Refeições e sentidos

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Depois de alguns assuntos densos, vou pegar leve hoje (ou pelo menos tentar), afinal, é sábado e está um dia bonito com céu azul. Como está na hora do almoço, pensei numa coisa: Você já parou pra pensar nas refeições? “A sensação de fome, é uma prova de que se está vivo”, foi o que o Paulo de Oliveira disse no ‘Episódio 5 – Misto Quente Gratinado’, exibido no Larica Total. Isso me remete àquele trecho da música do Titãs: “desejo, necessidade e vontade”. Fome é necessidade, todavia também pode ser vontade ou desejo. Isso depende da ocasião (eu, por exemplo, to com vontade de comer bolinhos de chuva já tem umas três semanas).

Mas o lance é que percebi que saciar desejos, necessidades e vontades, é mais gostoso/intenso quando estimulamos outros sentidos paralelamente. Quer ver um exemplo? Almoço: é uma necessidade, mas almoçar sozinho é palha*. Por isso é tão maneiro os almoçar em família, em que se pode estimular o paladar com a comidinha da mamãe e da vovó; pode-se estimular a audição, ouvindo os causos; pode estimular a visão, vendo as pessoas e por aí vai. Logo, pensei nas refeições como propulsores de interações sociais. É por isso que nós gostamos de ir a churrascos, pizzarias, restaurantes quando saímos com pessoas queridas.

Claro, conversar com outras pessoas, por si só, já é bacana, mas estimulando os sentidos, parece que a coisa se intensifica. Seguem algumas falas que, subjetivamente, comprovam isso:

  • (terça-feira à noite) Vamos sair pra comer algo?
  • (domingo pela manhã) Venha almoçar aqui!
  • (sexta-feira à noite) Que tal sair para tomar algo?
  • (sábado à tarde) Um bolinho de chuva cairia bem.

Esse lance de estimular os sentidos pode ser percebido ainda da seguinte maneira: se gostamos de alguém, não adianta só saber que ela existe, há o desejo de interagir, de se comunicar com ela. Se a comunicação acontece pela escrita, estimula-se a visão; se acontece por telefone, estimula-se a audição; se acontece pessoalmente; então mais sentidos participam da festa.

É como se cada sentido fosse um instrumento e a interação social uma música.  Sabemos que uma música com voz pode ser legal, mas se tiver uma bateria dando o compasso, fica melhor; se tiver uma guitarra e um baixo formando aquela camada sonora envolvendo a voz, melhor ainda; se houver um teclado fazendo as nuances entre uma parte e outra da música, a experiência torna-se ainda mais rica e assim sucessivamente.

Uma ultima viagem pra encerrar o post é: parece-me que quando comemos nos aproximamos mais da nossa natureza primitiva, por ser uma necessidade tão básica, então, os escudos tendem a ser abaixados, facilitando a interação.

Se você ainda não cozinha e quer interagir, tenho duas opções: saia e pague por isso ou faça em casa você mesmo. Se você não sabe cozinhar, volto a falar do querido programa Larica Total, onde é apresentada a cozinha de guerrilha, para aqueles que temem se aventurar na cozinha, esse território desconhecido e, aparentemente, hostil. Eu me amarro nele porque racho o bico vendo o cara cozinhando aquelas belíssimos pratos: Moqueca de ovo, Frango Total Flex, Só o Macarrão salva e tantos outros. Divirtam-se e interajam.

* “Palha” (expressão) – use sempre que não achar algo legal. Se foi sem graça, foi palha. Se quiser enfatizar, pode usar no formato “mó palha” (mó = muito).

– feito ao som de Tears For Fears – Closest Thing To Heaven (Tias fofinhas); Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz e o bom e velho Led Zeppelin – Mothership – 2CD

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