O Aleph

O Aleph - Paulo Coelho

O Aleph - Paulo Coelho

Quantas chances deixamos passar ao longo da vida? Algumas profissionais, outras pessoais ou mesmo a oportunidade de ficar calado. Normalmente isso está atrelado à falta de informação.  Agimos sumariamente com base no conhecimento que temos e com isso perdemos a possibilidade de expandir nossas fronteiras.

Conforme  falei no post anterior (veja aqui), existem aqueles que preferem criticar por esporte. Vejo isso a respeito do Paulo Coelho. Dos escritores brasileiros em atividade, ele é indiscutivelmente um fenômeno. Possui uma obra de mais de 15 livros publicados e já vendeu quantidades exorbitantes no mundo todo. Além disso, teve participação marcante na música brasileira, compondo com Raul Seixas dezenas de músicas, emplacando vários sucessos como: Eu nasci a dez mil anos atrás; Tente outra vez; Al Capone; Medo da chuva e Sociedade alternativa.

Amado por muitos e desmerecido por tantos outros, os quais fiz parte por um bom tempo. Na adolescencia, quando começava a tentar desenvolver o gosto pela leitura, encontrava sérias dificuldades com as recomendações literárias dos professores: Meu pé de laranja lima, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Grande Sertão Veredas e etc. Eram temas que não faziam parte do meu cotidiano e não acrescentavam em nada a minha vida, não naquele momento. Buscando alternativas, encontrei dois livros do Paulo Coelho que pareciam ser mais bacanas: O Diário de um Mago, pois narrava uma aventura pelo caminho de Santiago da Compostela; e Brida que falava sobre bruxas. Ou seja, muito mais interessante quando se é adolescente. Por isso não recrimino quem lê Harry Potter e Crepúsculo, apesar de preferir Tolkien e Anne Rice, acho válidas as tentativas de ampliação do saber. Além disso, a leitura, independentemente do tipo, ajuda a desenvolver o senso crítico. Entretanto, parei de ler por conta do ranço alheio que incorporei, em especial o que foi disseminado por professores de literatura. Os quais inclusive classificavam a obra de Coelho como “Enganatura”. Ora, se ele escreve fantasia ou realidade, não importa, é arte. É muito fácil criticar a obra pronta, mas pavimentar um caminho como o dele não. Outro erro é querer compará-lo a escritores de outros estilos e tempos, ainda que brasileiros. Incorre na mesma tolice que relatei no último texto, de se comparar Tolkien com Martin.

Perdi o preconceito pelo Paulo, após ouvir uma entrevista sua no Nerdcast (ouça aqui). Lá percebi um cara sincero, que explicita sua verdade pela escrita, ainda que muitos a tomem por ilusão. Alguém que teve coragem de lutar pelo que acreditava, pagando o preço de mudar sua vida radicalmente. Foi assim que, segundo ele, deixou a carreira em gravadoras em busca de se tornar escritor.

Seu último livro, O Alph, não é a oitava maravilha do mundo, mas possui uma série de pensamentos que poderiam facilmente ser incorporada ao Tao Te King ou qualquer outra obra de aconselhamento pessoal para uma vida perfeita.  Destaco abaixo alguns que me saltaram aos olhos:

  • “É a dúvida que move o homem adiante.”
  • “Não se mede o tempo como se calcula a distância entre dois pontos.
  • “Passado e futuro existem apenas na nossa memória.”
  • “Não traia as graças que lhe foram concedidas.”
  • “Quando a insatisfação não desaparece, ela foi colocada ali […] com uma única razão: é preciso mudar tudo e caminhar adiante.”
  • “Quando estamos diante de uma perda, não adianta tentar recuperar o que já se foi, é melhor aproveitar o grande espaço aberto e preenchê-lo com algo melhor.”
  • “[…] quem está realmente comprometido com a vida jamais para de caminhar.”
  • “[…] uma vida sem causa é uma vida sem efeito.”

Ler O Aleph também me inspirou a escrever certas coisas como o post Espiritualidade (leia aqui) e também algumas poesias (leia aqui).

Portanto, meu preconceito me fez ficar parado. Tenho outros ainda que precisam ser trabalhados, em diversas áreas. O que me tranquiliza é a consciência de possuí-los e a vontade de querer superá-los.

É isso, pense sobre.

Coragem (Sim senhor)

Sim senhor
Sim senhor

O último post do ano passado se chamava Medo (clique aqui para ver) e é um dos mais acessados até hoje. Quando o escrevi, estava vivendo uma fase bastante complicada. Agora quase um ano depois, vejo que vários dos meus medos se tornaram reais e temê-los não adiantou de nada. Pelo contrário, quando mais medo senti de certas situações, mais complicadas elas se tornaram.

Em alguns momentos de ano me faltou coragem, mas houve quem fizesse o que devia ser feito. Em outros momentos me sobrou coragem, mas houve algo pra impedir que fosse feito o que não deveria ser. Enfim, a vida se encarregou de seguir seu próprio rumo. Meu trabalho maior foi manter a direção alinhada, ajeitando aqui e ali. A ferramenta que me ajudou a fazer esse balanceamento foi a palavra Sim. Claro que o Não ainda é bem presente em minha vida, mas da mesma maneira que o personagem do Jim Carrey no filme Sim Senhor aprendeu a dosar o uso de ambas, eu também estou aprendendo. Nem tanto, nem tão pouco, apenas o equilíbrio que um libriano persegue. Vivo agora mais consciente dos meus atos e de suas consequências. A própria vida passa a ser mais viva quando abraçamos o Sim. No twiiter, Paulo Coelho disse uma coisa bem legal que tem a ver com isso: “quando disser sim, diga com o coração aberto. Quando disser não, diga sem medo.

Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix morreram aos 27 anos. Eu, apesar de não ser roqueiro, também morri algumas vezes neste ano com esta mesma idade. Mas hoje, com 28 ano, vejo 2010 ficando para trás na estrada e 2011 já “pontando” na curva. Dessa vez, diferentemente dos últimos anos, vejo a chegada de um novo de fato. Novos sonhos, novos projetos, novo trabalho, nova cidade e pessoas novas, enfim, uma vida novinha em folha. É bem verdade que essa folha está meio amassada e marcada pelos esboços que começaram a ser rascunhados outrora, mas isso é o de menos, afinal, como diria Nando Reis, o que passou, passou e o que marcou, ficou. Se diferente eu fosse será que eu teria sido amado? Acho que não,  pelo menos não por mim mesmo.

Vendo 2010 no retrovisor, vejo muitos erros e poucos, mas importantes, acertos. Isso faz com quem eu olhe para 2011 com outros olhos, pois sei que o aprendizado gerado por todo caos que se instaurou em minha vida reverberou em várias outras pessoas ao longo do ano e isso fez com que houvesse um crescimento coletivo, cada um à sua maneira. De mesmo modo, o caos de outras vidas também implicou em mim, ainda que ele tenha se manifestado em diferentes ordens de grandeza. Tal fato fez com que minha consciência coletiva se ampliasse e passei a ver sentido em clichês do tipo: somos todos um.

Portanto, hoje me vejo um cara de sorte por poder contar nas duas mãos as pessoas que amo. Mesmo que nem todas elas me amem de volta com a mesma vontade e intensidade que sinto. Imagino que aconteça o mesmo no sentido inverso, pois não sei se amo de mesmo modo a todos que me amam. Mas isso não tem a menor importância, pois amor não é pra ser medido, é pra ser sentido, vivido e compartilhado. Isso eu aprendi bem em 2010.

Enfim, é bom olhar pra trás e ótimo olhar pra frente, mas lembrando que o melhor lugar do mundo para se estar é aqui e agora. Não fique só sonhando e/ou reclamando. Viva! Faça! Realize!

Que tenhamos ainda mais coragem em 2011.

Feliz ano novo! Vejo vocês em 2011.

ps.: recomendo o filme que falei no post. Se você não gostar da mensagem, ao menos irá se divertir com o Jim Carrey que é mega engraçado. Além disso, recomendo a trilha sonora do filme que tem músicas do banda Eels e da gatíssima Zooey Deschanel e a banda Von Iva.

ps2: música/vídeo da sountrack do filme: The sound of fear