Dirigir

Born to be wild

Estrada Rio - Santos (próximo a Angra dos Reis)

Dirigir sempre foi para mim uma sensação muito boa. Mesmo quando eu ainda não dirigia. Talvez por conta do lance do domínio da máquina pelo homem, como se o carro fosse o prolongamento dos braços e pernas. Será que era uma sensação parecida com essa que o homem sentiu quando dominou o fogo? Algo do tipo: ficar maravilhado com o poder que se detém momentaneamente. Ta, pode parecer exagero, mas é assim que sinto. Entretanto essa sensação não vem em momentos triviais como ir ao trabalho ou voltando do supermercado. Ela surge em ocasiões especiais como um passeio de final de tarde que passe por um lugar de visual maneiro. Algo do tipo: uma via arborizada ou uma estrada que tenha uma “montanhainha” por perto ou um lugar de onde se possa ver o mar. Enfim, essas paisagens de cartão postal. É legal ter natureza por perto, mas em alguns casos, pode ser uma selva de pedra mesmo, que também pode ser maneiro.

A velocidade pode ou não ser um catalisador dessa sensação gostosa que vem ao dirigir, mas nada irresponsável. Acredito que o vento nos cabelos já faça a festa, independentemente do velocímetro estar a 90 km, ou mais ou menos.

No filme “Curtindo a vida a doidado” (Ferris Bueller’s Day Off), logo no início o protagonista diz o quanto gosta de dirigir, lembro de tê-lo assistido ainda bem criança, mas aquilo me marcou. A paixão por dirigir, pra mim, é como comer pudim, seja qual for a oportunidade, não deve ser desperdiçada. O carro sendo velho ou novo, importado ou nacional, com embreagem macia ou dura, com o câmbio firme ou frouxo igual palito de churrasco de gato na areia da praia, com folga na direção ou férias – como era o Opala 72 que tive a honra de aprender a dirigir, o qual começava a curvar depois da segunda volta do volante, daí se dizer que tinha férias na direção – que o desafio de fazer a máquina andar cria a diversão. A tremedeira que é dirigir um fusca a mais de 80km/h (tremedeira tanto do próprio carro quando da gente rindo); o susto que é ver o velocímetro marcando 160km/h ao dirigir um Brava e ter a sensação de estar a apenas 40km/h; o exercício que é dirigir um Monza com a embreagem dura e ficar com a perna esquerda dolorida depois de chegar ao destino, enfim, essas coisas que cada tipo de carro proporciona ao dirigir.

Dirigir pode se tornar ainda melhor se for acompanhado de uma trilha sonora adequada ao momento, ou seja, ao trajeto e ao que você está sentindo. Não é de hoje que a música, em estilos diversos, fala sobre dirigir, direta ou indiretamente. Algumas que lembrei (ecleticamente falando) enquanto escrevia esse post são:

The Doors – L.A. Woman (Começa com o motor do carro roncando, bem legal)

The Doors – Moonlight drive (Fala sobre dirigir à luz do luar, legal também)

The Doors – Roadhouse blues (Fala sobre dirigir até a velha cada de blues, na verdade, fala quase nada sobre dirigir, mas é legal entrou na lista)

Red Hot Chilli Peppers – Dani California (essa não tem nada a ver com carros, mas é muito legal de se ouvir dirigindo)

Roberto Carlos – 120… 150… 200 Km Por Hora (coloquei aqui apenas porque lembrei, nunca a ouvi dirigindo)

Roberto Carlos – Caminhoneiro (essa eu já ouvi dirigindo, :) , é bem maneira)

Roberto Carlos – Por isso corro demais (essa é legal de ouvir quando se vai encontrar quem se ama, gosto da versão acustica dela e também da versão da Adriana Calcanhoto)

Mas tem as músicas clássicas de dirigir que o bom e velho Rock and Roll nos trás. Uma delas é Born to be Wild do Stephen Wolf. Toda vez que a ouço, fico imaginando dirigindo um muscle car pelo deserto de Nevada indo para Las Vegas. Deve ser uma sensação incrível, ta certa que esse sonho está repleto de influencias norte-americanas, mas fazer o que? Somos expostos a isso desde que nascemos, então não há muito como fugir. Pois bem, por falar em atravessar o deserto dirigindo, encontrei dois blogs bem legais sobre o assunto, um se chama Pokeybus,

Deserto de Nevada - Pokey Bus

Deserto de Nevada - Pokey Bus

no qual a Cynthia fala da experiência de atravessar os EUA dirigindo uma Kombi. Tem fotos bem bacanas da viagem, vale a pena dar uma olhada. O outro blog se chama Great Drives, no qual o Peter fala exatamente dessa questão de lugares maneiros para se dirigir. Peguei foto em ambos para ilustrar o post. Aqui faço uma pausa para algumas observações:

  • tem muita coisa legal em blogs, não precisamos consumir apenas as informações da grande mídia por mega portais de conteúdo e etc. Os links que coloco aqui são frutos de buscas sobre assuntos que acho legais. Daí de um blog, você acaba indo para em outro e mais outro e assim fazemos a blogosfera girar, gerando e consumindo nossa própria informação livremente.
  • se você tem algo que acha bem maneiro e gosta de escrever, por que não começa um blog também? Mesmo que a freqüência de publicação não seja tão grande ou que os textos não sejam longos, dê vazão ao que você sente por meio de palavras, imagens e todos os outros artifícios que a mídia eletrônica nos permite. Falarei mais sobre isso
    Deserto de Nevada - Greatdrives

    Deserto de Nevada - Greatdrives

    no futuro, mas já queria levantar a bola desde já.

  • A última observação é que nos meus posts, sempre procuro colocar links bacanas para enriquecer a leitura. Você não precisa clicar em todos, mas sugiro que fique atento aos que existem para poder experimentar na totalidade o que eu quis dizer.

Voltando ao nosso post sobre direção, outra música maneirissima para se ouvir dirigindo é Highway Star do Deep Purple, ela pode vir tranquilamente após Born to be wild que as duas já seriam top no set list para cruzar o deserto até Las Vegas. Por fim, aproveitando que falamos de Lãs Vegas, tem um filme chamado Medo e Delírio em Las Vegas, estrelado por Johnny Depp e Benício Del Toro que fala de dois pegando a estrada indo para a cidade do jogo numa mega piração (leia-se levemente entorpecidos). O filme é meio sem pé nem cabeça, como já era de se esperar num filme que fala de drogas e Las Vegas, mas é bem maneiro para se ver sem muito compromisso numa quarta-feira à noite, ou seja, num dia qualquer.

Para terminar e não ouvir dos meus amigos que eu deixei o Metallica de fora desse assunto, tem a canção Fuel do álbum Reload (que segundo algumas opiniões é a fase emo do Metallica – eu discordo plenamente disso, até mesmo porque comecei a ouvir a banda com a música Until it sleeps, do álbum Load). Para ser sincero, apesar de a música falar de carros e o clip terem um Quê de Velozes e Furiosos, eu nunca senti a menor vontade de dirigir ouvindo isso, entretanto, fica aqui o registro de que a música existe.

Ah, já ia me esquecendo, para os que ainda não tiraram habilitação, vai a dica: dirigir só tem um segredo: a prática. Apaixone-se pelo carro. Não tenha medo de afundar os outros carros na rua, tenha receio. Dirija com cuidado. Mentalize bem o que precisa ser feito: troca das marchas, uso dos pedais(embreagem + aceleração ou embreagem + freio). Pratique, pratique e pratique. Assim, de atividade pedante que pode ser, você irá sentir o prazer surgir.

É isso, pense sobre dirigir.

Extras:

Clip de Go with the flow – The Queens of the Stone Age (os caras estão numa caminhonete pelo deserto, ou seja, a cara do post)

Clip de Highway Star – Deep Purple

Clip de Born to be Wild – Stephenwolf

Clip de Fuel – Metallica

Clip do Pixies -River Euphrates

Clip de Unti it Sleeps- Metallica

River Euphrates