De repente 30?

Os pelos que faltam na minha cabeça sobram no meu rosto. A natureza consegue ser irônica às vezes. Rir das peças que ela nos prega é uma forma mais amena de viver a vida. Tal maneira se apresenta cada vez mais adequada quando me vem a sensação de que tudo passa tão rapidamente.

Há quem diga que o trinta de hoje é o vinte de ontem. Como é o primeiro trinta de que me recordo, não sei validar a afirmação. Contudo, realmente passou rápido… Curioso é que quantos mais anos colecionamos, maior a dificuldade em lembrar de cada um deles. Não sei se pela ação do tempo ou por algum outro motivo, a memória parece não acompanhar a passagem dos dias. Quando penso no passado, me vem à mente um número sem fim de recortes (memórias) de jornal espalhados numa caixa de sapatos (pensamento). Pelos recortes, vou tentando estruturar o quebra cabeça da lembrança.

Considerando uma expectativa de 60, 70 anos, estou chegando à metade do caminho. Um instinto de urgência surge eventualmente e me assombra por realizações concretas. No restante do tempo, a paz de espírito parece imperar, me dizendo que o caminho é esse mesmo e que o ritmo está bom. Mas a reflexão sobre o que eu devo esperar de mim mesmo permanece, inconscientemente. Acredito que essa pergunta ficará sem resposta, pois nossas expectativas mudam constantemente e uma resposta definitiva selaria algo que é essencialmente mutável.

A comparação com pessoas de mesma idade é tentadora para saber se realmente estou fazendo o que é esperado. Porém, o risco de uma avaliação equivocada me desestimula a comparar. Comparações podem ser perigosas, apesar de ser a nossa forma de assimilar novos conceitos. A única comparação plausível seria comigo mesmo ao longo do tempo para tentar identificar as mudanças ocorridas.Neste caso também existem complicações pois não é apenas nosso corpo que está em constante mudança, mas nossa mente. Conforme experienciamos mais da vida, nosso pensamento se molda à nova quantidade de informações reunidas, assim, nos transformamos. Há quem lute contra isso ou que tenha maior dificuldade em “amanhecer o pensamento”, mas acredito que mesmo nesses casos seja possível contemplar avanços.

Enfileirando todos os percalços e acertos, continuando sendo um amante da vida, querendo suas surpresas e destemperos continuamente. Acho que me habituei à suas manias e não consigo me ver sem ela e seu gradiente de possibilidades. Talvez, como numa relação amorosa, o amor tenha surgido com o aprendizado a respeito um  do outro. De minha parte, quanto mais sei dela, mais me apaixono, amo. Da parte dela, não sei dizer, mas consigo sentir/perceber suas reações com cada vez mais clareza.

O Lobão viveu 50 a mil, o Marcelo Camelo diz que leva a vida devagar pra não faltar amor. Quanto a mim, nem tanto, nem tão pouco. Que venha mais vida pra ser vivida intensamente, seja num piscar de olhos ou vagarosamente.

Pra fechar, a música tema dos últimos aniversários, correndo o risco de virar o hino comemorativo da data:

Nando Reis – Dessa vez

É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer
É bom olhar pra frente, é bom nunca é igual
Olhar, beijar e ouvir, cantar um novo dia nascendo
É bom e é tão diferente
Eu não vou chorar, você não vai chorar
Você pode entender que eu não vou mais te ver
Por enquanto, sorria e saiba o que eu sei eu te amo

É bom se apaixonar, ficar feliz, te ver feliz me faz bem
Foi bom se apaixonar, foi bom, e é bom, e o que será?
Por pensar demais eu preferi não pensar demais
dessa vez..
Foi tão bom e porque será
Eu não vou chorar, você não vai chorar
Ninguém precisa chorar mas eu só posso te dizer
Por enquanto, que nessa linda estória os diabos são anjos

tempo: vendo, troco ou financio

Tempo é dinheiro (publicado em www.slashgear.com)

Tempo é dinheiro (publicado em http://www.slashgear.com)

Tempo é dinheiro? Existem algumas coisas que levam a crer que sim. Um exemplo clássico a questão de se usar a unidade de medida homem/hora para efeito de pagamento. Nos Estados Unidos isso é bem mais comum que no Brasil. Segundo ouvi de uns parentes que estão lá ilegalmente, se a pessoa é paga (hipoteticamente) por 8 dólares a hora, trabalhando 16h por dia, seu rendimento vai ser de U$ 128,00. Fazendo isso durante os 22 dias úteis do mês, ela vai conseguir cerca de 3 mil dólares mensais, além de uma puta estafa, é claro.
Pois bem, seguindo esse raciocínio, posso dizer que o tempo é um recurso finito do qual dispomos. Ele pode ser vendido ou pode ser usado por nós mesmos. Quando se vende, é preciso ficar atendo às oscilações do mercado para conseguir um preço razoável. Há situações em que é interessante vender o tempo a preços módicos (para poder promover seu trabalho, de modo que a qualidade possa ser apreciada). Uma vez que seu trabalho tenha sido valorizado, pode-se inflacionar o preço da hora de trabalho até um valor que você considere justo e que o mercado pague. Com relação a usar o tempo consigo mesmo, há diversas maneiras para isso: diversão (sempre), estudo, descanso e etc.  Não vou me aprofundar em nenhuma dessas maneiras pois algumas já foram abordadas aqui e outras ainda terão seus próprios posts.

Há ainda situações em que o tempo não é vendido e nem usado em benefício próprio, é quando usamos com outras pessoas, ou seja, trabalho voluntário. Mas não estou falando de trabalho voluntário no sentido demagógico da coisa. Estou falando de quando você faz algo porque quer e por saber que aquilo vai ser maneiro, tanto pra você quanto pra outra(s) pessoa(s). Por exemplo, quando você usa seu tempo conversando com um(a) amigo(a) que precisa conversar(ou desabafar),  lhe dá conselhos ou simplesmente lhe faz companhia. Ou quando visita aquele seus avós (ou mesmo seus pais), os quais não costumam receber muita atenção mas que se sentem carinhados, apesar nem sempre conseguirem demonstrar isso de uma maneira clara. Acredito que fazer esse tipo de coisa ajuda manter o equilíbrio do universo. É o que o senso comum chama de “plantar pra depois colher”. A atenção dada por você hoje é a que vai despertar o desejo de alguém lhe fazer o mesmo amanhã, mesmo que essa atenção não volte exatamente da mesma maneira como foi manifestada. É preciso ter sensibilidade para percebê-la quando ela retornar.  Ouvi uma frase terça-feira passada que tem a ver com isso: “Participação é conquistada”. É difícil as coisas acontecerem do nada, somos conquistadores por natureza, devemos conquistar nosso espaço, a atenção, o amor, o carinho e assim por diante.

Depois dessa pequena dispersão do último parágrafo, volto a falar sobre nosso tempo. Veja bem, temos um potencial de tempo instalado de 168h/semana (sim, 24h x 7 dias). Se você dormir 7h por noite, terá 49h/semana a menos em seu saldo.  Trabalhando 8h/dia, o saldo cairá para 79h disponíveis na semana. Digamos que você gasta 45 minutos para ir de casa ao trabalho e o mesmo tempo para voltar, seu saldo final, se eu não errei nenhuma conta, será de 71h30min. Logo, você tem esse tempo disponível ao longo da sua semana para vender também, gastar consigo mesmo ou dar. Portanto, não existe mágica, nosso tempo é finito e ponto final. Se assumirmos mais compromissos do que temos de tempo disponível, algo ficará sem ser feito. É como comprar algo que custa mais do que o dinheiro que você tem: uma dívida será feita (já pensou se houvesse um serviço de proteção ao crédito do tempo? Seu nome estaria lá?).

Bem, a motivação desse post é pensar sobre a maneira como você gasta esse recurso: tem sido boa? Deve ser repensada? Nossa saúde física e emocional tem sido afetada pela maneira do gasto?

É isso, pense sobre.

ps.: a figura que ilustra o post não era exatamente a que eu queria colocar, tanto que o nome do post seria: Responsabilidade Fiscal do Tempo. Então a imagem que imaginei que teria a ver com isso era de um relógio sendo depositado num porquinho(cofre). Como não achei nada parecido, essa do cofre relógio entrou no lugar. Mas de teimoso que sou, resolvi tentar desenhar do jeito que queria, como meu mouse pifou, não pude fazer no computador, então foi no celular mesmo, o resultado está abaixo. Apesar de feinho, ficou engraçado.

Porquinho do tempo

Porquinho do tempo