contato com a natureza (canto da Terra)

Pedra dos Dois Olhos - Fradinhos - Vitória-ES
Pedra dos Dois Olhos – Fradinhos – Vitória-ES

Da janela do lugar em que trabalho é possível ver uma pedra enorme no alto de uma colina chamada Pedra dos Olhos. Gosto de olhar pra lá quando o tempo está fechado (veja aqui) ou quando está aberto (veja aqui). Costumo olhar para lá quando estou puto e, normalmente, fico legal depois da olhadela.

É curioso como esse contato com a Natureza costuma nos fazer bem. Pegue o mais bossal do seres humanos e coloque diante de uma cachoeira, ou do sol poente, ou de uma lua cheia, certamente ele irá confessar algum deslumbramento em função do que está diante dos seus olhos. Isso sem contar outra sensações como uma brisa num dia quente; o cheiro de terra molhada durante uma chuva de verão, um raio de sol num dia frio, ou a onda de ter o corpo enrolado pelas sedosas ondas do mar. Tais possibilidades, entre tantas outras que a Natureza oferece, mexem com nosso interior e nos trazem um tipo de paz de espírito que é difícil de explicar.

O cotidiano urbano tende a reduzir nosso contato com a Natureza, o que pode ser a causa da busca frenética por praia ou campo nos feriados prolongados. É como se nosso espírito gritasse pela “liberdade” proporcionada por esses tipos de lugares, para se libertar das grades da selva de pedra.

Conforme mencionei no post sobre Espiritualidade (veja aqui), sinto essa emoção quando estou em contato com a natureza. Sabe aquela sensação de bem estar que sentimos ao visitar a casa da nossa mãe depois de sair de casa? Então, sinto algo parecido quando visito a Mãe Terra, dependendo da circunstância, isso acontece em maior ou menor proporção.

Ademais, me parece que provar dessas sensações é como estabelecer um canal direto de comunicação da gente com Gaia. Como se um cabo usb trafegasse as informações da Terra pra gente e vice-versa (no melhor estilo Avatar). Dessa forma, nosso interior é alimentado (recarregado) e reencontramos algum equilíbrio para encarar o dia a dia.

Mas e a Pedra dos Olhos?? Ah sim, depois de anos contemplando, no último domingo surgiu uma oportunidade de fazer trilha por lá.  Um amigo (Leonardo Prata) que andava distante colocou o convite no Facebook. Não pensei duas vezes quando vi. Várias pessoas comentáram mas acabou que fomos em 5. Todavia foi um domingo sensacional. Estava marcado pra sairmos as 10h. Me senti indo pra igreja, mas num templo a céu aberto. Cada um fazendo seu culto silencioso durante a caminhada pela trilha. Tivemos nossos momentos de comunhão/descontração durante as paradas, além da contemplação e reflexão diante do belíssimo visual da cidade de Vitória que se tem lá de cima. A foto da abertura do post foi tirada durante o passeio. Em resumo, me senti feliz como um hobbit andando pelo Condado e, de certo modo, quase podendo tocar a face de Deus por estar naquele canto da Terra (ouvindo-a cantar dentro e fora de mim).

É isso, pense sobre.

ps.: Por falar em canto da Terra, há uma música do Jamiroquai com esse nome (Corner of the Earth) e com essa mesma temática. Essa música, não por acaso, foi colocada na abertura do post sobre Espiritualidade. Abaixo segue a letra.

Esse Canto da Terra (Corner of the Earth)

Querida, você não vê que o sol está brilhando
Só para você, só hoje?
Se você se apressar, um raio poderá te atingir
Venha comigo, só para brincar

Como qualquer beija-flor e maritaca
Toda flor, nuvem, cada árvore
Me sinto tão parte disso
A natureza me eleva e é lindo
Estou com este profundo e eterno universo
Desde a morte até o renascimento

Este canto da terra é como eu, de muitas maneiras
Posso sentar aqui por horas e assistir as penas de esmeralda brincarem
Posto isso, sou abençoado
Quando a luz do sol chega de graça
Eu conheço que esse canto da terra. ele sorri para mim!

Tão inspirado que não há nada a fazer ou dizer
Acho que vou sonhar até as estrelas brilharem
E eu sei, por dentro, que é tudo meu
É o refrão do amanhecer despontando
A névoa que vem antes do sol nascer
Para uma tarde de neblina em maio

Este canto da terra é como eu, de muitas maneiras
Posso sentar aqui por horas e assistir as penas de esmeralda brincarem
Posto isso, sou abençoado
Quando a luz do sol chega de graça
Eu conheço que esse canto da terra. ele sorri para mim!

engenharia a dois

Alfie - o sedutor

Alfie - o sedutor

Ontem a noite, zapeando pelos canais da tv, assisti o finalzinho desse filme (imagem de abertura do post). Eu já o havia assistido antes e, ao término, nas duas vezes senti a mesma coisa em relação ao Alfie, pena. Em linhas gerais, a história fala sobre um cara cuja razão de viver é conquistar todas as mulheres que conseguir, ou seja, pegar geral. Vivendo numa sociedade paternalista-patriarcal (leia machista), o comportamento dele é compreensível.

O grande barato do filme é mostrar as implicações de se levar uma vida naquele estilo, haja visto que a Lei do Equilíbrio Universal é implacável, isto é, aqui se faz e aqui se paga. Quando a ficha do Alfie cai, ele diz algo do tipo: “você pode ter tudo, mas se não houver paz de espírito, de nada vale”, isso ajuda a entender a pena de que falei no primeiro parágrafo.

Aprofundando um pouco a discussão, é possível apontar alguns prós e contras de pular de galho em galho, digo, de relacionamento em relacionamento. É positivo o lance da novidade, imergir em um “novo universo” e trocar novas experiências. Poder encontrar outros gostos e costumes que não haviam na relação anterior e, consequentemente desenvolvê-los também. É negativo a superficialidade (assunto desse post aqui) que se tem nas relações. Além disso, o desgaste emocional causado pela memória (assunto desse post aqui) do que se carrega. Numa relação, necessariamente há uma troca, damos uma parte de nós para outra pessoa e uma parte dela nos é dada. Na relação seguinte, entregar uma parte daquela fusão criada anteriormente é um processo delicado e, alguns casos, bastante complicado. Daí a importância da entre-safra ao término de relacionamentos. É o momento em que se deixa os sentimentos decantarem no fundo do coração para então sacudí-lo novamente com um novo relacionamento.

Uma outra percepção que tenho, a qual não lembro ter comentado aqui antes, é que o fator novidade ser mais atraente do que manter funcionando o que já existe (antes que reclamem do direito autoral desta idéia, houve contribuição de duas pessoas em sua concepção). Explico, hoje no mercado encontram-se mais engenheiros de projeto do que engenheiros de manutenção. A engenharia de projeto, cria coisas novas em sua área de atuação (elétrica, mecânica, computação e etc).  Já a engenharia de manutenção, mantém a criação projetada funcionando e ajuda a evoluir o projeto para que os problemas detectados sejam corrigidos. Nas relações, ocorre um fenômeno parecido, há mais interesse pelas novidades do que pelo que já existe. Dessa forma, a engenharia a dois não evolui, restringindo-se apenas às “novidades” que na verdade nem são tão novidades assim. De certa maneira, o modus operandi de um relacionamento tende a se repetir, você irá fazer, na maior parte do tempo, o mesmo que sempre fez, mas com outra pessoa. Isso dá razão para a expressão “não há nada de novo debaixo do sol” (Salomão). Outra frase que, ironicamente, se aplica nesse contexto é: “mudam os palhaços mas o circo é o mesmo”(autor desconhecido).

A engenharia de manutenção compreende três sub-áreas:

  1. Manutenção corretiva: quando se conserta depois que apresentou problema.
  2. Manutenção preventiva: quando são executados procedimentos para prevenir que apresente problema
  3. Manutenção preditiva: quando são executados procedimentos que diagnosticam quando irá apresentar problema.

Transladando isso para relacionamentos, teríamos algo do tipo:

  1. Levar flores e chocolate para se desculpar após fazer alguma bobagem.
  2. Levar flores e chocolate prevendo a possibilidade de fazer alguma bobagem.
  3. Disscussão de relação costuma ajudar a saber o que irá causar um problema. Uma vez identificado, medidas paleativas devem ser tomadas, como por exemplo: pagar aquele consórcio de viagem ao longo do ano todo para que nas férias o casal possa viajar para qualquer parte do país, pagando preços módicos, e aliviar o estresse que poderia levar um dos dois a cometer alguma bobagem.

Enfim, é isso, pense sobre sua engenharia a dois e divirta-se assistindo Alfie, o sedutor.

Até a próxima.