e-namorados

e-namorados - publicado originalmente em 1pic.wordpress.com
e-namorados – publicado originalmente em 1pic.wordpress.com

Eu fiquei pensando um bom tempo sobre um tema diferente para o post de hoje, tanto que atrasei de quarta pra sábado, mas meus rascunhos insistem em não ser finalizados. Sendo assim, vou falar sobre o que prometi no último post, relações amorosas pela Internet: eletronic namorados, ou apenas, e-namorados.

Penso que uma relação acontece em função de uma série de fatores, por exemplo: gostos em comum; atração física; idéias convergentes; a pessoa pretendida corresponder às expectativas que você depositar nela, e etc. Quando todas variáveis são equalizadas, tem-se um relacionamento sadio. A manutenção dessa relação exige um esforço considerável, como comentei no post engenharia a dois. Todavia, a fase de prospecção por um amor pode ser complicada pois quanto mais expectativas são criadas, maior o risco de se decepcionar. Uma forma de mitigar o risco de insucesso é tentar triar ao máximo a pessoa pretendida, é neste ponto que entra a Internet.

Pela rede mundial de computadores é possível tentar conseguir alguém exatamente igual ao que você deseja, ou seja, uma pessoa ideal que não existe. Quando digo que não existe, além do meu ceticismo, considero os defeitos que ela certamente vai ter (afinal é humana) mas que não foram previstos. Talvez a palavra defeito seja forte demais, vou chamar de características. Ela pode ter uma série de características que você adora e outras que você não consegue suportar. O desequilíbrio das qualidades boas e ruins em sua balança é que vai determinar se a relação estará fadada ao sucesso ou ao fracasso.

Um outro problema de relações pela Internet é a tendência natural do ser humano de projetar ideais ou modelos de pessoas. Ouvi certa vez que é melhor saber a verdade porque a realidade tem limite mas a imaginação não. A figura de abertura do post tem esse significado, por detrás de um computador, cada um pode ser quem quiser. O que me lembra outra frase: ninguém é tão feio quanto no RG, nem tão bonito quanto no orkut/facebook, nem tão legal quanto no twitter. É no convívio que se vai conhecendo de fato a pessoa. Por mais que os meios de comunicação tenham avançado, entendo que o contato é indispensável numa relação.  Por isso, tenho uma séria dificuldade em conceber que uma relação iniciada pela Internet e/ou desenvolvida à distância possa dar certo. Mas quem sou eu também pra dizer se vai ou não funcionar, sei de alguns casos de sucesso e outros de fracasso.

Por fim, me parece que o grande complicador de uma relação à distância é o diálogo. Fala-se muito, mas muito mesmo, pois é a forma de segurar a onda da saudade. Quando se está perto, grande parte das conversas já terão acontecido mas não da forma plena que uma conversa in loco proporciona. Daí, a relação amadurece mais rapidamente na cabeça do que nos corpos. Esse descompasso entre corpo e mente também pode ser letal pro amor.

Bem, era  isso, pense sobre o e-namoro e até a próxima.

ps.: Pra você saber o que vem por aí, os títulos dos textos inacabados são: pessoas invisíveis (talvez o próximo por estar bem adiantado); amor e o  Mágico de Oz; reuniões e mundo corporativo; rei do nada; é bonito ser feio?; coleção de erros; e fidelidade.

Extra:

Eu acredito mesmo é que pra uma relação funcinar, tem que ser na linha do que diz a música Um a Um dos Tribalistas.


miojo social

Midias Sociais - publicado em www.magoweb.com
Midias Sociais – publicado em http://www.magoweb.com

Mídias sociais, de acordo com a definição de Edu Dubner que foi publicada no site midiasocial.com.br, trata do “uso de meio eletrônico para interação entre pessoas. Os sistemas de relacionamentos digitais combinam textos, imagens, sons e vídeo para criar uma interação social de compartilhamento de experiências. O ser humano é antes de tudo um ser social, as ferramentas digitais estão potencializando essa tendência e alterando completamente a comunicação dessa nova economia.”

Como é algo novo, todos nós estamos aprendendo juntos, entretanto, já existe uma quantidade razoável de material sobre o assunto na Internet e o site de onde tirei aaquela definição inicial é um bom ponto de partida pra quem quer se aprofundar um pouco mais. Isso posto, vou me ater a algumas questões subjetivas das mídias sociais.

A tecnologia existe para servir ao homem, logo, seus benefícios tendem a tornar nossas vidas mais fáceis. É ótimo poder interagir mais com outras pessoas, independentemente das barreiras geográficas, haja visto que somos seres sociais (questão abordada várias vezes aqui no blog: aqui, aqui, aqui e aqui). Todavia, não acredito que seja saudável para alguém realizar a maior parte de suas relações sociais via meio digital. Tudo bem ser seguido por 437 pessoas no Twitter; ter 201 amigos no Orkut ou no Facebook; ter inúmeros acessos (page views) no Flickr, no Blogspot, ou ainda no meu estimado WordPress; mas a vida é mais do que isso, é preciso viver a realidade. As mídias sociais devem ser um complemento do mundo real e não o contrário. Já parou pra pensar em quantas pessoas de suas mídias sociais você vê pessoalmente a cada mês?  Quantas cervejas tomam juntos, ou quantas risadas deles você ou delas em vez de ler abreviações de risos – rs ou  =) ou  :) ou :^). A quantos lugares bacanas você foi com algumas delas e quantas histórias engraçadas vocês viveram juntos recentemente? Ou mesmo quantas barras elas tiveram que segurar e você pode ajudar de alguma forma, que não fosse apenas mandar(postar) um emoticon de smile dando a entender que as coisas iriam ficar tudo bem.

Pensar nisso tudo faz com que venha à mente aquele pensamento de que é difícil coincidir horários e rotinas, mas boa parte das coisas legais da vida é fruto de algum sacrifício. Talvez seja assim para que saibamos valorizá-las de fato. Tem uma frase simples que cabe nesse contexto: as pessoas são mais importantes que as coisas. Não deixar de viver bons momentos com as pessoas que lhe são preciosas para ficar “agarrado” no computador. Senão, você pode acabar na mesma situação do sujeito abaixo:

Imagens do clip Do the Evolution - Pearl Jam
Imagens do clip Do the Evolution – Pearl Jam

Para que o post não fique muito grande e cansativo de se ler, vou concluir explicando minha teoria do miojo social. Quando você está com fome, a maneira mais fácil, rápida e barata de resolver a situação é comendo um miojo. Você sabe que o valor nutritivo dele é irrisório e que o sabor é também não costuma sofrer grandes variações, mesmo usando as artimanhas ensinadas noLarica Total, mas ele se torna atraente em função da lei do menor esforço, se tornando imbatível diante da aventura que é encarar a cozinha a fim de preparar algo decente. Em alguns momentos, imagino as mídias sociais de modo semelhante, isto é, quando surge a vontade de interagir com alguém, é mais fácil, rápido e barato lançar mão do meio virtual. É um lance meio superficial, mas “mata a fome de ver gente”.  Não precisa ligar, marcar, sair, se deslocar e toda aquela “chatice” do mundo real. A desvantagem é que a experiência proporcionada, na maior parte da vezes, é um tanto pobre, não trazendo consigo os nutrientes contidos nas as relações humanas que de fato nos “alimenta” como ver, ouvir, tocar, sentir, rir, chorar e etc. Daí, a mídia social se transfigura no miojo social.

Enfim, tudo isso foi só pra dizer que a evolução tecnológica não deve significar um retrocesso social. Ainda vou escrever sobre as relações amorosas oriundas do meio virtual, mas num próximo post, pois acho que neste aqui já existem questões suficientes para se pensar sobre. Além disso, tenho que sair da toca e ir pra rua ver gente para aproveitar o restante das minhas férias do trabalho.

Abraço e até a próxima.