política

Cachorrada é com quem sabe e quem sabe tá aqui. Vote Edredon!

Cachorrada é com quem sabe e quem sabe tá aqui. Vote Edredon!

Sempre me senti um pouco especial por fazer aniversário próximo das eleições. O 1° turno coincidiu com a data do meu nascimento em várias ocasiões. Mas isso mudou quando comecei a entender melhor do que se tratava. Meu breve contato com o universo da política aconteceu durante o ensino médio. Fiquei encantado com discurso de que a política era a força transformadora da sociedade. Os exemplos da Revolução Francesa, Russa e Cubana abrilhantavam ainda mais os ideais insurgentes que começavam a brotar no meu coração juvenil. Meu espírito subversivo era complementado pelo passado recente do Brasil e suas lutas armadas protagonizadas por Lamarca, Prestes e até mesmo a atual presidente.

Vivendo num sistema econômico capitalista e nascendo em classe baixa, o desejo por uma realidade mais “justa” é o mínimo que se espera de alguém normal na faixa dos 15 anos. Alimentado pela mídia, eu passava fome de consumo, supérfluo, mas consumo. Queria a guitarra do James Hetfield, computador, celular, TV por assinatura, viagens pro Beto Carreiro, Disney e todas as coisas que povoam o imaginário adolescente.

Movido pelo meu nobre desejo de justiça social – consumo – comecei a participar das reuniões do Grêmio Estudantil. Não queria apenas ouvir sobre política nas aulas de história, mas sim participar como todos aqueles heróis que tornaram o mundo um lugar melhor para nossa geração. De algum modo, eu sentia que podia/devia continuar seu legado, por mais modesta que fosse a minha participação. Assim, acabei indo participar de uma reunião de partido político, na época esquerda.

Ouvir aquele bando de aspirante a comunas falando uma série de baboseiras sobre como agir para transformar a sociedade me aborreceu rápida e profundamente. O sujeito alto e esguio que liderava a sessão era um careca-cabeludo (o mínimo que se espera de alguém calvo é dignidade, o que excluí penteado emprestado, também conhecido por alçapão) que devia ter passado dos 25 anos há algum tempo e continuava acreditando nos contos de fadas do socialismo. Havia também alguns colegas que pertenciam à direção do Grêmio Estudantil, os quais me convidaram pra reunião. Reparei que empenho político deles não condizia com seu aproveitamento escolar. Reprovação, retenção e ameaça de jubilamento era um risco constante no cotidiano da “guerrilha” urbana. Como nenhuma dessas possibilidades fazia parte dos meus planos, sobretudo por não ver nenhum resultado efetivo, decidi parar por ali.

Tempos depois aconteceu uma passeada de, aproximadamente, dois mil estudantes contra o aumento da passagem de ônibus. Em cima do carro de som que puxava a massa estavam alguns dos partidários presentes naquela reunião tediosa, fazendo discursos que poderiam ter enchido Fidel de orgulho se o idioma fosse espanhol. Notei também a presença de pessoas do partido registrando tudo com filmadoras e máquinas fotográficas. Por me interessar por jornalismo na época, procurei saber para qual veículo eles iriam mandar aquele material. Descobri que era pra ser usado na campanha para vereador de um deles. Foi então que entendi o conceito: massa de manobra.

Estou bastante longe de ser um cientista político, mas a lógica perversa da nossa democracia é óbvia. Impera o capital que faz as alianças convenientes para sua continuidade e ampliação. Não se discute política porque não recebemos educação para isso. Mas também não recebemos educação para isso justamente para não discutirmos. Assim, falamos sobre cultura pop, novela, futebol, tecnologia e blá blá blá…

Por isso, acredito que o melhor é cada um fazer sua parte. Educação e trabalho são maneiras efetivas de conseguir ascensão social e ter uma vida digna. Torço para que um dia eu consiga perceber as coisas diferentes e, se possível, ainda escrever uma reflexão positiva sobre elas. Por enquanto, só me vem à mente a frase de um autor desconhecido: “independente de quem ganhar, pode colocar a bunda na janela porque na sequencia você vai ser f…”.

É isso, pense sobre política.