espiritualidade

O dicionário Aulete define Espiritualidade da seguinte forma: (1) Qualidade ou caráter do que é espiritual; (2)Doutrina que estuda o progresso da vida espiritual; (3)O que tem por fim a vida do espírito, da alma: Era um poema de intensa espiritualidade; e (4) Elevação do espírito, sublimidade. A busca pela espiritualidade é inerente à natureza humana, pois temos necessidade de acreditar em algo que seja maior que nós, ou mesmo de duvidar em algumas situações. Todavia, quando se abre mão desse “pilar” da vida, o equilíbrio pode ficar comprometido, conforme comentei nesse post publicado anteriormente (clique aqui pra ver).

Em 2009, segundo dados do Fundo de População das Nações Unidas (FNUAP), a população mundial era de 6,8 bilhões. Se contarmos o nascimento do João, filho da Mariela, e da Letícia, filha da Dani, além dos milhares que nasceram até hoje, temos um quantitativo impensável de habitantes no planeta. Essa diversidade tamanha de pessoas implica numa variedade cultural de mesmo porte. Dessa forma, é natural existirem tantas de maneiras de se buscar a espiritualidade.

Eu nasci num lar católico não praticante. Quando criança, eu rezava Pai Nosso, Ave Maria, Santa Maria e uma do Santo Anjo do Senhor – que anos mais tarde fui saber, ao ler o velho testamento, que se tratava de Jesus. Depois da infância pra adolescência fui a algumas reuniões de umbanda com minha mãe. Na adolescência, toquei numa banda de rock que gradualmente teve seus membros convertidos para a Igreja Batista. Pra continuar tocando, acabei indo também. Foi uma experiência interessante, o lance de estudar a bíblia me agradava, mas o rigor doutrinário me deixava desconfortável. Eram muitos “nãos” numa fase em que a fome de descobrir e viver a vida está latente. Logo, não consegui permanecer por muito tempo.

Tempos depois, andava meio sem rumo, de tanto que havia visto naquela fase de descobertas. Possivelmente faltava um dos três pilares da minha vida, que aliado com o amor que eu sentia na época, me fez voltar pra igreja evangélica. Como estava mais maduro, consegui aprender bem mais sobre o cristianismo e, principalmente, sobre o amor de Deus. Todavia, meu pilar continuava faltando, pois os “nãos” ainda estavam lá.

Depois do divórcio, acabei deixando a igreja evangélica. Meu ceticismo me fez procurar outros caminhos. Então atentei para o fato de que sempre senti uma emoção muito grande quando me estava em lugares em que a natureza é exuberante. Pensava, sim Deus existe, olha só isso! O filme e o livro Na Natureza Selvagem (Into the Wild) me despertaram ainda mais pra isso. Outro ponto que descobri foi que o contato com as pessoas em situações diversas era chave para exercitar o amor. Pequenos gestos que faziam bem a certas pessoas e a mim também, reciprocamente. Em alguns casos, parecia haver uma ligação natural, como se ela existisse previamente.

Lendo o livro O Aleph, vários dos insights que eu havia feito ficaram mais claros. Parei de excluir outras religiões e formas de se buscar espiritualidade. Assim, a idéia de outras vidas passou a fazer algum sentido e explicar certos questões, como a da ligação pré-existente. Além disso, numa conversa recente com um amigo (o Thadeu Índio), soube que há um livro chamado O Tao da Física, que relaciona conceitos de física quântica com princípios religiosos orientais. Por exemplo: somos formados por átomos de vários elementos. Diariamente trocamos matéria com o meio em que vivemos, seja por meio da respiração, seja por meio da alimentação e etc. Esses átomos que vão ficando para trás carregam um pouco de nós, bem como os átomos dos elementos que temos contato externo ou interno também carregam um pouco de outras pessoas, coisas e assim por diante. Logo, uma forma de ver a eternidade é pensar que somos eternos enquanto nossa “energia” viaja no spin dos átomos que vamos deixando ao longo da vida.  A matéria que lhe compõe enquanto você lê esse post está dispersa no mundo dentro de 100 anos, fazendo parte ou não de outras vidas. Nisso, você será parte também de outras vidas e assim sucessivamente. Essa forma de pensar dá sentido àquela história de que na próxima existência você pode voltar como um jabuti ou como um inseto, afinal não se cria matéria nem se destrói, ela apenas se transforma.

É bem verdade que não concordo totalmente com essa corrente de pensar, como também não concordo integralmente com tantas outras. Mas entendo que o importante é a tolerância religiosa, no sentido de que cada pessoa é livre para buscar sua espiritualidade da maneira que lhe parecer melhor. Pensar que existe apenas uma forma de ver a vida me parece um tanto obtuso. Afinal, nenhuma verdade é absoluta, nem mesmo essa aqui.

Outro ponto que cabe salientar é que o questionamento da fé alheia. Digo isso porque existem pessoas que tem a religião como pilar central de suas vidas. Nesses casos, a retirada daquele fundamento pode ser bastante ruim, pois entre a dúvida e certeza, existe a esperança. Conversar a respeito do que se acredita e expor pontos de vista é uma coisa, mas agredir e tentar convencer de que seu ponto de vista é o mais certo em detrimento a todos os outros é algo bem invasivo.

Por fim, entendo que estamos TODOS ligados de alguma forma, seja pela nossa “energia vital”, seja pelas partículas que trocamos com o meio. O nome que damos a isso é o que menos importa, o importante é viver essa ligação de fato, pois ela me parece a essência do amor.

ps.: Havia mais para ser dito, mas o post já ficou enorme, numa outra oportunidade eu voltarei a abordar esse tema.

ps2.:  Música da abertura do post, do Jamiroquai fala sobre essa ligação que temos com a Terra e isso tem a ver com o sexto parágrafo. Caso tenha se interessado, dê uma olhada em sua letra (clique aqui).

ps3.: novamente feliz 2011 pra todos nós!

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Liderar pelo corpo, mente e espírito

Liderança - publicado originalmente em post.career.vi
Liderança – publicado originalmente em post.career.vi

O esforço necessário para se gerenciar, o que quer se seja, é diretamente proporcional à qualidade que se pretende alcançar. Logo, para colher bons frutos, é preciso dedicação.

Numa posição de gerenciamento, a pessoa responde por várias responsabilidades. Sendo assim, é preciso estar alerta a tudo que se passa. Esse pensamento arremete a um ditado antigo: o que faz o gado engordar é o olho do dono, ou seja, se é o seu que está na reta, trate de ficar atento aos acontecimentos, tentar antecipar o que for possível e se preparar para o inevitável. Claro que fazendo um planejamento, elimina-se a necessidade de tirar o coelho da cartola. Em outras palavras, uma vez que o planejamento foi bem elaborado, as ações seguintes ficam mais fáceis de serem conduzidas. De fato coisas inesperadas podem acontecer, mas o exercício do planejamento contribui para o aumento da assertividade, o que torna menor o risco de surpresas.

Voltando à questão do olho do dono que engorda o gado, apesar de concordar com essa idéia, chamo a atenção para o risco de querer engordar cada gado univocamente, alimentando cada um deles pessoalmente. Explico: o grande risco de querer acompanhar de perto tudo que se passa sob sua liderança é de acabar centralizando demais e gerenciando de menos. A arte de liderar exige reflexão. É preciso olhar o cenário, as tendências, perceber os ares da mudança soprando em sua direção. Quando o líder se envolve demais com as atividades corriqueiras, sua sensibilidade pode ser comprometida, ou seja, se o capitão for esfregar o convés ou então içar a vela em vez de segurar o leme, não haverá como como garantir a direção a ser seguida pelo navio. Logo, delegar é preciso. Delegue e  acompanhe.

Outro ponto importante sobre liderança é que o líder precisa ter ânimo por ele e pelos demais. Isso é fundamental para que ele consiga revitalizar os elos fracos da corrente. Quando alguém na equipe não está rendendo o esperado, o líder deve buscar uma forma de identificar o que está afligindo a pessoa e tentar contornar para que ela volte a produzir normalmente.

Além do que já foi dito, há um livro chamado  Administrar? é simples assim, escrito por Walter Dalla Bernadina, que contém algumas idéias bem interessantes com relação a liderança. Em linhas gerais, ele diz mais ou menos o seguinte:

  1. Liderar pelo corpo ocorre quando é dada uma ordem que é cumprida devido ao poder detido por aquele que ordena. A execução da ordem é feita por um corpo que não critica o que está sendo realizado. Caso não haja um mecanismo formal para exercer autoridade sobre aquele que executa, o cumprimento da atividade pode ser comprometido.
  2. Liderar pelo corpo e mente ocorre quando a ordem é acompanhada pela consciência do porquê realizá-la, ou seja, quando a pessoa faz algo ciente do resultado que aquilo deve gerar. Nesse caso, ela tem a possibilidade de criticar o que está sendo feito e sugerir melhorias, além de vislumbrar as implicações de suas ações em outras atividades que dependam do seu trabalho.
  3. E finalmente a liderança pelo corpo, mente e espírito, que ocorre quando existe uma relação entre líder e liderados que vai além da subordinação e do conhecimento do porquê realizar a atividade. Quando compartilhamos nossa vida com as pessoas de nosso trabalho. Considerando que somos seres sociais e que passamos boa parte do nosso dia entre nossos colegas, é natural a necessidade de socializarmos no trabalho. Dessa forma, a ordem dada pela Gerente Ana ou pelo Supervisor Jorge, soa mais como: o pedido da Aninha ou então o pedido do Seu Jorge, negão gente boa, igual o da música do condomínio. Isso gera um sentimento diferente no executor da tarefa, de, além de saber o motivo de realizar aquele trabalho, querer também ajudar o amigo. Esse tipo de comportamento faz com que aumente a sinergia da equipe, de modo que o espírito do grupo seja um só, que as conquistas sejam de todos e não de uma pessoa apenas.

Portanto, liderança pode sim ser exercida por qualquer pessoa desde que ela esteja atenta a esses pontos. A prática e a vontade de querer fazer dar certo irá aprimorar sua arte com o passar do tempo.

Pense sobre liderança.

Até a próxima.