Coragem (Sim senhor)

Sim senhor
Sim senhor

O último post do ano passado se chamava Medo (clique aqui para ver) e é um dos mais acessados até hoje. Quando o escrevi, estava vivendo uma fase bastante complicada. Agora quase um ano depois, vejo que vários dos meus medos se tornaram reais e temê-los não adiantou de nada. Pelo contrário, quando mais medo senti de certas situações, mais complicadas elas se tornaram.

Em alguns momentos de ano me faltou coragem, mas houve quem fizesse o que devia ser feito. Em outros momentos me sobrou coragem, mas houve algo pra impedir que fosse feito o que não deveria ser. Enfim, a vida se encarregou de seguir seu próprio rumo. Meu trabalho maior foi manter a direção alinhada, ajeitando aqui e ali. A ferramenta que me ajudou a fazer esse balanceamento foi a palavra Sim. Claro que o Não ainda é bem presente em minha vida, mas da mesma maneira que o personagem do Jim Carrey no filme Sim Senhor aprendeu a dosar o uso de ambas, eu também estou aprendendo. Nem tanto, nem tão pouco, apenas o equilíbrio que um libriano persegue. Vivo agora mais consciente dos meus atos e de suas consequências. A própria vida passa a ser mais viva quando abraçamos o Sim. No twiiter, Paulo Coelho disse uma coisa bem legal que tem a ver com isso: “quando disser sim, diga com o coração aberto. Quando disser não, diga sem medo.

Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix morreram aos 27 anos. Eu, apesar de não ser roqueiro, também morri algumas vezes neste ano com esta mesma idade. Mas hoje, com 28 ano, vejo 2010 ficando para trás na estrada e 2011 já “pontando” na curva. Dessa vez, diferentemente dos últimos anos, vejo a chegada de um novo de fato. Novos sonhos, novos projetos, novo trabalho, nova cidade e pessoas novas, enfim, uma vida novinha em folha. É bem verdade que essa folha está meio amassada e marcada pelos esboços que começaram a ser rascunhados outrora, mas isso é o de menos, afinal, como diria Nando Reis, o que passou, passou e o que marcou, ficou. Se diferente eu fosse será que eu teria sido amado? Acho que não,  pelo menos não por mim mesmo.

Vendo 2010 no retrovisor, vejo muitos erros e poucos, mas importantes, acertos. Isso faz com quem eu olhe para 2011 com outros olhos, pois sei que o aprendizado gerado por todo caos que se instaurou em minha vida reverberou em várias outras pessoas ao longo do ano e isso fez com que houvesse um crescimento coletivo, cada um à sua maneira. De mesmo modo, o caos de outras vidas também implicou em mim, ainda que ele tenha se manifestado em diferentes ordens de grandeza. Tal fato fez com que minha consciência coletiva se ampliasse e passei a ver sentido em clichês do tipo: somos todos um.

Portanto, hoje me vejo um cara de sorte por poder contar nas duas mãos as pessoas que amo. Mesmo que nem todas elas me amem de volta com a mesma vontade e intensidade que sinto. Imagino que aconteça o mesmo no sentido inverso, pois não sei se amo de mesmo modo a todos que me amam. Mas isso não tem a menor importância, pois amor não é pra ser medido, é pra ser sentido, vivido e compartilhado. Isso eu aprendi bem em 2010.

Enfim, é bom olhar pra trás e ótimo olhar pra frente, mas lembrando que o melhor lugar do mundo para se estar é aqui e agora. Não fique só sonhando e/ou reclamando. Viva! Faça! Realize!

Que tenhamos ainda mais coragem em 2011.

Feliz ano novo! Vejo vocês em 2011.

ps.: recomendo o filme que falei no post. Se você não gostar da mensagem, ao menos irá se divertir com o Jim Carrey que é mega engraçado. Além disso, recomendo a trilha sonora do filme que tem músicas do banda Eels e da gatíssima Zooey Deschanel e a banda Von Iva.

ps2: música/vídeo da sountrack do filme: The sound of fear


e-namorados

e-namorados - publicado originalmente em 1pic.wordpress.com
e-namorados – publicado originalmente em 1pic.wordpress.com

Eu fiquei pensando um bom tempo sobre um tema diferente para o post de hoje, tanto que atrasei de quarta pra sábado, mas meus rascunhos insistem em não ser finalizados. Sendo assim, vou falar sobre o que prometi no último post, relações amorosas pela Internet: eletronic namorados, ou apenas, e-namorados.

Penso que uma relação acontece em função de uma série de fatores, por exemplo: gostos em comum; atração física; idéias convergentes; a pessoa pretendida corresponder às expectativas que você depositar nela, e etc. Quando todas variáveis são equalizadas, tem-se um relacionamento sadio. A manutenção dessa relação exige um esforço considerável, como comentei no post engenharia a dois. Todavia, a fase de prospecção por um amor pode ser complicada pois quanto mais expectativas são criadas, maior o risco de se decepcionar. Uma forma de mitigar o risco de insucesso é tentar triar ao máximo a pessoa pretendida, é neste ponto que entra a Internet.

Pela rede mundial de computadores é possível tentar conseguir alguém exatamente igual ao que você deseja, ou seja, uma pessoa ideal que não existe. Quando digo que não existe, além do meu ceticismo, considero os defeitos que ela certamente vai ter (afinal é humana) mas que não foram previstos. Talvez a palavra defeito seja forte demais, vou chamar de características. Ela pode ter uma série de características que você adora e outras que você não consegue suportar. O desequilíbrio das qualidades boas e ruins em sua balança é que vai determinar se a relação estará fadada ao sucesso ou ao fracasso.

Um outro problema de relações pela Internet é a tendência natural do ser humano de projetar ideais ou modelos de pessoas. Ouvi certa vez que é melhor saber a verdade porque a realidade tem limite mas a imaginação não. A figura de abertura do post tem esse significado, por detrás de um computador, cada um pode ser quem quiser. O que me lembra outra frase: ninguém é tão feio quanto no RG, nem tão bonito quanto no orkut/facebook, nem tão legal quanto no twitter. É no convívio que se vai conhecendo de fato a pessoa. Por mais que os meios de comunicação tenham avançado, entendo que o contato é indispensável numa relação.  Por isso, tenho uma séria dificuldade em conceber que uma relação iniciada pela Internet e/ou desenvolvida à distância possa dar certo. Mas quem sou eu também pra dizer se vai ou não funcionar, sei de alguns casos de sucesso e outros de fracasso.

Por fim, me parece que o grande complicador de uma relação à distância é o diálogo. Fala-se muito, mas muito mesmo, pois é a forma de segurar a onda da saudade. Quando se está perto, grande parte das conversas já terão acontecido mas não da forma plena que uma conversa in loco proporciona. Daí, a relação amadurece mais rapidamente na cabeça do que nos corpos. Esse descompasso entre corpo e mente também pode ser letal pro amor.

Bem, era  isso, pense sobre o e-namoro e até a próxima.

ps.: Pra você saber o que vem por aí, os títulos dos textos inacabados são: pessoas invisíveis (talvez o próximo por estar bem adiantado); amor e o  Mágico de Oz; reuniões e mundo corporativo; rei do nada; é bonito ser feio?; coleção de erros; e fidelidade.

Extra:

Eu acredito mesmo é que pra uma relação funcinar, tem que ser na linha do que diz a música Um a Um dos Tribalistas.


mamãe disse

Cantinho - publicado em biscoitoebolo.blogspot.com

Cantinho - publicado em biscoitoebolo.blogspot.com

Apesar de o título remeter à figura materna, me parece que esse tema se aplica também ao pai e/ou às pessoas que participam da formação do indivíduo durante as etapas iniciais de sua vida. Como mencionei no post anterior(clique aqui para ver), não existe um manual ideal para criação de filhos. Existem vários livros sobre o assunto, a própria bíblia no livro de Provérbios dá algumas dicas. Além disso, há também programas de televisão sobre o assunto como o da Super Nanny e outros na Fox Life ou Discovery Home and Health. Por fim, há a própria experiência dos pais com os seus pais. Disso tudo, valem os casos de sucesso para serem aplicados e os casos de fracasso para serem analisados (consciente ou inconscientemente, acredito que as pessoas tendam a fazer isso em diversas áreas da vida).

Todavia, cada individuo é único em si. Uma experiência que foi bem sucedida com o pai ou a mãe, pode não ser com o filho, simplesmente pelo fato de ele ser outra pessoa. Evidentemente que ele carrega traços de personalidade herdados dos pais, mas a sua maneira de encarar o mundo será moldada de acordo com suas vivências. Há uma frase famosa do filósofo  Heráclito (a qual só fui entender há uns 5 dias, rs) que diz mais ou menos o seguinte: “um homem não se banha duas vezes no mesmo rio”, isto é, tanto o fluxo do rio fará com que as águas corram e ele não seja mais o mesmo rio, como a própria mudança inerente à natureza humana fará com o que o homem não seja exatamente igual ao que foi um segundo atrás. Nessa mesma linha de raciocínio, tem outra frase famosa atribuída a ele que diz: “nada é permanente a não ser a mudança”.

Isto posto, acredito que o indivíduo nasça com áreas a serem preenchidas: a área do amor, a da liberdade, a do limite, a do carinho, a do respeito, e etc. O preenchimento da base dessas áreas ocorre durante sua formação nos estágios iniciais da vida. A dosagem dessas áreas combinado com as características inatas da pessoa faz com que ela seja quem é e do jeito que é. Claro que a poderá mudar ao longo da vida, por sí próprio ou intencionalmente fazendo uso de alguma ajuda como foi dito no post sobre terapia (clique aqui para ver). Porém, quando há desequilíbrio nas áreas que constituem o indivíduo, os problemas podem ser refletidos na vida adulta.

Por não haver um guia ideal para criação dos filhos, conseguir preencher todas as áreas harmonicamente é quase que acertar na loteria. Entendo que o equilibrio no preenchimento deva ser buscado, mas não a qualquer custo, para que a criação não se torne traumática. Sendo assim, entendo que deja ser um grande desafio para os pais aceitarem que o resultado final da criação não seja o filho “idealizado”. Como acertar na loteria não é muito fácil, me parece justo que os pais aceitem a busca do filho pela formação psicologica e emocional de acordo com o que ele entende ser melhor pra si mesmo, aconselhando mas não podando sua auto-construção.

Recentemente ouvi a seguinte frase: “onde há muita crítica, há pouco espaço para o amor”. Basicamente é isso, amar e deixar ser.

Por fim, há uma canção do Metallica chamada Mama Said. Foi com base nela que eu resolvi escrever esse post. Abaixo está o vídeo da performance ao vivo e alguns trechos de sua letra. A qualidade da imagem está duvidosa, mas o som e a emoção com quem o James a canta fazem valer a pena. Nela pode ser percebida a angústia de uma criação restritiva.

É isso, pense sobre.

Mama said – Metallica – Album Load (1994)

“Mamãe, ela me educou bem
Me disse quando eu era jovem
Filho, sua vida é um livro aberto
Não o feche até que esteja terminado
A chama mais brilhante queima mais rápido
É o que eu ouvi ela dizer
O coração de um filho pertence à mãe
Mas eu devo encontrar meu caminho

Deixe meu coração ir
Deixe seu filho crescer
Mamãe deixe meu coração ir
Ou deixe este coração ainda ser
Sim, deixe

Rebelde, meu novo sobrenome
Sangue selvagem em minhas veias
Laços maternos em volta de meu pescoço
A marca que ainda permanece
Deixei minha casa ainda jovem
E tudo o que eu ouvi estava errado
Eu nunca pedi perdão
Pelo que disse ou fiz

Nunca pedi a você
Nunca lhe dei
Mas você me deu seu vazio e vou levá-lo até minha sepultura

Mamãe agora eu estou indo para casa
Eu não sou tudo o que você quis de mim
Mas o amor de uma mãe por seu filho
Não fale, me ajude a ser eu mesmo
Eu levei seu amor para ser aceito
E todas as coisas que você me disse
Eu preciso de seus braços para me acolher
Mas uma pedra fria é tudo o que vejo

Deixe meu coração ir
Mamãe deixe seu filho crescer
Você nunca deixa meu coração ir
Então deixe este coração em paz”

ser irmão caçula

Weto e Nino

Irmãos

Dizem que o primeiro filho é sempre o mais desejado e o mais querido, talvez haja algum fundo de verdade nisso, mas ser filho caçula tem lá suas vantagens. Pra começar, não existe um manual prático de criação de filhos, então os pais aprendem este sublime ofício praticando com o o filho mais velho.  Sendo assim, é a partir do primogênito que os pais aprendem a amar, a cuidar, a educar e etc. Portanto, é razoável que ele seja o mais querido, para compensar seu papel de “test-drive” dos pais.

A vida de filho mais velho não é fácil, pelo fato de não ter modelos para seguir, ele precisa aprender a se virar. Além disso, ele não tem com quem brincar em período integral – isso até que o(s) irmão(s) mais novo(s) chegue(m). Na fase escolar, não tem alguém para ensinar o dever de casa, caso se envolva em alguma confusão, sem ter quem o defenda, levará porrada sozinho (claro que os pais podem ajudar nisso tudo, mas o fator cumplicidade entre irmãos inexiste até então). Quando está na fase de namorar, não tem quem o ensine o caminho das pedras. Quando começa a trabalhar, vai descobrindo sozinho os desafios do mundo do trabalho. Claro que ao longo da vida, ele vai fazendo amigos que compartilham momentos semelhantes e que podem trocar experiências, mas não se compara a ter um irmão mais velho.

Quando se é o irmão mais novo, além dos pais, há o irmão mais velho para amenizar o impacto que a vida nos causa.  Em função da orientação dos pais e/ou pelo próprio instinto, o irmão mais velho tende a assumir o papel de protetor. Talvez em função disso, o irmão caçula tenha amadurecimento tardio. Nesse contexto, o comportamento protetor da família torna-se ruim.

Na imagem de abertura do post, repare o irmão caçula completamente alheio ao momento da fotografia. De certo modo, a vida do irmão caçula consiste em correr atrás das borboletas enquanto a do irmão mais velho é ficar atento aos perigos da floresta para proteger ambos. O choque ocorre quando o irmão caçula segue o curso de sua vida sozinho. O mundo leve fica para trás e os cenários passam a ser vistos também pelos bastidores. Diante disso, sua postura irá definir a intensidade do choque com o mundo real. Buscar proteção na barra da saia da mãe ou com os irmãos criará uma pseudo sensação de segurança. Encarar a vida como ela é, viver e descobrir a dor e a beleza de ser quem é são fundamentais para um processo de aprendizagem sadio que leve à uma auto-construção sólida.

O nascimento é a exceção à regra da matemática que diz que  a ordem dos fatores não altera o produto. A pessoa, enquanto produto do meio em que vive, aparentemente é, de fato, alterada pela sua ordem de nascimento.

É isso, pense sobre.

bolinho de chuva

Bolinho de chuva - publicado em panelinha.ig.com.br
Bolinho de chuva – publicado em panelinha.ig.com.br

Sabe quando uma mulher mexe com sua vida a ponto de você não conseguir esquecê-la? Eu sei que isso parece clichê, mas ela realmente me transformou. As coisas entre nós aconteceram meio que por acaso. Não foi amor à primeira vista, tanto que no momento que ela soube de mim, esforçou-se em vão para me evitar.

Ela trabalhava como caixa no supermercado Pão de Açúcar da Av. Santo Amaro em  São Paulo quando me conheceu de perto e inevitavelmente se apaixonou. Tá bem, eu sei que estou longe de ser um galã, mas apesar de seu jeito sério, ela sabia como me arrancar vários sorrisos. Essa brincadeira acabou lhe dando a idéia de me apelidar de Nino. É bem verdade que tal apelido não tem muito sentido com o fato de eu ter me tornado mais risonho depois de tê-la conhecido, mas creio que ela o colocou em mim para ser uma coisa só nossa. Entretanto, ela me chamava daquela maneira carinhosa na frente das outras pessoas, gradualmente quem era próximo a nós dois, por achar “bonitinho” aquele tratamento, passou a usá-lo também.

O tempo foi passando e nossa relação foi amadurecendo. De vez em quando eu fazia algumas coisas que ela não gostava, mas reconheço que era pura infantilidade de minha parte.  Apesar disso, ela sempre me perdoava, talvez pelo fato de eu sempre ter sido bastante companheiro.

No começo, eu gostava de tomar banho junto e de dormir com ela. Com o passar do tempo, isso foi se perdendo. Mas vieram outras coisas bacanas para substituir, passávamos muito tempo conversando e vendo tv. Em geral, sempre nos divertimos bastante. Uma das coisas mais legais era seu respeito pelo meu espaço pois mesmo vivendo juntos, eu gostava de ter tempo pra mim e ficar sozinho para poder organizar minhas idéias (pensa sobre as coisas, sabe?!).

Ela me ajudou a crescer como pessoa de várias formas: me perturbando pra eu ler mais; me ensinando tarefas domésticas básicas como limpar, lavar, passar e cozinhar. Por ser um pouco mais velha, sempre se preocupou em como eu ficaria quando ela não fizesse mais parte da minha vida. Pode parecer desprendimento isso, mas eu acho que era uma demonstração de amor muito sincero de sua parte, afinal, ela queria apenas que eu soubesse me virar. Por falar em amor, a forma dela de manifestá-lo às vezes era bem peculiar, mas eu entendo, afinal, antes de mim ela teve algumas relações conturbadas. Além disso, a relação com seus pais havia sido complicada, a ponto de fazê-la sair de casa relativamente cedo. Tudo isso fez com que ela trouxesse uma carga meio pesada pra relação, o que felizmente não nos prejudicou.

Outra coisa que ela me ensinou, a qual eu considero mais importante de todas, foi confiar em mim mesmo. É incrível como a autoconfiança pode ser estimulada. Ela fazia isso comigo sempre, dizendo que eu poderia fazer qualquer coisa que quisesse, desde que eu não poupasse esforços. Além disso, sempre me estimulou a continuar estudando e, por diversas vezes, conversava comigo acerca de valores, sobre como era importante sempre agir corretamente, afinal, um dia iremos prestar conta de tudo que fizemos em vida né (tem relação com esse post aqui?). Diante disso, vejo que ela se preocupava com minha alma também.

Passamos alguma situações bem difíceis juntos, mas ela nunca se deixou abalar ou não deixava isso transparecer isso pra mim. Sua força interna é enorme e, indiretamente, acabou me ensinando que  o mundo é um lugar onde os fracos não tem vez. Eu sei que é estranho dizer que ela era a pessoa mais forte da relação, todavia é a mais pura verdade.

Bem, houve uma época em que eu sentia ciúmes dela com um outro *cara que ela conheceu 5 anos antes de mim. Eu achava que ela lhe dava mais atenção. Com o tempo entendi que ela tinha amor suficiente pra nós dois e o manifestava de formas diferentes pra cada um de nós.

Nos separamos há quase 4 anos atrás, mas nos mantivemos muito próximos. Ainda costumanos conversar sobre várias questões difíceis da minha vida pois sei que seu amor por mim é incondicional e ela só quer me ver feliz. Mas ela tem pouco de dificuldade pra entender minhas ações com relações a alguns comportamentos dela (como este aqui), entretanto, tudo que faço é porque a amo e também quero que ela seja muito feliz.

Essa mulher é a minha mãe e esse é um trechinho da nossa história. Minha idéia hoje foi fazer um breve apanhado sobre pedaços da nossa vida juntos. Não sei se ela já parou pra pensar nisso dessa forma, mas pra mim foi uma brincadeira bem legal. E você, já parou pra pensar nisso? Aproveite e diga à sua, se tiver oportunidade, o que achou de tudo. Se você for mãe, faça o inverso. Enfim, pense sobre.

“O amor de mãe é o combustível que permite a um ser humano fazer o impossível”, Marion C. Garretty.

Alguns esclarecimentos sobre o post:

  1. até eu completar uns 4 anos, de vez em quando ela me chamava pra tomar banho junto, mas fazia eu prometer que iria me comportar. Lembro que eu fazia bagunça sempre, então ela acabou parando de me chamar =P
  2. não dormiamos juntos, mas como na infância eu era acostumado a acordar cedo, me impirulitava pra cama dela e achava um espacinho entre ela e meu pai. Ai cutucava a barriga do meu pai, ficava abrindo o olho dela pra ver se ela estava dormindo mesmo, enfim, mais bagunça. Como o passar dos anos, eu fui parando com isso =P
  3. o cara citado no penúltimo parágrafo é meu irmão mais velho.
  4. A imagem do bolinho de chuva é uma das minhas memórias de infância pois sempre foi uma das armas secretas da minha mãe pra me alegrar. No ranking das minhas coisas gostosas favoritas, ele ocupa o segundo lugar. O primeiro continua sendo o pudim de leite condensado. Mas o pudim era uma unanimidade lá em casa, o bolinho não, era feito só pra mim mesmo, por isso essa ligação: minha mãe + eu + bolinho de chuva.
  5. No primeiro parágrafo eu disse que não foi amor à primeira vista, pois quando ela soube que estava grávida, inicialmente pensou em não levar a gravidez adiante. Mas quando nasci, não teve jeito, foi amor incondicional pelo resto vida.

mulher (dia internacional da mulher)

mulher de verdade cumpadi

mulher de verdade cumpadi

Oito de março, Dia Internacional da Mulher. Eu deveria ter escrito isso antes, para que hoje pela manhã já pudesse ser lido, mas a idéia só surgiu agora a noite.  Eu estava inquieto para escrever alguma coisa mais sensível, que devolvesse o blog à suas raízes. Algo que não fosse frio como os dois últimos posts, que surgiram em meio a uma crise criativa. Como nada que eu escrevia parecia ser bom o suficiente pra entrar aqui, resolvi ao menos tentar escrever coisas informativas. Foi por isso o post sobre pressão e o outro sobre administração pública. Isso posto, bora pro post.

O homem não tem um dia só pra ele em que seja parabenizado e receba mimos. Também não costuma ser sensível, pelo contrário, movido pelo instinto, ou pela falta de noção, ele simplesmente age. Sua ações, apesar da sua suposta razão latente, nem sempre estão na *região do ótimo. Daí ocorrem alguns erros de percurso. Além disso, sua força parece se perder em algumas situações adversas como quando o vento para de soprar, o motor do barco está sem combustível e a correnteza parece não ajudar. Num cenário desses, é preciso algo muito forte para fazê-lo ter esperança e acreditar em si mesmo e parir uma boa idéia ou simplesmente remar até um lugar seguro onde possa vislumbrar, com calma, a melhor rota a seguir. Esse algo muito forte tem atributos que o tornam assim, alguns que me vem a mente agora são: graça, alegria, ternura, compreensão e paciência. Tudo isso em mega doses que são distribuídas com destreza cirúrgica diante de cada momento. Sim, esse algo muito forte é a mulher.

Paradoxalmente, esse algo muito forte também é frágil. Precisa do homem, do seu carinho, do seu cuidado, da sua compreensão. Isso recarrega sua essência aflorando suas características. Nisso, tem-se se um cenário diretamente proporcional de causa e efeito. Uma mulher bem cuidada, é uma mulher que cuida;  a que é compreendida, é a que compreende;  a que recebe bastante carinho, é carinhosa bem como a que alegra é aquela que é alegrada. Uma mulher bem amada, é uma mulher de ama intensamente.

Ouvi certa vez que a mulher tem uma antena que capta minunciosamente o que acontece ao seu redor. Fiquei imaginando se elas não vem de fábrica com um ultrassom igual aos dos morcegos, que mesmo estando distantes, sabem o que vem pela frente e como desviar, se for necessário. Alguns chamam esse talento de sexto sentido. A prova científica disso é quando uma mãe diz: leve um agasalho que vai esfriar ou leve um guarda chuva que vai chover. Não tem erro, simplesmente acontece. Existem tantas outras situações em que elas percebem de antemão a situação e aconselham sobre o que fazer. Daí cabe ao homem, agir ou não de acordo com o que foi percebido. Esse talento feminino vai se aprimorando ao longo dos anos, mas acredito que assim como suas outras características, também evolua de acordo com o reconhecimento e valorização.

Por fim, voltando às raízes do blog, lembrei de uma canção bem maneira do John Mayer que aborda a mulher de uma maneira bem sensível também.

Daughters

Filhas

I know a girl Eu conheço uma menina
She puts the color inside of my world Que põe cor dentro do meu mundo
But she’s just like a maze Mas é como um labirinto
Where all of the walls all continually change Onde todas as paredes mudam continuamente
And I’ve done all I can Eu fiz tudo que eu posso
To stand on the steps with my heart in my hands Para seguir as etapas com meu coração em minhas mãos
Now I’m starting to see Agora eu estou começando ver
Maybe it’s got nothing to do with me Talvez não tenha nada a ver comigo
Fathers be good to your daughters, Pais, sejam bons com suas filhas,
Daughters will love like you do, As filhas os amarão como vocês as amam,
Girls become lovers who turn into mothers Meninas se tornam amantes e depois mães
So mothers be good to your daughters too Então mães, sejam boas com suas filhas também
Oh, you see that skin? Ah, você vê essa pele?
It’s the same shes been standing in É a mesma pessoa que está dentro
Since the day she saw him walking away Desde o dia que o viu indo embora
Now shes left Agora está largada
Cleaning up the mess he made Limpando a confusão/bagunça que ele fez
Boys you can break Com meninos você pode terminar
You’ll find out how much they can take Você verá o quanto eles aguentam
Boys will be strong and Os meninos serão fortes
Boys soldier on Serão soldados
But boys would be gone Mas nunca conseguirão
Without warmth from viver sem o calor
A woman’s good, good heart do coração de uma mulher,
On behalf of every man Em nome de cada homem
Looking out for every girl Que cuida de cada menina
You are the god and the weight of her world Você será o deus e o peso do mundo delas

Mulher, seja ela o que for: mãe, namorada, esposa, filha, irmã, prima, sobrinha, avó, amiga, colega, não importa, é especial a ponto do clichê ser totalmente aplicável: “como se todos os outros dias também não fossem seus, feliz dia internacional da mulher”.

Parabéns.

Até a próxima.

amor contagioso (dengue/cupido)

Ensaio sobre o amor

O nome do post seria ensaio sobre o amor, o assunto (mais uma vez) é relacionamento. Entretanto, vou usar a palavra amor para me referir a relacionamento e o título do post mudou pra esse ai depois que terminei de escrever.

Imagine o amor de uma maneira não romantizada. Suponha que ele seja uma doença semelhante à dengue. A dengue é transmitida pelo mosquito, já o amor é transmitido pelo cupido, ambos voam e picam (um pra se alimentar e outro só de sacanagem com suas flexas). O mosquito da dengue tem uma vantagem em relação ao cupido: seu comportamento já foi identificado e os cuidados para se prevenir da doença são sabidos (apesar de não praticados em larga escala). Todavia não se conhece os comportamento do cupido, logo, não é possível saber quais cuidados tomar para evitar a doença (ou o que pode ser feito pra se contagiar logo).

Pois bem, uma vez contaminado pelo amor, os sintomas iniciais são bem agradáveis: sorriso que não foge aos lábios; olhos que procuram pela pessoa; forte calor local na região esquerda do peito; boboletas no abdomem; ligeiro devaneio mental (a pessoa fica boba); entre outros. Mas depois de determinado tempo de contagio, um novo cenário se desenha e é justamente nesse ponto, a dengue se diferencia do amor. Quando se está contaminado pela dengue, o organismo reforça o sistema imunológico, aumentando a quantidade de plaquetas, para lutar contra o vírus e eliminá-lo do corpo. Mas quando infectado pelo amor, forças internas e externas à relação (discussões; falta de sincronicidade; monotonia; medo de sair da superficialidade; cunhado(a)s; sogro(a)s; amigo(a)s e tudo mais que perturba uma relação) lutam para expulsá-lo do coração. Não adianta pedir pro cupido dar outro disparo, é preciso segurar firme a flexada para que o corte não se feche e cicatrize, de modo a manter o vírus do amor, contido na ponta da flexa, em contato com o sangue para que ele continue se dispersando pelo corpo.

Se de tudo não conseguir manter o vírus em atividade, o amor tende a ser repelido de fato. Esse processo costuma ser um tanto quanto incomodo. Isto é, se o amor é novo, talvez a dor seja menor. Algo como se curar de um resfriado, em poucos dias a saúde é restabelecida. Mas se o amor não é tão novo, a cura pode ser mais parecida com o tratamento de uma gripe: evitar friagem (o frio de ver a pessoa sem haver mais sentimento); se alimentar com sopas quentinhas (o calor das pessoas que nos querem bem, sejam parentes ou amigos); e consumir bastante água (nesse caso, é bom que seja ardente, assim ajuda a esquecer mais rápido).

Mas existe ainda o amor crônico, aquele que foi bom mas não é mais. Que só de lembrar dói, que é preciso evitar lugares, músicas, livros e etc. Esse amor, também conhecido por relação mal resolvida, mesmo depois de tratado deixa o vírus inativo mas não o expele completamente. Logo, assim como alguém que pressão alta evita o sal ou quem tem bronquite e evita friagem, quem sofre de amor crônico, deve evitar o que ataca seu sistema imunológico emoncional.
Por fim, pensei em falar daquele amor que é como um banquete. Você sente fome/sede da relação. Quando pode, sacia-se até não poder mais. Mas se o amor (relação) for *indigesto, vem o mal-estar, uma dor de barriga sentimental que arrepia seus pelos, lhe faz suar frio e se arrepender de ter provado dela, como se fosse virar do avesso de tão ruim que é o processo de colocar aquilo pra fora. Então vem a conclusão de que foi um amor de merda.

Seja como for, é uma doença deliciosa de se pegar. Como dizem por aí: quando é ruim é bom e quando é bom, é ótimo.

Até a próxima.

*amor indigesto: aquela relação que você gosta a beça mas sabe que te faz mal. Se você ainda não viveu isso, agradeça a Deus e torça para não se deparar com tal coisa ao virar a próxima esquina.

** fonte das imagens usadas no gif:

Léon Bazile Perrault “As flechas de Cupido” (1882) óleo s/tela 101,6 x 83,2 cm

Imagem do mosquito da dengue  pega no site http://www.fiocruz.br