Lixo televisivo

Lixo televisivo - publicado em www.sabinojunior.com.br
Lixo televisivo – publicado em http://www.sabinojunior.com.br

Falar sobre lixo televisivo é como chover no molhado, mas, vamos lá!

Não é de hoje que a televisão aberta costuma nos prestigiar com o que há de pior em termos de conteúdo: novelas com enredos repetitivos, telejornais sensacionalistas, reality shows grotescos, programas infantis débeis e etc. É natural que a audiência determine o tipo de programa que será produzido, todavia, tenho a impressão de que o nível de qualidade das atrações consegue cair cada vez mais com o passar do tempo.

Não se trata de saudosismo ou mera nostalgia, todavia me recordo de ter assistido na infância programas que entretiam e que também tinham algo a dizer, por exemplo: o Mundo de Beakman que ensinava ciência (veja aqui); Rá-tim-bum que discutia vários assuntos como a produção de certos objetos (veja aqui), intercalado com sub-atrações meramente infantis, sem violência ou putaria; desenhos infantis com alguma lição de moral (Ursinhos Gummy, He-man, Duck tales, entre outros); e telejornais onde os apresentadores não eram mais importantes que as notícias e passavam as  informações com isenção e não nos faziam sentir num balcão de bar ouvindo uma fofoca (isso me lembra que eu babo de raiva quando vejo a escola Datena de jornalismo, a qual se proliferou em formatos regionais, cada um com seu “showman” para fazer estardalhaço com desgraças cotidianas).

É claro que a situação atual não chegou a tal ponto em vão, ela está intimamente ligada com a maneira que a maior parte da sociedade “pensa” ou melhor, “não pensa”. Sem educação de qualidade, é difícil querer que as pessoas analisem com senso crítico o que lhes está sendo oferecido. O que é uma pena, pois tal reflexão é fundamental para que elas possam optar por outra forma de lazer em vez de entupir suas mentes com lixo televisivo. Dias desses concluí o óbvio que tanta coisa de baixa qualidade é produzida na tv por um simples motivo, tem gente que consome e, o pior, é a maioria esmagadora a ponto de direcionar os esforços criativos cada vez mais pro fim do poço. Daí, temos Big Brothers, Fazendas, novelas, shows da vida e toda aquela merda que desagrega ainda mais a consciência coletiva da sociedade. Dessa forma, desenham-se situações do tipo: em vez de discussões sobre a real necessidade de outro plebiscito para o desarmamento, fala-se sobre o vestido que a nova princesa do País de Gales irá usar em seu casamento ou então sobre contratações que os times irão fazer pra disputar o brasileirão 2011.

Diante desse cenário desolador, a música Televisão dos Titãs se mostra mais do que atual. Mas como alternativa a essa alienação toda, fiz um post ano passado chamado Alimento pra cabeça (veja aqui). Nele sugiro algumas coisas pra botar a engrenagens da massa cinzenta em funcionamento.

É isso, pense sobre o lixo televisivo que você, por ventura, tem consumido.



Televisão – Titãs
Composição : Marcelo Fromes / Tony Belotto / Arnaldo Antunes

A Televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
Oi! Oi! Oi!
Agora todas coisas
Que eu penso
Me parecem iguais
Oi! Oi! Oi!…

O sorvete me deixou gripado
Pelo resto da vida
E agora toda noite
Quando deito
É boa noite, querida….

Oh! Cride, fala prá mãe
Que eu nunca li num livro
Que o espirro
Fosse um vírus sem cura
Vê se me entende
Pelo menas uma vez
Criatura!
Oh! Cride, fala prá mãe!…

A mãe diz prá eu fazer
Alguma coisa
Mas eu não faço nada
Oi! Oi! Oi!
A luz do sol me incomoda
Então deixa
A cortina fechada
Oi! Oi! Oi!

É que a televisão
Me deixou burro
Muito burro demais
E agora eu vivo
Dentro dessa jaula
Junto dos animais…
[…]

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inércia, ação, amanhã

Bem pessoal, eis que termina a pausa do blog. Realmente, só foi preciso parar pra botar as idéias no lugar e poder voltar à ativa.  Agradeço ao carinho das pessoas que pediram pra pausa não ser longa, em especial ao da minha mãe ( como se ela soubesse que o blog havia sido pausado, rs). Mas vamos ao que interessa, afinal, amanhã não se sabe.

A idéia é falar sobre inércia. É a segunda Lei de Newton que diz que um corpo em movimento tende a ficar em movimento, assim como um corpo parado tende a continuar parado, desde que, em ambos os casos, não seja aplicada uma força externa ao sistema. Em outras palavras, se tá funcionando e nada de fora interfere, tende a continuar funcionando. Se está parado e nada de fora interfere, tende a continuar parado. Por ser um fenômeno físico, ele se aplica a corpos tangíveis. Mas creio que pode ser observado nas pessoas também.

Você já viveu uma situação em que se sentia estar numa situação de inércia? Parado?  Estagnado? Daí, pra sair disso, é preciso que seja aplicado uma força externa ao sistema, ou seja, externa à situação. Ora essa força pode partir da própria pessoa, ora pode ser proveniente de alguem externo ao contexto que irá proporcionar a motivação necessária, por meio de gestos, palavras e/ou apoio moral.  Então a partir dessa ignição, aliada à vontade de sair da inércia, é possível entrar em movimento e romper as teias que, porventura, prendam a pessoa à situação.

Na canção Inertia, do álbum grunge Balls to Picasso que o Bruce Dicksinson lançou em 95, após sua saída do Iron Maiden, ele fala sobre o estado lastimável que a pessoa em inércia (parada) fica. Veja a letra e o clipe (mega tosco, onde o diretor de arte tava com a cabeça? Parece até produção do Hermes e Renato) no final do post.

Contrapondo a música do Bruce, coloquei a letra da música Amanhã Não Se Sabe na versão do LS Jack (que eu acho mais maneira que original do Titãs). Ele fala da importância de se fazer as coisas HOJE. Negritei algumas partes que me são mais importantes.

Amanhã não se sabe (Sérgio Brito)

Como as folhas, como o vento
Até onde vai dar o firmamento
Toda hora enquanto é tempo
Vivo aqui neste momento

Hoje aqui, amanhã não se sabe
Vivo agora antes que o dia acabe
Neste instante, nunca é tarde
Mal começou e eu já estou com saudade

Me abraça, me aceita
Me aceita assim meu amor
Me abraça, me beija
Me aceita assim como eu sou
Me deixa ser o que for

Como as ondas com a maré
Até onde não vai dar mais pé
Este instante tal qual é
Vivo aqui e seja o que Deus quiser

Hoje aqui não importa pra onde vamos
Vivo agora, não tenho outros planos
É tão fácil viver sonhando
Enquanto isso a vida vai passando

Me abraça, me aceita
Me aceita assim meu amor
Me abraça, me beija
Me aceita assim como eu sou
Me deixa ser o que for

Inércia (Bruce Dickinson – Album Ball to Picasso)

Estas são as fotos
Estes são os sentimentos da linha de frente
Vivendo em silêncio
Sentindo a surdez como fumaça pesada
Sorrindo com estranhos contando os dias
Como uma mola enrolada por dentro
Bem vindo ao seu futuro
Bem vindo ao seu livro de mentiras
Dedos passam por páginas
Nada muda vivendo aqui

Inércia
Nenhum desejo de mudança
Inércia
Tudo é uma parede de pedras
Inércia
A história deixa você morrer

Uma pilha de acusadores silenciosos
Sinta o cheiro de sangue de estranhos aqui
Sem olhos, sem ouvidos,
Sem cheiro, sem gosto
A boca da larva está cheia deste lugar
Consciência assassinada
A pressão está destruindo cabeças
Como lanternas de papel agora
Aperto inquebrável de uma mão morta
Levando-nos para frente até o fim
Chutando através de traços
Mil anos à frente

Inércia
Nenhum desejo de pensar
Inércia
Tudo é uma parede de pedras
Inércia
A história deixa você morrer

Bem, basicamente é isso pra volta.

Em breve, mais posts. Abraço e até a próxima.

Nitidez, embaçado (O que não pode ser que não é)

Nitidez

Nitidez

pra alguém que usa óculos desde o 7 anos de idade, nitidez é um assunto bastante familiar. Eu pensava que as imagens bifurcadas eram normais pra todos os olhos. Ai a força que eu fazia pra ver uma coisa só e de maneira nítida, também parecia ser normal. Isso rolou até que a professora disse pra minha mãe me levar ao médico porque as caretas que eu fazia durante as aulas, além de estranhas, indicavam que algo estava errado. Semanas depois, eu via tudo nitidamente com meus óculos de armação cor de mel (foi minha mãe que escolheu o modelo dos óculos, um dia farei um post sobre traumas infantis).

Mas a questão é que volta e meia acontecem situações com pouca ou nenhuma nitidez.  Então, a reação natural, tal qual eu fazia quando criança ou quando esqueço os óculos em casa, é de fazer uma careta e se concentrar para tentar enxergar direito o que está acontecendo. Nem sempre a careta resolve, pois o esforço pra ver nítido acaba dando dor de cabeça (se você usa óculos ou tem algum problema de vista, sabe bem do que eu estou falando). Aí, das três uma:

  • ou espera a imagem ficar nítida por si só
  • ou procura uns óculos
  • ou deixa pra lá (sacudindo o ombro e fazendo de conta que nem queria mesmo)

Às vezes é embaçado fazer cada uma dessas coisas. As coisas ficam turvas, como se uma nuvem de fumaça estivesse tampando.  Isso ainda piora se você quer muito ver o tem por trás do embaçado. Esperar é *embaçado, sobretudo quando não se está com muita paciência.

Imagine que o embaçado é repleto de escritos, como a imagem de abertura do post. Imagine ainda, que você não sabe ler e nem sabe a diferença entre vogais e consoantes. Há situações em que as coisas são assim. Percebe-se um determinado ponto, como se aprendesse uma vogal:

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Alfabetizando

Vida, aprendi suas vogais

Mas ainda é preciso mais

Aprender consoantes

Antes de montar sílabas

Das sílabas, palavras

Das palavras, frases

Das frases, textos

Para bem ler você

em prosa e verso.

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e depois outro ponto e mais outro, até que se consegue enxergar o que há por detrás do embaçado. O dever de casa de aprender os tais pontos (letras: vogais e consoantes) se torna um prazer de casa. Mas como a vida aqui no jardim do medo é repleta de surpresas, algumas vezes se aprende as letras e quando se chega pra ler, o inscrito é um ideograma (e você olha para um lado e para outro esperando o Sérgio Malandro aparecer e gritar: Rá! Salcifufu malandro, gluglu!).

E aí, o que fazer?? Simples, nada, tem coisas que simplesmente não são e ponto final. Como diz aquela letra do Titãs: O que.

Nesse caso, a gente volta pra terceira opção que falei no início do post, deixa pra lá e vai buscar nitidez em outro canto.

*em São Paulo, usa-se a palavra embaçado para qualificar algo com complicado, complexo ou difícil