devaneios e pregos mentais

Pregos mentais- publicado em http://www.nachtkabarett.com - autoria Marilin Manson se eu não entendi errado

Alerta: esse post pode ser um pouco monótono em função das várias referências técnicas que foram usadas. Mas eu acho que ficou legalzinho, então seja forte e tente ir até o fim.

 

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Já viu uma música, uma fotografia ou algo que lhe fez pensar ou lembrar de uma coisa que você não queria? Nossa mente é foda, ela vai empilhando pensamentos, um sobre o outro, e quando você menos espera, algo surge para puxar um lá debaixo da pilha e derrubá-la.  Há como ser diferente? Eu tenho minhas dúvidas. Pensei numa possível analogia pra essa situação, veja abaixo.

  1. um computador recém formatado e instalado apenas com o sistema operacional de pouco serve. Ele precisa dos programas com os quais trabalhamos e também dos arquivos que serão produzidos ou manipulados pelos programas. Logo, precisa do editor de texto e precisa de textos para serem editados;  precisa do editor de planilha e precisa de planilhas para serem editadas; precisa arquivos de mídia(fotos, músicas, vídeos) para serem visualizados/ouvidos/assistidos ou editados.
  2. Analogamente, quando uma pessoa nasce, para muito pouco ela serve. Sua utilidade é ser fofinho, o que em alguns casos, infelizmente, não acontece. À medida que a vida desse ser humano passa, ele aprende como fazer determinadas ações (programas) e também vai experienciando situações (seriam os arquivos que ela edita?!). Ao longo do tempo, seu aprendizado (oriundo das ações) e suas experiências decorrentes da vida vão sendo guardadas. Mas, diferentemente de um computador, não se tem a opção de desaprender coisas (desinstalar programas) e de apagar memórias (deletar arquivos). Com a idade, acontece de se esquecer algumas partes do como fazer certas coisas mas que podem ser lembradas mediante algum esforço. Outras memórias simplesmente se perdem – como se o arquivo se corrompesse no hd.
Tela de Pesquisa - publicado em info.abril.com.br

Tela de Pesquisa - publicado em info.abril.com.br

Como base nesses dois pontos (e forçando um pouco a barra), é possível achar aspectos semelhantes entre o funcionamento do computador e o do nosso cérebro. Agora imagine que diante de determinadas situações (uma música, um cheiro, um sabor) o sistema de pesquisa da sua mente simplesmente entra em ação, nisso memórias das quais você não gostaria de se lembrar naquele momento vem a tona. Isso é bem chato. Uma vez que não podemos apagar certos pensamentos, como fazer para manter isso sob controle?

Num computador, quando um programa se comporta de maneira adversa ao sistema, ele é tido como um vírus. Então, caso haja um antivírus instalado, aquele programa terá suas ações paralisadas. Em nosso caso, ainda não foi inventado um antivírus para pensamentos. Creio que os psicólogos, psiquiatras e etc saibam maneiras de contornar isso. Mas a grosso modo, imagino que uma saída seja policiar o que pensamos, tentar evitar situações que disparam involuntariamente o sistema de busca e trabalhar os sentimentos para que o confronto com lembranças e pensamentos não cause sensações ruins.

Por fim, ouvi certa vez que na programação neurolinguistica (PNL) existe o conceito de Pregos Mentais. Ele trata justamente desses pontos que nos remetem a certas lembranças e pensamentos. Eles podem ser criados intencionalmente, para efeito de auxilio na memorização, como também podem ser criados por acidente e resultar em sensações boas ou ruins – variando de acordo com o que é resgatado no que aquilo representa pra gente. A imagem de abertura do post tem relação com isso, apesar de ser meio esquisita. Já a imagem de encerramento (mais desenhos feitos no celular) mostram alguns efeitos causados por pregos mentais.

É isso.

Obras e a personalidade humana

Talvez haja exageiro no título, mas falar da natureza humana sem intensidade me parece vazio. Tempos atrás li um livro bem legal de Jean Paul Sartre, chamado Entre quatro paredes, o qual discutia a natureza humana e também um conceito de como seria o inferno. Apesar de eu acreditar na versão tradicional de fogo e enxofre, a idéia do Sartre é bastante sugestiva e até mesmo, complementar: imagine um lugar de onde não se pode sair e que também tenha pessoas que incomodam de maneiras diferentes (por falar demais, por ficar calada, por olhar esquisito, por ter tique nervoso e etc), esse é o inferno na visão dele.

É uma boa leitura, o livro é relativamente pequeno e de quebra, você poderá tirar onda que leu um escritor famoso. Além disso, poderá notar que diariamente somos brindados com pequenas doses de inferno. Caso você perceba alguma situação infernal a la sartre, volte aqui pra me contar.

A idéia central desse post não é o livro de Sartre mas discutir idéias sobre algumas obras daquele tipo. No ano passado vi um filme chamado O nevoeiro. Ele narra uma situação de estresse bastante elevado por parte dos personagens diante de um nevoeiro que se instala na cidade em que eles habitam. Diante disso, alguns começam a agir estranhamente. Ao assistir o filme, atenha-se ao comportamento das pessoas, releve a situação que os colocou naquele contexto. E se me permite lhe fazer um convite, imagine-se numa situação daquelas. É um bom exercício, considerando que várias vezes, em determinadas situações, nossa vida clama por mais: mais ação, mais paciência, mais emoção ou até mesmo mais humor. Analisar uma situação extrema estando do lado de fora, permite analisá-la com um nível maior de detalhe.

Por falar em olhar, o que me levou mesmo a pensar em escrever isso foi o filme Ensaio sobre a cegueira, baseado na obra de José Saramargo ( fazendo um parentese – isso me lembra um episódio do Seinfeld em que ele disse pro Geoge: “se o livro é bom, espere pelo filme” – tá, descontextualizado assim não tem tanta graça, mas ele estava falando do motivo de não ler livro, nem mesmo os best sellers; o que me leva a um segundo parentese – com a falta de roteiros originais que dos ultimos 12 anos, os filmes americanos tem se agarrado a adaptações de livros: Narnia, Senhor dos anéis, Casa de areia e névoa, Desventuras em série e tantos outros). No filme, uma cidade é acometida por uma doença que cega os moradores, daí, segue uma narrativa sobre como seria o comportamento das pessoas – tanto as infectadas quanto as saudáveis (isso me faz lembrar até o olhar acusador das pessoas na época da gripe suína, quando um mero espirro era suficiente pra ser exposto com, surgido em função da gripe A). A estória aborda também a postura do Estado perante uma situação caótica como aquela. É um filme um pouco difícil de se ver, sobretudo se a sensibilidade estiver mais alta no dia, mas eu recomendo pelas questões que ele deixa para que reflitamos.

É isso, até a próxima.