinatura, viagens pro Beto Carreiro, Disney e todas as coisas que povoam o imaginário adolescente.

Movido pelo meu nobre desejo de justiça social – consumo – comecei a participar das reuniões do Grêmio Estudantil. Não queria apenas ouvir sobre política nas aulas de história, mas sim participar como todos aqueles heróis que tornaram o mundo um lugar melhor para nossa geração. De algum modo, eu sentia que podia/devia continuar seu legado, por mais modesta que fosse a minha participação. Assim, acabei indo participar de uma reunião de partido político, na época esquerda.

Ouvir aquele bando de aspirante a comunas falando uma série de baboseiras sobre como agir para transformar a sociedade me aborreceu rápida e profundamente. O sujeito alto e esguio que liderava a sessão era um careca-cabeludo (o mínimo que se espera de alguém calvo é dignidade, o que excluí penteado emprestado, também conhecido por alçapão) que devia ter passado dos 25 anos há algum tempo e continuava acreditando nos contos de fadas do socialismo. Havia também alguns colegas que pertenciam à direção do Grêmio Estudantil, os quais me convidaram pra reunião. Reparei que empenho político deles não condizia com seu aproveitamento escolar. Reprovação, retenção e ameaça de jubilamento era um risco constante no cotidiano da “guerrilha” urbana. Como nenhuma dessas possibilidades fazia parte dos meus planos, sobretudo por não ver nenhum resultado efetivo, decidi parar por ali.

Tempos depois aconteceu uma passeada de, aproximadamente, dois mil estudantes contra o aumento da passagem de ônibus. Em cima do carro de som que puxava a massa estavam alguns dos partidários presentes naquela reunião tediosa, fazendo discursos que poderiam ter enchido Fidel de orgulho se o idioma fosse espanhol. Notei também a presença de pessoas do partido registrando tudo com filmadoras e máquinas fotográficas. Por me interessar por jornalismo na época, procurei saber para qual veículo eles iriam mandar aquele material. Descobri que era pra ser usado na campanha para vereador de um deles. Foi então que entendi o conceito: massa de manobra.

Estou bastante longe de ser um cientista político, mas a lógica perversa da nossa democracia é óbvia. Impera o capital que faz as alianças convenientes para sua continuidade e ampliação. Não se discute política porque não recebemos educação para isso. Mas também não recebemos educação para isso justamente para não discutirmos. Assim, falamos sobre cultura pop, novela, futebol, tecnologia e blá blá blá…

Por isso, acredito que o melhor é cada um fazer sua parte. Educação e trabalho são maneiras efetivas de conseguir ascensão social e ter uma vida digna. Torço para que um dia eu consiga perceber as coisas diferentes e, se possível, ainda escrever uma reflexão positiva sobre elas. Por enquanto, só me vem à mente a frase de um autor desconhecido: “independente de quem ganhar, pode colocar a bunda na janela porque na sequencia você vai ser f…”.

É isso, pense sobre política.

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miojo social

Midias Sociais - publicado em www.magoweb.com
Midias Sociais – publicado em http://www.magoweb.com

Mídias sociais, de acordo com a definição de Edu Dubner que foi publicada no site midiasocial.com.br, trata do “uso de meio eletrônico para interação entre pessoas. Os sistemas de relacionamentos digitais combinam textos, imagens, sons e vídeo para criar uma interação social de compartilhamento de experiências. O ser humano é antes de tudo um ser social, as ferramentas digitais estão potencializando essa tendência e alterando completamente a comunicação dessa nova economia.”

Como é algo novo, todos nós estamos aprendendo juntos, entretanto, já existe uma quantidade razoável de material sobre o assunto na Internet e o site de onde tirei aaquela definição inicial é um bom ponto de partida pra quem quer se aprofundar um pouco mais. Isso posto, vou me ater a algumas questões subjetivas das mídias sociais.

A tecnologia existe para servir ao homem, logo, seus benefícios tendem a tornar nossas vidas mais fáceis. É ótimo poder interagir mais com outras pessoas, independentemente das barreiras geográficas, haja visto que somos seres sociais (questão abordada várias vezes aqui no blog: aqui, aqui, aqui e aqui). Todavia, não acredito que seja saudável para alguém realizar a maior parte de suas relações sociais via meio digital. Tudo bem ser seguido por 437 pessoas no Twitter; ter 201 amigos no Orkut ou no Facebook; ter inúmeros acessos (page views) no Flickr, no Blogspot, ou ainda no meu estimado WordPress; mas a vida é mais do que isso, é preciso viver a realidade. As mídias sociais devem ser um complemento do mundo real e não o contrário. Já parou pra pensar em quantas pessoas de suas mídias sociais você vê pessoalmente a cada mês?  Quantas cervejas tomam juntos, ou quantas risadas deles você ou delas em vez de ler abreviações de risos – rs ou  =) ou  :) ou :^). A quantos lugares bacanas você foi com algumas delas e quantas histórias engraçadas vocês viveram juntos recentemente? Ou mesmo quantas barras elas tiveram que segurar e você pode ajudar de alguma forma, que não fosse apenas mandar(postar) um emoticon de smile dando a entender que as coisas iriam ficar tudo bem.

Pensar nisso tudo faz com que venha à mente aquele pensamento de que é difícil coincidir horários e rotinas, mas boa parte das coisas legais da vida é fruto de algum sacrifício. Talvez seja assim para que saibamos valorizá-las de fato. Tem uma frase simples que cabe nesse contexto: as pessoas são mais importantes que as coisas. Não deixar de viver bons momentos com as pessoas que lhe são preciosas para ficar “agarrado” no computador. Senão, você pode acabar na mesma situação do sujeito abaixo:

Imagens do clip Do the Evolution - Pearl Jam
Imagens do clip Do the Evolution – Pearl Jam

Para que o post não fique muito grande e cansativo de se ler, vou concluir explicando minha teoria do miojo social. Quando você está com fome, a maneira mais fácil, rápida e barata de resolver a situação é comendo um miojo. Você sabe que o valor nutritivo dele é irrisório e que o sabor é também não costuma sofrer grandes variações, mesmo usando as artimanhas ensinadas noLarica Total, mas ele se torna atraente em função da lei do menor esforço, se tornando imbatível diante da aventura que é encarar a cozinha a fim de preparar algo decente. Em alguns momentos, imagino as mídias sociais de modo semelhante, isto é, quando surge a vontade de interagir com alguém, é mais fácil, rápido e barato lançar mão do meio virtual. É um lance meio superficial, mas “mata a fome de ver gente”.  Não precisa ligar, marcar, sair, se deslocar e toda aquela “chatice” do mundo real. A desvantagem é que a experiência proporcionada, na maior parte da vezes, é um tanto pobre, não trazendo consigo os nutrientes contidos nas as relações humanas que de fato nos “alimenta” como ver, ouvir, tocar, sentir, rir, chorar e etc. Daí, a mídia social se transfigura no miojo social.

Enfim, tudo isso foi só pra dizer que a evolução tecnológica não deve significar um retrocesso social. Ainda vou escrever sobre as relações amorosas oriundas do meio virtual, mas num próximo post, pois acho que neste aqui já existem questões suficientes para se pensar sobre. Além disso, tenho que sair da toca e ir pra rua ver gente para aproveitar o restante das minhas férias do trabalho.

Abraço e até a próxima.

profissionalismo, cada peça em seu lugar

Profissionalismo - (Colourful Clown - publicado em www.e-quip4education.co.uk)
Profissionalismo – (Colourful Clown – publicado em http://www.e-quip4education.co.uk)

Dias corridos, muito trabalho, muito mesmo. Deixei atrasar algumas coisas, tanto coisas do meu trabalho quanto da pós-graduação, agora to correndo pra compensar. Não gosto de “pessoalizar” muito o post, afinal, já costumo fazer isso no twitter, mas resolvi explicar logo de início pra que você entenda caso  texto soe pedante. Hoje a idéia é falar sobre profissionalismo. É um assunto bem subjetivo, afinal, tangencia o bom senso o tempo todo. Mas aí surge um questão importante/polêmica: o que é bom senso? Democraticamente é o que a maioria das pessoas acha natural?! Não sei, mas para será esse o sentido adotado nesse post.

No trabalho, nos tornamos profissionais naquilo que fazemos. Ora, nos qualificamos antes de entrar (com um curso de curta duração ou média; ou um curso técnico; ou uma graduação; ou uma pós-graduação), ora, aprendemos na prática a desempenhar nossas atividades. Seja como for, temos um conjunto de ações para executar. Funções essas que, normalmente, são bem definidas.  Por exemplo:

  • em linhas gerais, o que se espera de um motorista de ônibus? Que ele dirija com segurança, que apanhe os passageiros nos pontos e que os entregue em seus respectivos destinos ao longo da linha de maneira cordial;
  • o que se espera de um guarda de trânsito? Que organize o trânsito (também de maneira cordial), orientando os motoristas e registrando as infrações para que os infratores sejam punidos em seu devido tempo;
  • o que se espera de um caixa de supermercado? Que registre os itens da compra, que cobre o valor final e nos dê o troco corretamente (se o pagamento não for feito com cartão de crédito ou débito), tudo de maneira cordial;
  • o que se espera de um gerente de vendas? Que gerencie seus colaboradores, acompanhando os números das vendas. Fazendo intervenções quando for necessários, seja para elogios, seja para crítica. Ambos de maneira cordial.

Pois bem, cada profissional tem seu papel. O que se espera dele é que execute suas atividades com esmero. Além disso, como somos seres sociais e o contato humano é inevitável, agir cordialmente é fundamental para a manutenção do bom convívio.  Logo, entendo que agir com profissionalismo diz respeito a, no mínimo, executar o  trabalho corretamente, em tempo adequado e de maneira respeitosa para com as outras pessoas.

Aprofundando um pouco mais essa questão, profissionalismo é saber separar a vida de profissional da vida do pessoal, de modo que as ações tomadas no trabalho não interfiram na vida afetiva, tanto na nossa quanto na das demais pessoa com quem nos relacionamos profissionalmente.  Olhando de longe e de costas, esse post lembra aquele antigo sobre liderança, mas dessa vez falo sobre a interação de todos os envolvidos num processo de trabalho e não só do chefe com seus subordinados.  Sendo mais lúdico (correndo o risco de até ser idiota), seria algo do tipo: se meu papel é colocar a peça triangular com três furo no meio no lugar onde tem três pinos, devo fazer isso e não tentar colocá-la no lugar onde tem apenas dois pinos, deixando um buraco vazio e uma outra peça sem lugar para se encaixar. Além disso, devo fazer minha ação no tempo certo, para que não interfira nas atividades dos demais que dela dependam. Por fim, sendo sempre respeitoso em todas as ações. Claro que existem dias que estamos emputecidos, mas ninguém tem culpa dos nossos problemas pessoais, portanto não é correto descontar em quem quer que seja.

Ademais, ser profissional é ser cordial independentemente do cargo que os outros ocupam, não importando se é o diretor ou o auxiliar de serviço geral que está nos pedindo algo. O tratamento deve ser justo. Além disso, devemos trabalhar com a prioridade que cada situação demanda e não  para “fazer média” com as pessoas de cargo mais importante ou com os mais chegados.

Ser profissional, é saber diferenciar o tempo certo de rir e contar piada do tempo de ficar sério e fazer o que se tem pra fazer (eis mais um exercício de bom senso).

Ser profissional, é ser companheiro e apoiar o colega quando ele precisar, puxar a orelha quando for necessário, ouvir a crítica quando ela vier – separando a vida pessoal e não ficando com raivinha, elogiar e valorizar o elogio recebido. É também ser sério, fazendo o que tem que ser feito, ou seja, encaixando cada peça em seu lugar.

Por mais que se goste do trabalho, em via de regra, trabalha-se porque precisa. Dessa forma, paga-se as contas no final do mês.  Quando falta profissionalismo, o trabalho se torna desgastante e o ambiente desconfortável. A implicação disso é a diminuição da libido laboral. Portanto, seguindo a velha linha do faça o teu que eu faço o meu, sejamos profissionais para que o nosso tempo juntos no trabalho seja o mais agradável possível.

É isso.

Até a próxima.

o cobertor curto, administração pública

 

Cobertor curto - publicado em http://education.harpweek.com

Cobertor curto - publicado em http://education.harpweek.com

 

Estudando sobre a administração pública para tentar mestrado, vi uma série de artigos bacanas que ajudaram a entender certas coisas de hoje em dia. Dentre as coisas que li e gostei, tem o livro da Ana Paula Paes de Paula chamado “Por uma nova administração pública“. Nele, ela faz um resgate histórico, baseado em sua pesquisa (acho que de doutorado), sobre a evolução da administração pública federal e compara o modelo societista (movimentalista) com o modelo gerencialista.

Como minhas primeiras experiências de trabalho foram na iniciativa privada, ver o funcionamento da administração pública foi um choque. Vários porquês surgiram e a ausência de respostas dava impressão de estar andando numa montanha russa motivacional. Mas ver o livro da Ana Paula, indicado pela professora Teresa Janes, foi libertador por esclarecer uma série de pontos do passado que tem influência direta no presente. Pelo que é dito no livro, na década de 50, havia articulação política popular. No início da década de 60, a mobilização era tão grande a ponto de estarem perto de fazer várias ações importantes, dentre elas, a reforma agrária. Mas como alegria de pobre dura pouco, veio o golpe militar e a articulação vigente foi dispersa energicamente, permanecendo assim até o início da década de 70.  Então surgiram, timidamente, as associações de pais e mestres, as quais discutiam e deliberam sobre o que seria melhor para suas comunidades. Tais debates ganharam espaço também nas Comunidades Eclesiásticas de Base (CEB’s). Houve amadurecimento desses movimentos ao longo da década, enquanto o regime militar começava a enfraquecer e caminhava para a abertura política.

Na década de 80, o movimento das Diretas Já ganhava força e os arranjos sociais provavam de significativa organização, a ponto de participarem ativamente da constituinte de 88, por meio de representações de vários eixos da sociedade. Depois veio a eleição presidencial e deu aquela confusão toda: Lula toma um bandão nos 45 do segundo tempo da mídia marrom e o Collor entra pra depois ser retirado da presidencia e o Itamar assumir com seu super ministro que salva a lavoura com o plano econômico que finalmente consegue segurar a onda da inflação. Em 95 quando PSBD assume, mediante o sucesso da estabilidade economica que o país começava a gozar, é criado o Ministério de Administração e Reestruturação do Estado (MARE), o qual fica sobre a batuta do ex-ministro Bresser Pereira.

Bresser, inteligentemente, inicia um benchmark da administração pública pelos EUA, Reino Unido e alguns países da oceania, os quais haviam tornado sua gestão mais eficiente por meio de iniciativas observadas nas organizações privadas . Então nos anos seguintes ele propõe um modelo de funcionamento do estado pouco intervencionista (chamado de estado mínimo) que busca restringir sua atuação e melhorá-la. Daí aquela série de medidas de privatização e criação das agências reguladoras. Era a aplicação do modelo gerencialista, também chamado de Novo Gerencialismo.

Com a vitória do PT em 2002, a expectativa era de rompimento total com o Novo Gerencialismo e retomada do modelo Movimentalista, onde as decisões são tomadas coletivamente, como foi desenvolvido na década de 70 e 80. Mas, talvez, devido ao tanto de alianças que o partido teve que fazer para chegar ao poder, não foi possível romper totalmente com o gerencialismo. Então podia-se perceber o funcionamento de uma administração heterogênia – com traços de ambos modelos de gestão. O que ainda hoje é bastante fácil de encontrar na administração pública, seja na esfera municipal, estadual ou federal.

Diante desse cenário, as respostas que deixaram um pouco menos puto foram: não se pode mudar radicalmente a forma de gestão, tendo em vista a cultura organizacional; se as coisas são impostas de cima pra baixo (modelo gerencialista), há o risco da impopularidade para os gestores.  Por outro lado, ficar decidido tudo coletivamente (movimentalismo) pode ser extremamente moroso pois os interesses tendem a divergir de grupo pra grupo. Entretanto, a gestão dessa maneira passa a sensação de democracia, logo, é mais interessante se considerada a intensão de continuidade política da gestão.

Hoje, existe um défict de servidores públicos, paradoxalmente, boa parte do contingente de servidores ativos não é bem administrada. Portanto, o cenário se desenha da seguinte forma: precisa-se de mais gente para o trabalho mas o pouco que tem é mal administrado. Fazendo uma analogia à figura de abertura deste post, é como se a pessoa ficasse com frio por estar usando um cobertor curto mas não se cobrisse direito. Deixasse partes do corpo expostas não por conta do tamanho do cobertor, mas por distração mesmo.

Para uma administração pública eficiente, o grande desafio é  criar um modelo que seja tão democrático quanto eficaz. Se administrar uma casa já razoalmente complexo, considerando suas contas, pessoas, responsabilidades e etc, imagine o trabalho que não é administrar uma autarquia, ou município, ou estado ou país. Mas isso é papo para um próximo post.

Até lá.

ps.: para mais informações sobre o tema,  pesquise sobre Novo Gerencialismo.

bares, noite, conversa fiada, sexta-feira

Bar Getulio - Catete - Rio - RJ

Bar Getulio - Catete - Rio de Janeiro - RJ

Esse é um post extra para me redimir do último ficou um tanto quanto no ar, mas como não dá pra acertar em todas, vamos nessa:

Existem bares e bares. Eu cresci em um. Era um botequinho feio, com duas meses de sinuca e uma porção de gente derrotada que encontrava no álcool o conforto para seus dias miseráveis. Mas existem bares legais, onde há alegria e a vibe é maneira.

Como hoje é sexta-feira, nada melhor para se pensar do que um barzinho depois do trabalho, pra dar uma descontraida. Um bar maneiro, funciona como uma camara de descompressão. Mas para ser um bar maneiro, algumas características devem ser observadas:

  • em primeiro lugar: boa companhia, isso é fundamental. Ir para bar sozinho é meio deprê. Apesar de que, às vezes, ir sozinho pode trazer alguma bela surpresa, mas saiba que isso existe uma mega personalidade, pois ficar olhando as pessoas em volta e estar apenas você e seu copo pode ser meio constrangedor. Então, recomendo que procure companhia quando pensar em ir.
  • em segundo lugar: cerveja gelada. Repare que a ordem é justamente essa: boa companhia e cerveja gelada. É como um arroz com feijão, quando você tem um e não tem o outro, fica um vazio. E o que fazer se a cerveja nao estiver gelada? Ora, procure outro bar.
  • em terceiro lugar: ambiente alto astral, não vale aquele bar que tá todo mundo com semblante caído antes das 23h37. Depois desse horário tudo bem, mas antes não. Repare quando chegar a um bar: mais da metade das pessoas está com o semblante caído e olhar fixo no copo? Se sim, fuja para outro. Bar é igual ponto de ônibus, se você andar um pouco mais, acaba achando o outro.
  • em quarto lugar: petiscos. Petiscos são importantíssimos e não estou falando de torresmo, ovo azul ou moela (o bar Getulio, que ilustra o início do post tem uma moela sensacional, passe lá um dia e peça, se disser que me conhece, não vai mudar nada e eles nem vão saber quem é, mas enfim, vá lá que é legal, ah, peça também o pastel de camarão com catupiry, é muito bom), estou falando de pestiscos para acompanhar os aperitivos. Aquele petisquinho que forra legal e que ajuda a bebida a decantar com mais suavidade dentro de você. O perigo dessa parte é a balança, se você der mole, ganha uns kilinhos a mais fácil fácil só nas isquinhas de filé com fritas ou nos kiebers da vida. Portanto, fique atento, a porção de hoje deve ser a caminhada de amanhã.
  • em quinto lugar: boa música, é legal quando tem música rolando. Ajuda a manter o clima pra cima. É ruim quando a música cai para um tecno-brega da vida. Mas aí, é o caso de você descobrir antes de ir, qual o estilo musical do bar.

Bem, já temos boa companhia, cerveja gelada, ambiente alto astral, petiscos e boa música. O que falta agora? Na verdade, essa é a infra-estrutura para que se tenha uma boa conversa e momentos maneiros. Sabe aquela conversa fiada, aquele bate-papo gostoso, descompromissado. Então, é isso, bar é lugar disso. Todo o restante que falei antes deve funcionar como catalizador de momentos alegres. Assim, você consegue fazer uma higiene mental. Existem outras formas de fazer higiene mental? Claro, mas hoje é sexta, logo, nada melhor do que um barzinho com isso tudo para fechar a semana bem, tendo ela sido boa ou não.

Sobre as conversas botequianas, penso que o bar é como se fosse um território neutro, um tipo de zona desmilitarizada. Lá você pode falar o que quiser sobre qualquer coisa e, de acordo com o livro não escrito da vida, nunca irão lhe contrariar. O máximo que poderão fazer, caso suas opiniões sejam extremistas demais(chatas) ou absurdas, é mudar de assunto.  Várias das conversas de bar acabam se tornando interessantes, funciona meio que como um Discovery Channel, em que você  ouve desde o estouro do Mentus na garrafa de Coca-Cola até os 10 anos de governo de Chaves na Venezuela (sendo que se falar de Chaves, não raramente,  alguem irá dizer algo sobre o seriado mexicano e lembrar do seu Madruga e ir puxando outro assunto por aí vai…). Logo, é um lugar para você recarregar seu estoque de cultura inútil e também ficar a por dentro que as outras pessoas tem pensado sobre diversidades. Essa é a questão, mesa de bar é um lugar para conversas diversas. Daí tu fala bobagem, ri das que ouve e fica feliz. Sabe, pra mim, Voltaire tava tomando uma Skol quando disse: “não concordo com nenhuma palavra do que diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”, tem mais cara de boteco do que essa frase?

Bem, é isso, pense sobre dar uma relaxada num barzinho hoje a noite.

Até a semana que vem.

ps.: este que vos escreve não ganhou um puto pra fazer a divulgação gratuita do bar Getúlio aqui, mas como o bar é maneiríssimo, faço com prazer. Aproveitando, vejam a aquarela que o João Barcelos pintou da frente do bar. Ficou sensacional, o Getulio é o de azul, no centro da pintura.

Velocidade do tempo, corrida dos ratos

Flautista de Hamelin

Nessa época do ano, é comum ouvirmos que o ano passou voando. Essa afirmação seria inquestionável se o ano estivesse levando 240 dias para fazer sua volta completa em torno do sol, entretanto, continuamos levando os mesmo 365 dias e 6 horas de sempre (se algum astronomo estiver lendo isso, saiba que minha fonte foi a wikipedia, logo, se houver algum erro de aproximação das tais 6 horas, me mande os cálculos e as fórmulas usadas que, após averiguação, terei prazer em fazer a errata).

Mas voltando, se o tempo ainda é o mesmo, essa percepção de que as coisas estão passando mais depressa pode ser porque nós mudamos. Me parece que nós mudamos no sentido de vivermos ansiosos, ou melhor, num estado de ansiedade induzida. E essa ansiedade induzida é fruto da sociedade pós-moderna. Como a economia é uma grandes forças motoras da sociedade atual, torna-se necessário fazer a máquina capitalista funcionar para que o consumo aconteça, de modo que alavanque a produção de bens e serviços que, por sua vez, são comprados/contratados pelas pessoas que os geram. Certo, ai vem aquele lance de que alguns bens produzidos não podem ser adquiridos pelas pessoas que os produzem e etc, mas esse não é o foco da discussão. Ok, deixemos os princípios do capitalismo para uma outra hora.

Para criar esse estado de ansiedade induzido, o comércio, por meio dos recursos de marketing, costuma antecipar bastante a espera pela data. Daí, nossa jornada pelo ano acontece por meio de saltos:

  • Férias de janeiro e volta às aulas (para quem tem filhos): o merecido descanso pós virada de ano. Para se desfrutar dele, é preciso negociar no trabalho com quem não tem filhos ou então escalonar as datas com os outros colegas que também são pais.
  • Fevereiro é sinomino de Carnaval (Pacotes de viagem pra quem foge das cidades durante a folia, ou para quem correm em direção à folia; nesse último caso, acontece também o estímulo à compra de abadás ou fantasias, dependendo do gosto do freguês).
  • Em março/abril Semana-santa + páscoa: outros 3 dias de descanso. É uma data cheia de significado, em especial, para os cristãos e judeus. Todavia, o comércio costuma apontar o spotlight para o coelhinho da páscoa e seus, absurdamente caros, ovos de chocolate (coelho que coloca ovo?! No mínimo ele deveria ficar estéril).
  • Depois chegamos a maio, mês da noivas, mês da mães ( é mulher, o comércio pensou em tudo. Seu mês continuará sendo o mesmo, só seu status que irá mudar de noiva pra mãe): época de comprar aquele liquidificador novo com filtro para se fazer sucos ou algum outro elétrodoméstico para presentear a matriarca. Chega a soar engraçado, como se o lance de ser mãe fosse um cargo, então os presentes dados naquela data são para o exercício da função de mãe e ponto final. Tá bem, nos últimos tempos isso tem mudado de figura, com as mães cada vez mais atuantes no mercado de trabalho, fazendo sua jornada dupla(trabalhando fora e cuidando da família), tripla(trabalhando fora, cuidando da família e cuidando de si também) e por aí vai. Repare ano que vem, se você vê mais propagando de artigos para o lar ou mais propagandas para a mulher que também é mãe. Ah sim, para as noivas, o comércio até que faz certa movimentação, mas não chega a se comparar com o assédio dado às mamães, afinal, amor de mãe é incomparável né e outra, mãe só se tem uma (vivas os clichês que traduzem tão bem o que gostaríamos de dizer, assim como aquelas mensagens pré-definidas que se tem no celular: “desculpe, vou me atrasar” ou “estou ocupado, te ligo mais tarde” – momento dispersão ). Voltando às noivas, casamentos acontecem todo o tempo. Sendo assim, não é preciso precisa fazer propaganda pra pessoa se casar, basta deixar que o cupido faça sua parte, para depois faturar em cima dos sonhos e anseios da vida nova do casal (e olha que o cupido não recebe comissão ou participação nos resultados, apesar de ser o frente de loja).
  • Junho, mês dos namorados: época de se comprar algo bacana pra quem se gosta e reafirmar seu amor. De passeios a jantares, vale tudo, menos esquecer o dia 12. Senão, pode acontecer demissão da relação por justa causa.
  • Julho: época de férias novamente, quase tudo que eu escrevi sobre janeiro pode ser aplicado aqui, então vamos adiante.
  • Agosto, mês dos pais: época de crescimento acentuado na venda de gravatas. Mas os pais também costumam ganhar furadeiras, kit de ferramentas, conjunto fechado com 6 cuecas ou 6 meias comprados em loja de departamento. Um presente que eu imagino que muitos pais iriam gostar, inclusive o meu, seria um ganhar um coolers e assim esfriar a cabeça nessa segunda parte do ano.
  • Outubro, mês das crianças: se a mamãe já ganhou sua enceradeira, se o papai já ganhou seu kit churrasco(jogo de facas + avental do corinthians), então é época dos pequeninos também contribuirem para o crescimento do PIB. Mas de que jeito: com carrinhos da hot wheels, casinhas da poly pocket e tantos outros brinquedos, sejam eles vinculados a séries animadas como o max steel, ou não, vinculadas a filmes (já viu os bonequinhos do Avatar?).
  • Em dezembro, temos o natal: mais uma data cheia de significado para os cristãos que tem seu sentidoum pouco completamente alterado para o lance dos presentes. Se não ficar atento, acaba ficando em segundo plano que o sentido da data é o nascimento de Cristo e não a descida do papai noel pela chaminé (sendo que chaminé no Brasil é algo meio incomum né?! ).

Bem, é possível que eu tenha esquecido alguma data nesse passeio pelo calendário, mas o fato é: as preparações para tais acontecimentos acontecem cada vez mais cedo. O motivo disso me parece claro: se você pode vender por dois meses usando como motivo o natal, por que venderia durante apenas um mês? O cliente vai ficar mais feliz, pois se ele gastar R$300,00, pode dividir para 2 meses e chegar ao natal com tudo pago, em vez de queimar o 13° salário todo num mês só. O mesmo raciocínio vale para as outras datas.

Com o aumento expressivo da concorrência no mercado, o aumento do período de venda ajuda a equilibrar as coisas. Com mais tempo, o consumidor consegue ir a mais lojas, seja para pesquisar, seja para torrar o dinheiro em todas elas.

Dependendo do acontecimento, a coisa começa absurdamente antes. Nessa semana recebi uma oferta de um cartão de crédito comemorativo da copa do mundo no Rio de Janeiro. Mas poxa, o negócio vai ser daqui a praticamente 5 anos. Como que eles já querem me enfiar garganta abaixo um cartão para eu conseguir vantagens durante a copa?! Queria entender o que se passa na cabeça do pessoal do marketing, eles são os culpados dessa correria em que vivemos. Tá, não diria culpados, mas são os compositores da melodia que o comércio toca para que os sigamos. Esse conceito é uma analogia ao conto do Flautista de Hamelin, que numa das partes do conto, toca uma canção e os ratos, meio que hipnotizados, o vão seguindo pelo caminho (bem legal esse conto dos irmãos Grim, se você não conhece, leia que vale a pena – mais um devaneio: sinto falta desses contos infantis, quando as histórias para crianças eram, de fato, infantis, sem esse lance de vampiros ou bruxinhos jogando futebol em cima de vassouras, a vida parecia ser mais simples antes).

Ainda falando de seguir algo sem questionar o motivo, ouvi certa vez uma estória sobre a corrida dos ratos: em que durante uma obra nos esgotos de uma cidade, foi feito um buraco bem grande. Nisso, quando as máquinas se movimentavam pelos esgotos, os ratos ficavam assustados e saiam correndo pelos túneis e em direção ao buraco, em vez de pegar canaletas laterais para escapar. Como era uma “manada” de ratos(qual é o coletivo de ratos?), eles acabavam caindo no buraco e não conseguiam escapar. Daí a construtora responsável pela obra fazia o controle da zoonose(também conhecido por geno-rato-cídio). A conclusão da estória era: quantas vezes nós também não estamos sendo levados pela maré, no meio da corrida dos ratos? Será mesmo que queremos seguir na mesma direção dos outros? Temos um bom motivo para isso? Refletir sobre essas coisas ajuda a ter um pouco mais de controle sobre nossa vida.

Tem uma música do Placebo sobre esse tema da corrida dos ratos que diz assim:

Slave to the wage

“Fuja de todo o seu tédio
Fuja de todo a sua prostituição
E dê adeus a suas preocupações e precauções

Só é necessário uma decisão
Muita coragem, um pouco de visão
Para dar adeus a suas preocupações e precauções

Refrão:
É um labirinto para os ratos experimentarem
É um labirinto para os ratos experimentarem
É uma corrida
Uma corrida para ratos
Uma corrida para os ratos morrerem
É uma corrida
Uma corrida para ratos
Uma corrida para os ratos morrerem”

Bem, era isso, comemore quando tiver que comemarar, não vá na onda do comércio. E principalmente, fuja da corrida dos ratos, em todos os aspectos da sua vida.

E um feliz natal.

ps.: eu contei a corrida dos ratos como a ouvi, mas me parece que esse post aqui tem mais detalhes sobre o assunto. Dê uma olhada lá.

Sociedade e consumo (Into the Wild)

Na natureza selvagem - (publicado em framemail.blogspot.com)

Na natureza selvagem - (publicado em framemail.blogspot.com)

Por definição “uma sociedade é um grupo de indivíduos que formam um sistema semi-aberto, no qual a maior parte das interações é feita com outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo. Uma sociedade é uma rede de relacionamentos entre pessoas. Uma sociedade é uma comunidade interdependente. O significado geral de sociedade refere-se simplesmente a um grupo de pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada.”

Pelo pouco que me lembro das aulas de Sociologia na faculdade, uma concepção de sociedade é que: ao mesmo tempo em que ela é constituída por cada um de nós, ela é maior do que nós. Acho que foi Durkheim que falou isso, mas aceito correções se eu estiver errado.

Sendo assim, a chamada “Sociedade do Consumo” nada mais é do que a manifestação das ações coletivas de todos nós, ou seja, se todo mundo compra à beça, justifica sermos chamados daquele jeito. O mesmo pensamento vale para a denominação “Sociedade da Informação”, o qual pretendo falar sobre numa outra ocasião. Pois bem, o consumo move a economia, a economia move a sociedade e o carrossel continua a girar. A idéia desse post é discutir o sentido do consumo. Até que ponto vale a pena basear nossa vida em consumir. Eu sei, você vai pensar: eu preciso morar, preciso comer, preciso me vestir e etc. Mas a questão é, consumir é uma ação decorrente da sua vida ou sua vida é em decorrência do consumo?

Vi na TV certa vez que atualmente é bastante fácil encontrar nas residências determinadas coisas que há 200 anos seriam consideradas artigos de luxo, dignas de um rei. Sabonete, barbeador, ventilador, geladeira, chuveiro elétrico, só pra citar. Por isso, você pode já começar a chamar sua case de seu reino e sua esposa de rainha, ou melhor, rainha do lar – isso era pra ser uma piada, eu não sou machista, não o tempo todo.

Conheço pessoas que ficam antenadas nas ultimas novidades, seja de moda, tecnologia, culinária e tantas outras áreas. Mas consumir demanda grana, grana demanda trabalho, em alguns casos, muito trabalho. Então, se não houver equilíbrio, pode-se virar escravo do consumo. É aquela velha história: ele trabalha tanto, só não tem tempo pra gastar. Claro, não quero que você tenha tempo de sobra para gastar e não tenha o que gastar. Tem uma canção do Frejat que ele diz: “desejo que você tenha muito dinheiro, mas é preciso viver também”. Segundo o  blog do Muneo, ela é baseada num poema. Mas o fato é: equilíbrio, esse é o lance, apesar de ser meio difícil de encontrá-lo.

Pra fechar a leitura não ser cansativa, conforme prometi num blog anterior, volto a falar do filme Na natureza selvagem que fala Christopher McCandless/Alexander Supertramp, um jovem que início da década de 90, após terminar a faculdade, pirou o cabeção e saiu rodando os Estados Unidos, no estilo mochileiro. Carregado com ideologias até o talo (no filme mostra ele lendo o tempo todo, botei o link no nome dele no início do paragráfo que dá pra ver o que ele lia). Ele viveu essa vida por dois anos, avesso à sociedade que ele considerava consumista demais. Ano passado o Sean Penn fez um filme sobre a história do rapaz e o meu prezado Eddie Vedder compôs a trilha sonora do filme. Como essa música(Society) ficou me martelando por um bom tempo, resolvi falar sobre esse tema aqui no blog. Abaixo está a versão traduzida da letra. Em inglês, tem umas rimas maneiras, em especial a  combinação ganância/concordar (greed/agreed).

Em resumo, acredito que o sentido de viver seja bem mais amplo do que consumir, posts anteriores já demonstram um pouco disso. Acredito também que não se deve vender a alma por auto-estima, o valor das pessoas é intrínseco. Ele não está nas coisas que possuímos. É preciso treinar os olhos para observar isso, tanto em nós, quanto nos outros.

É isso, leia a letra, assista ao filme, ouça a música e vá viver.

Sociedade (Eddie Vedder)

“É um mistério para mim
Nós temos uma cobiça com a qual nós concordamos
E você pensa que você tem que querer mais do que você precisa
Você não estará livre até que tenha tudo
Sociedade, você é uma raça louca
Espero que não esteja sozinha sem mim
Quando você quer mais do que você tem
Você pensa que precisa
E quando você pensa no mais que você quer
Seus pensamentos começam a sangrar
Eu penso que preciso encontrar um lugar maior
Porque quando você tem mais do que você pensa
Você precisa de mais espaço
Sociedade, você é louca
Espero que não se sinta sozinha sem mim
Sociedade, louca de verdade
Espero que não se sinta sozinha sem mim
Há aqueles que pensam, mais ou menos, que menos é mais
Mas se menos é mais, como você continua marcando?
Significa que a cada ponto que você faz, sua pontuação cai
Como se você começasse do topo
Você não pode fazer isso…
Sociedade, sua raça louca
Espero que não se sinta sozinha sem mim
Sociedade tenha compaixão de mim
Espero que se aborreça se eu discordar
Sociedade, louca de verdade
Espero que você não se sinta sozinha sem mim”