rei do nada

Riot Act - Pearl Jam
Riot Act – Pearl Jam

Nota do autor: depois de um longo e generoso verão, cá estou de volta ao blog. Lamento pelo atraso na atualização, o qual ocorreu por conta da minha mudança de Vitória-ES para o Ponta Grossa-PR. Passei duas semanas viajando, revendo pessoas queridas e conhecendo lugares bonitos, daí não conseguir manter a frequência de atualização mas pude ver que os acessos ao site não caíram nesse interim, o que pode significar duas coisas: os textos estão sendo conhecidos por gente nova ou então estão sendo revisitados. Seja como for, fiquei feliz com isso. Agora, sem mais delongas, bora pro post:

“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.
Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? “
(Trecho da Bíblia, livro de Eclesiastes)

Durante minhas férias, notei três situações de estresse parecidas e como também já passei por isso, achei pertinente abordá-las aqui. Elas giram em torno de uma coisa: ambição.

De acordo com o dicionário, ambição pode ser: (1) Desejo intenso de obter riquezas, poder, fama etc; ou (2) Desejo, intenção de alcançar um objetivo. Entendo ambição como algo bom, todavia, meu entendimento pende para a segunda definição do Aulete, em função do amadurecimento que vem ocorrendo ao longo desses 28 anos. Todavia, durante alguns anos eu tive ambição da primeira definição e quando vi o preço a ser pago (sobre preço, clique aqui e leia um post já publicado), achei um tanto caro.

Sobre as situações que me fizeram pensar sobre isso, deixo claro que talvez minha percepção não contemple toda sua totalidade, entretanto, acredito serem válidas de se relatar.

1 – Casa Grande Senzala (ou Piratas do Caribe): conheço um homem que construiu uma casa bem grande ao longo de 33 anos, localizada no Jardim Comercial-Capão Redondo-São Paulo-SP (pra mim o erro começa aí). Já ouviu aquela expressão: tem uma cabeça de burro enterrada neste aqui? Então, lá seria um cemitério de burros. Repare que não é preconceito com a periferia, haja visto que morei 14 anos lá. Mas acho absurdo um lugar onde o sucesso alheio é visto com tanto desdém pelos demais. Uma atmosfera de olho grande impera de modo que permanecer num local assim me parece tolice. O tal homem, que também é meu pai, acha que não e construiu mais duas, casas em cima das garagens da dele,  para alugar e tentar fazer mais dinheiro. Segundo ele, não valeria a pena vender a propriedade pelo fato de não achar um comprador que pague o preço que ele considera justo. Ora, quanto vale paz de espírito? Quanto vale qualidade de vida? Quanto vale se sentir bem no lugar em que se mora? Noto demasiado apego dele por parte do dinheiro que foi empregado lá ao longo do tempo, o que implica num tipo de escravidão. Meu irmão o apelidou de Bootstrap, aquele pirata que com o passar dos anos vai se fundindo à parede do navio, como se fosse um coral.

2-Meu foco (fuck) é no dinheiro: homem de bem, quase 40 anos, esposa e dois filhos. Dois imóveis próprios e um terceiro acabando de ser pago, além de dois carros. É natural que no início da carreira, aos vinte e poucos anos, haja desejo de construir um patrimônio que possa representar segurança no futuro. Mas quando se aproxima a meia idade, manter esse vontade me parece um contra-senso. Sobretudo se ela trouxer consigo afastamento familiar. Ficar cinco e às vezes seis dias por semana longe de casa para  manter um padrão de vida elevado tem implicado em perder o dia-a-dia de sua casa. Daí o crescimento dos filhos se dá em segundo plano da vida, em primeiro, o trabalho. A própria intimidade do casal pode esmorecer nessa circunstância. Daí o foco vira um fuck you, pois ele poderá acabar se fudendo nessa brincadeira.

3-Devo ao banco: casal jovem, de 8 pra 9 anos juntos. Uma história bonita e romântica, se conheceram quando ainda eram “ralados”, nas palavras deles. Atualmente ambos ocupam cargos importantes no banco em que trabalham. O sucesso profissional veio junto com o amadurecimento da relação. Mas como acontece nas melhores famílias, também passaram por alguns altos e baixos, felizmente bem superados. As metas financeiras de pagar a casa e o carro foram alcançadas, mas a vontade de continuar crescendo na mesma velocidade que estão tem sido um fator de desconforto na relação, pois isso a deixa a moça estressada em função da rotina de seu cargo e também limita o tempo deles juntos, pelo fato de que em algumas semanas ela precisa ficar fora para visitar as agências do interior do estado. Desacelerar o crescimento econômico reduziria a receita econômica, em contra-partida aumentaria a receita afetiva, rendendo juros sobre juros sobre os os bons momentos que valorizaram a relação. Ouvi do rapaz a seguinte frase: tudo que eu tenho, eu devo ao banco. Devo ao banco. Pra ele, os bens conquistados eles devem ao banco, mas o amor não, vem de antes e não foi hipotecado em momento algum.

Construir um castelo e não haver ninguém para habitá-lo é perda de tempo. Comigo foi mais ou menos assim, quis muito em pouco tempo, sofri e fiz pessoas sofrerem pela minha ambição. Tentei abraçar o mundo com as pernas e me vi um rei do nada. Reuni algumas posses mas não havia ninguém pra aproveitá-las comigo. Hoje concordo com a conclusão tardia de Chris Mccandless: “felicidade só é real quando é compartilhada“. Se a ambição fizer com que a felicidade não seja compartilhada, acredito que não valia a pena. Por fim, há uma canção do Metallica chamada King Nothing que fala um pouco sobre isso. Abaixo segue o clip e a letra.

É isso, pense sobre sua ambição.

Rei de Nada

“Gostaria de poder
Gostaria de ter podido
Ter este desejo hoje de noite
Você está satisfeito?

Procura a riqueza
Procura a fama
Procura fazer seu nome
Você está domado?

Todos os desejos que você jogou fora
Todas as coisas que perseguiu

E tudo se estraçalha
E você quebra sua coroa
E você aponta seu dedo
Mas não há ninguém por perto

Só quer uma coisa
Fazer o papel do rei
Mas o castelo desmorona
E você é deixado apenas com um nome

Onde está sua coroa rei de nada?

Duro e frio
Comprado e vendido
Um coração rígido como ouro
Você está satisfeito?

Gostaria de poder
Gostaria de ter podido
Você desejou desperdiçar sua vida
Você está domado?

Eu quero a estrela
Quero agora
Eu quero tudo e não importa como

Cuidado com o que almeja
Cuidado com o que diz
Cuidado com o que almeja
Talvez lamente-se

Cuidado com o que almeja
Você apenas pode conseguir”

mamãe disse

Cantinho - publicado em biscoitoebolo.blogspot.com

Cantinho - publicado em biscoitoebolo.blogspot.com

Apesar de o título remeter à figura materna, me parece que esse tema se aplica também ao pai e/ou às pessoas que participam da formação do indivíduo durante as etapas iniciais de sua vida. Como mencionei no post anterior(clique aqui para ver), não existe um manual ideal para criação de filhos. Existem vários livros sobre o assunto, a própria bíblia no livro de Provérbios dá algumas dicas. Além disso, há também programas de televisão sobre o assunto como o da Super Nanny e outros na Fox Life ou Discovery Home and Health. Por fim, há a própria experiência dos pais com os seus pais. Disso tudo, valem os casos de sucesso para serem aplicados e os casos de fracasso para serem analisados (consciente ou inconscientemente, acredito que as pessoas tendam a fazer isso em diversas áreas da vida).

Todavia, cada individuo é único em si. Uma experiência que foi bem sucedida com o pai ou a mãe, pode não ser com o filho, simplesmente pelo fato de ele ser outra pessoa. Evidentemente que ele carrega traços de personalidade herdados dos pais, mas a sua maneira de encarar o mundo será moldada de acordo com suas vivências. Há uma frase famosa do filósofo  Heráclito (a qual só fui entender há uns 5 dias, rs) que diz mais ou menos o seguinte: “um homem não se banha duas vezes no mesmo rio”, isto é, tanto o fluxo do rio fará com que as águas corram e ele não seja mais o mesmo rio, como a própria mudança inerente à natureza humana fará com o que o homem não seja exatamente igual ao que foi um segundo atrás. Nessa mesma linha de raciocínio, tem outra frase famosa atribuída a ele que diz: “nada é permanente a não ser a mudança”.

Isto posto, acredito que o indivíduo nasça com áreas a serem preenchidas: a área do amor, a da liberdade, a do limite, a do carinho, a do respeito, e etc. O preenchimento da base dessas áreas ocorre durante sua formação nos estágios iniciais da vida. A dosagem dessas áreas combinado com as características inatas da pessoa faz com que ela seja quem é e do jeito que é. Claro que a poderá mudar ao longo da vida, por sí próprio ou intencionalmente fazendo uso de alguma ajuda como foi dito no post sobre terapia (clique aqui para ver). Porém, quando há desequilíbrio nas áreas que constituem o indivíduo, os problemas podem ser refletidos na vida adulta.

Por não haver um guia ideal para criação dos filhos, conseguir preencher todas as áreas harmonicamente é quase que acertar na loteria. Entendo que o equilibrio no preenchimento deva ser buscado, mas não a qualquer custo, para que a criação não se torne traumática. Sendo assim, entendo que deja ser um grande desafio para os pais aceitarem que o resultado final da criação não seja o filho “idealizado”. Como acertar na loteria não é muito fácil, me parece justo que os pais aceitem a busca do filho pela formação psicologica e emocional de acordo com o que ele entende ser melhor pra si mesmo, aconselhando mas não podando sua auto-construção.

Recentemente ouvi a seguinte frase: “onde há muita crítica, há pouco espaço para o amor”. Basicamente é isso, amar e deixar ser.

Por fim, há uma canção do Metallica chamada Mama Said. Foi com base nela que eu resolvi escrever esse post. Abaixo está o vídeo da performance ao vivo e alguns trechos de sua letra. A qualidade da imagem está duvidosa, mas o som e a emoção com quem o James a canta fazem valer a pena. Nela pode ser percebida a angústia de uma criação restritiva.

É isso, pense sobre.

Mama said – Metallica – Album Load (1994)

“Mamãe, ela me educou bem
Me disse quando eu era jovem
Filho, sua vida é um livro aberto
Não o feche até que esteja terminado
A chama mais brilhante queima mais rápido
É o que eu ouvi ela dizer
O coração de um filho pertence à mãe
Mas eu devo encontrar meu caminho

Deixe meu coração ir
Deixe seu filho crescer
Mamãe deixe meu coração ir
Ou deixe este coração ainda ser
Sim, deixe

Rebelde, meu novo sobrenome
Sangue selvagem em minhas veias
Laços maternos em volta de meu pescoço
A marca que ainda permanece
Deixei minha casa ainda jovem
E tudo o que eu ouvi estava errado
Eu nunca pedi perdão
Pelo que disse ou fiz

Nunca pedi a você
Nunca lhe dei
Mas você me deu seu vazio e vou levá-lo até minha sepultura

Mamãe agora eu estou indo para casa
Eu não sou tudo o que você quis de mim
Mas o amor de uma mãe por seu filho
Não fale, me ajude a ser eu mesmo
Eu levei seu amor para ser aceito
E todas as coisas que você me disse
Eu preciso de seus braços para me acolher
Mas uma pedra fria é tudo o que vejo

Deixe meu coração ir
Mamãe deixe seu filho crescer
Você nunca deixa meu coração ir
Então deixe este coração em paz”

show de rock

Placebo - Chevrolet Hall - BH

Placebo - Chevrolet Hall - BH

Você já foi a algum show em sua vida? Com a insegurança que cada vez mais nos cerca, ir a um show pode ser algo pouco convidativo de início. Existe risco de furto, roubo e violência antes, durante e depois  – independentemente do estilo de música. Sem contar a extorsão garantida dos guardadores de carro (damned flanelinhas) – desses não há como fugir, estão em toda parte e se espalhando cada vez mais. Entretanto, essas coisas ruins já fazem parte do cotidiano, portanto não faz sentido ficar dentro de casa vendo a vida passar lá fora. Existem experiências na vida que pelas quais é importante passar ao menos uma vez para que não sejamos meros espectadores (espectador? não entendeu? clique aqui). É aí que entra o ir a um show – no meu caso, preferencialmente de rock.

Um dos grandes baratos de uma apresentação ao vivo é a interação entre o público e os artistas. Pro artista é bacana ter o feedback do público com relação à sua obra – qual música deixa as pessoas mais agitadas, quais letras são conhecidas e etc. A vantagem do público é poder ver seu artista de pertinho (não sei o motivo mas quando gostamos muito de uma obra – música, livro, filme, peça – dá vontade de interagir com o seu criador para, talvez, entender como ele conseguiu nos tocar com sua arte) e também apreciar sua a performance ao tocar cada música ( ainda naquele livro que falei no post anterior, li que o Jim Morrison misturava elementos teatrais em suas apresentações, por influência da obra de  Antonin Artraud, por exemplo: na música Unknown Soldier, há uma parte que remete a um fuzilamento, então o baterista toca algo parecido com o tambor que precede o disparo, depois o guitarrista finge que tem um fuzil na mão e atira em Jim que cai “morto”. Confira o vídeo no final do post).

Num grande show, além da própria música, às vezes pode-se contar com efeitos visuais e/ou pirotécnicos, entre outras coisas. Tudo isso contribui para que experiência seja ainda mais rica. Mas um ponto fundamental para que o show seja apreciado é a paixão pela obra do artista ( em alguns casos, tem gente que se apaixona pelo(s) artista(s), mas não vou falar de devaneios hoje). A paixão pelas músicas cria uma atmosfera de sensações que é compartilhada entre público e artista. Em alguns casos, lembra até um ritual.

No primeiro show que fui (Jotaquest em 1997), ver a alegria que tomou conta das pessoas naquela minúscula casa de eventos me impressionou. Continuei observando isso em outros shows de proporção igual ou pouco maior nos anos seguintes, até ser conduzido ao ápice pelo meu irmão mais velho: o show do Iron Maiden (Rock in Rio 3 em 2001). Disseram que deu cerca de 250 mil pessoas naquele dia. Posso afirmar que era gente pra caceta fissurada pra ver a banda. No show, o  Bruce Dickinson ficou correndo pra lá e pra cá o tempo todo (e olha que o cara é quarentão), tradicionalmente rolou um monte de isqueiros acessos quando tocaram Fear of the Dark e pra alegria da galera o Eddie entrou no palco. Tais cenas tornaram aquele dia especial. Pra completar, a cada música tocada, nosso coral de 250 mil pessoas entrava em ação e acompanhava enquanto e simultaneamente criava o fenômeno da da **dinâmica das massas.

Depois desso, fui a outros shows bem legais, alguns pequenos, outros um pouco maiores. Mas agora em 2010, para honrar um trato feito ano passado, eu e mais 2 amigos fomos ver o Metallica em Porto Alegre.  Mais uma vez o clima de ritual se instaurou. Centenas de pessoas devidamente vestidas com suas camisetas pretas enfrentando uma puta fila para ver o show. Uma coisa muito maneira desse momento preliminar é a sinergia que já vai sendo criada, gente de todo canto contando de onde veio para ver o show ( uns caras de de Curitiba, outros de Floripa, outros de São Paulo) e quais músicas gostariam de ouvir. No intervalo entre o show da banda de abertura e o show do Metallica, não sei o porquê até agora, várias pessoas começaram a cantar o hino do Inter, depois houve o revide e outros cantaram o hino do Grêmio. Então o Metallica entrou no palco e foi foda pra caralho tudo que a gente queria que fosse. No final do show, outra coisa curiosa: durante o pedido de bis, os gaúchos cantaram o hino do Rio Grande do Sul – nesse momento, acho que Gremistas e Colorados viraram um grupo só, achei maneiro essa demonstração de amor/respeito que eles tem pelo seu estado. Sabe aquele clima de família? A gente que nem era de lá se sentiu assim. Povo mega civilizado e super afim de curtir aquele momento. Foi, entre os grandes, o show de rock mais tranquilo que já vi.

Por fim, sexta passada fui ao show do Placebo no Chevrolet Hall em BH. Me amarro nessa banda desde 2002, quando ouvi o cover, Big mouth strikes again, que eles fizeram do The Smiths. Ouvindo seus albuns, que hoje totalizam 6, acabei virando fã. O show, também foi maneiríssimo. Público tranquilo cantando/pulando junto e o melhor, consegui ficar a uns 10m do palco, deu pra acompanhar tudo numa boa.

Eu acredito que essa mesma comoção/energia/sei lá como se chama também possa ser encontrada em shows de outros estilos, afinal, cada indivíduo tem seus gostos musicais. O grande lance é a oportunidade de estarem juntos vendo e ouvindo o que gostam, seja em pequenas, médias ou grandes apresentações. Para aproveitar e dizer se foi bom ou não, só indo mesmo. Se tiver oportunidade de ir a algo assim, não perca.

Até a próxima.

*mano: pripriedade ou karma daquele que é nascido no extremo sul da zona sul de São Paulo, popularmente conhecido como Capão Redondo.

**dinâmica das massas: empurra-empurra que faz seu corpo ser deslocado num raio de 10m contra sua vontade.

ps.: houveram sim shows nacionais maneiros que me amarrei em ter ido, mas como ainda estou com os acordes das guitarras distorcidas de sexta-feira passada, preferi enfatizar o rock das bandas de fora mesmo.

The Doors – Unknown Soldier

Dirigir

Born to be wild

Estrada Rio - Santos (próximo a Angra dos Reis)

Dirigir sempre foi para mim uma sensação muito boa. Mesmo quando eu ainda não dirigia. Talvez por conta do lance do domínio da máquina pelo homem, como se o carro fosse o prolongamento dos braços e pernas. Será que era uma sensação parecida com essa que o homem sentiu quando dominou o fogo? Algo do tipo: ficar maravilhado com o poder que se detém momentaneamente. Ta, pode parecer exagero, mas é assim que sinto. Entretanto essa sensação não vem em momentos triviais como ir ao trabalho ou voltando do supermercado. Ela surge em ocasiões especiais como um passeio de final de tarde que passe por um lugar de visual maneiro. Algo do tipo: uma via arborizada ou uma estrada que tenha uma “montanhainha” por perto ou um lugar de onde se possa ver o mar. Enfim, essas paisagens de cartão postal. É legal ter natureza por perto, mas em alguns casos, pode ser uma selva de pedra mesmo, que também pode ser maneiro.

A velocidade pode ou não ser um catalisador dessa sensação gostosa que vem ao dirigir, mas nada irresponsável. Acredito que o vento nos cabelos já faça a festa, independentemente do velocímetro estar a 90 km, ou mais ou menos.

No filme “Curtindo a vida a doidado” (Ferris Bueller’s Day Off), logo no início o protagonista diz o quanto gosta de dirigir, lembro de tê-lo assistido ainda bem criança, mas aquilo me marcou. A paixão por dirigir, pra mim, é como comer pudim, seja qual for a oportunidade, não deve ser desperdiçada. O carro sendo velho ou novo, importado ou nacional, com embreagem macia ou dura, com o câmbio firme ou frouxo igual palito de churrasco de gato na areia da praia, com folga na direção ou férias – como era o Opala 72 que tive a honra de aprender a dirigir, o qual começava a curvar depois da segunda volta do volante, daí se dizer que tinha férias na direção – que o desafio de fazer a máquina andar cria a diversão. A tremedeira que é dirigir um fusca a mais de 80km/h (tremedeira tanto do próprio carro quando da gente rindo); o susto que é ver o velocímetro marcando 160km/h ao dirigir um Brava e ter a sensação de estar a apenas 40km/h; o exercício que é dirigir um Monza com a embreagem dura e ficar com a perna esquerda dolorida depois de chegar ao destino, enfim, essas coisas que cada tipo de carro proporciona ao dirigir.

Dirigir pode se tornar ainda melhor se for acompanhado de uma trilha sonora adequada ao momento, ou seja, ao trajeto e ao que você está sentindo. Não é de hoje que a música, em estilos diversos, fala sobre dirigir, direta ou indiretamente. Algumas que lembrei (ecleticamente falando) enquanto escrevia esse post são:

The Doors – L.A. Woman (Começa com o motor do carro roncando, bem legal)

The Doors – Moonlight drive (Fala sobre dirigir à luz do luar, legal também)

The Doors – Roadhouse blues (Fala sobre dirigir até a velha cada de blues, na verdade, fala quase nada sobre dirigir, mas é legal entrou na lista)

Red Hot Chilli Peppers – Dani California (essa não tem nada a ver com carros, mas é muito legal de se ouvir dirigindo)

Roberto Carlos – 120… 150… 200 Km Por Hora (coloquei aqui apenas porque lembrei, nunca a ouvi dirigindo)

Roberto Carlos – Caminhoneiro (essa eu já ouvi dirigindo, :) , é bem maneira)

Roberto Carlos – Por isso corro demais (essa é legal de ouvir quando se vai encontrar quem se ama, gosto da versão acustica dela e também da versão da Adriana Calcanhoto)

Mas tem as músicas clássicas de dirigir que o bom e velho Rock and Roll nos trás. Uma delas é Born to be Wild do Stephen Wolf. Toda vez que a ouço, fico imaginando dirigindo um muscle car pelo deserto de Nevada indo para Las Vegas. Deve ser uma sensação incrível, ta certa que esse sonho está repleto de influencias norte-americanas, mas fazer o que? Somos expostos a isso desde que nascemos, então não há muito como fugir. Pois bem, por falar em atravessar o deserto dirigindo, encontrei dois blogs bem legais sobre o assunto, um se chama Pokeybus,

Deserto de Nevada - Pokey Bus

Deserto de Nevada - Pokey Bus

no qual a Cynthia fala da experiência de atravessar os EUA dirigindo uma Kombi. Tem fotos bem bacanas da viagem, vale a pena dar uma olhada. O outro blog se chama Great Drives, no qual o Peter fala exatamente dessa questão de lugares maneiros para se dirigir. Peguei foto em ambos para ilustrar o post. Aqui faço uma pausa para algumas observações:

  • tem muita coisa legal em blogs, não precisamos consumir apenas as informações da grande mídia por mega portais de conteúdo e etc. Os links que coloco aqui são frutos de buscas sobre assuntos que acho legais. Daí de um blog, você acaba indo para em outro e mais outro e assim fazemos a blogosfera girar, gerando e consumindo nossa própria informação livremente.
  • se você tem algo que acha bem maneiro e gosta de escrever, por que não começa um blog também? Mesmo que a freqüência de publicação não seja tão grande ou que os textos não sejam longos, dê vazão ao que você sente por meio de palavras, imagens e todos os outros artifícios que a mídia eletrônica nos permite. Falarei mais sobre isso
    Deserto de Nevada - Greatdrives

    Deserto de Nevada - Greatdrives

    no futuro, mas já queria levantar a bola desde já.

  • A última observação é que nos meus posts, sempre procuro colocar links bacanas para enriquecer a leitura. Você não precisa clicar em todos, mas sugiro que fique atento aos que existem para poder experimentar na totalidade o que eu quis dizer.

Voltando ao nosso post sobre direção, outra música maneirissima para se ouvir dirigindo é Highway Star do Deep Purple, ela pode vir tranquilamente após Born to be wild que as duas já seriam top no set list para cruzar o deserto até Las Vegas. Por fim, aproveitando que falamos de Lãs Vegas, tem um filme chamado Medo e Delírio em Las Vegas, estrelado por Johnny Depp e Benício Del Toro que fala de dois pegando a estrada indo para a cidade do jogo numa mega piração (leia-se levemente entorpecidos). O filme é meio sem pé nem cabeça, como já era de se esperar num filme que fala de drogas e Las Vegas, mas é bem maneiro para se ver sem muito compromisso numa quarta-feira à noite, ou seja, num dia qualquer.

Para terminar e não ouvir dos meus amigos que eu deixei o Metallica de fora desse assunto, tem a canção Fuel do álbum Reload (que segundo algumas opiniões é a fase emo do Metallica – eu discordo plenamente disso, até mesmo porque comecei a ouvir a banda com a música Until it sleeps, do álbum Load). Para ser sincero, apesar de a música falar de carros e o clip terem um Quê de Velozes e Furiosos, eu nunca senti a menor vontade de dirigir ouvindo isso, entretanto, fica aqui o registro de que a música existe.

Ah, já ia me esquecendo, para os que ainda não tiraram habilitação, vai a dica: dirigir só tem um segredo: a prática. Apaixone-se pelo carro. Não tenha medo de afundar os outros carros na rua, tenha receio. Dirija com cuidado. Mentalize bem o que precisa ser feito: troca das marchas, uso dos pedais(embreagem + aceleração ou embreagem + freio). Pratique, pratique e pratique. Assim, de atividade pedante que pode ser, você irá sentir o prazer surgir.

É isso, pense sobre dirigir.

Extras:

Clip de Go with the flow – The Queens of the Stone Age (os caras estão numa caminhonete pelo deserto, ou seja, a cara do post)

Clip de Highway Star – Deep Purple

Clip de Born to be Wild – Stephenwolf

Clip de Fuel – Metallica

Clip do Pixies -River Euphrates

Clip de Unti it Sleeps- Metallica

River Euphrates