Paradoxo: atividade física pelo menor esforço

Poster da parede da cama do meu irmão

Após reunir novas informações e pensar um pouco, mais uma opinião se forma e, neste caso, um preconceito cai. Eu tinha certa desconfiança da capacidade intelectual dos lutadores profissionais. Isso se deve, em parte, ao estereótipo de praticantes de luta que costuma ser veiculado pela mídia com alguma frequência.

No entanto, a iminência da velhice me fez buscar uma atividade física. Por recomendação de um amigo, comecei a praticar uma arte marcial. Meu irmão mais velho fazia Kickboxe no começo dos anos 90 e eu achava o máximo. A lembrança fraterna me fez optar pela mesma modalidade, comecei a fazer Muay Thai.

Qual não foi a minha surpresa com a complexidade da realização dos golpes. Cada movimento deve ser efetuado de acordo com a técnica adequada, isto é, além da fadiga ocasionado pela atividade física em sí, acontece também um desgaste mental em função da concentração exigida. Constatar isso mudou completamente minha perspectiva sobre os lutadores profissionais, pois além da dedicação, o empenho psicológico necessário é imenso.

Sepultado meu preconceito, uma outra questão me ocorreu, acerca do benefício da prática esportiva para pessoas comuns, isto é, não atletas. Uma vantagem comumente lembrada é o relaxamento intenso que ela proporciona. Me parece que esse relaxamento completo seja por conta do “descarrego extremo” da bateria (energia). Tornando isso um hábito, o corpo ganha condicionamento físico gradualmente e passamos a dispor de mais energia para realizar as tarefas do nosso cotidiano.

Percebi também que a rotina de um atleta é guiada pela busca incessante do aperfeiçoamento, o que exige um enorme esforço pessoal. Nesse sentido surgem duas barreiras a serem transpostas: o cansaço físico e o mental. Se a prática leva à perfeição, o empenho para melhorar a execução dos golpes é o caminho a ser trilhado. Por isso é importante treinar com alguém de quem gostamos e consideramos a opinião, pois essa pessoa pode lhe convencer a não desistir e você pode fazer o mesmo por ela. Logo, academia é lugar de socialização. A única ressalva disto são aquelas pessoas que se concentram exclusivamente neste  aspecto e desejam apenas ficar interagindo, esquecendo a função primária que é treinar.

Um ponto curioso é que a prática esportiva não se restringe ao espaço/tempo de aula. Paradoxalmente, rotinas sedentárias são deixadas de lado em prol de um melhor condicionamento físico a fim de despender um menor esforço na aula seguinte. Explico: determinados golpes, senão a maioria, requer agilidade e flexibilidade em sua execução; quando se está acima do peso a dificuldade gravitacional é incrementada, dificultando a execução continuada de golpes rápidos. É por causa disso que um sinal de alerta surge na mente quando os olhos se deparam com mesas fartas, sobremesas e afins. Igualmente, elevadores e distancias curtas a serem percorridas de carro também se tornam menos atraentes. Ou seja, vale tudo para de reduzir o esforço necessário durante o treino.

Um outro ponto bacana do esporte é a filosofia que alguns trazem consigo. A disciplina é trabalhada em praticamente todos, mas outros valores importantes também são passados. Eis uma excelente razão para a prática infantil de esportes. Além disso, a prática física pode se tornar um momento de higiene mental, por ser um espaço “neutro” que possibilita diferentes formas de socialização, fora do seu trabalho, que exige sua seriedade, e fora da sua casa, que é onde você pode ficar complemente a vontade.

Portanto, não importa se a motivação é indicação médica ou se meramente estética, dependendo do esporte, você terá ganhos além do pretendido inicialmente. Os  A melhora do hábito alimentar é uma consequência direta, melhora do sono (pelo cansaço do treino), e tantas outras. Sendo assim, pense sobre  atividade física, seja sagaz como os lutadores profissionais e mexa-se!