Muro digital das lamentações

Muro (digital) das lamentações

Muro (digital) das lamentações

Pensava no twitter como um lugar pra compartilhar coisas e idéias, mas como elas afundam naquele mar de banalidades é melhor preserva-las aqui. Entendo que por ser uma mídia social, é natural seu emprego na socialização, onde as pessoas se expressam fazendo uso, ou não, do anonimato. Porém, ultimamente percebo um volume excessivo disso, o que torna a coisa toda bastante pedante. Chega a parecer a versão digital do Muro das Lamentações, onde os religiosos depositam seus pedidos/lamúrias nas fendas da parede.

No caso do twitter, quem sabe tenha sido sempre assim e eu que nunca prestei atenção. Ou então, ele tenha atingido seu ápice e agora iniciou o processo natural saturação. Desse modo, é possível que essa mídia comece a descer a ladeira, para dar vez a uma nova forma de interação. Seja como for, se houvesse uma consciência coletiva um pouco mais apurada, talvez fosse possível prover uma sobrevida a esse fenômeno digital.

Mas como nada é tão ruim que não possa piorar, fazendo coro ao twitter segue o facebook com aqueles aplicativos desprezíveis que fazem a cabeça da galera. Eu sinto palpitações quando aparece no meu mural algo do tipo “sabedoria do É o Tcham”; “Como você está hoje?”;  “O que devo fazer hoje?”; “Eu confesso que preciso” e etc. Colocar “sabedoria” e “É o tcham” na mesma frase sem usar a palavra “ausência” ou algum similar é uma incoerência absurda. Quanto às demais perguntas, vou esclarecer apenas um detalhe: a resposta da pergunta é proveniente de um programa! Isto é, a pessoa vai aceitar a afirmação gerada por um algoritmo com base em absolutamente nada, pois é bem provável que sua lógica seja randômica.

A solução pra isso é: consiga uma vida (apt-get a life!) e decida você o que fazer, descubra em si mesmo o que precisa e desenvolva sua sabedoria – sozinho ou a partir de fontes de conhecimento confiáveis.

O orkut começou seu declínio em função daquela bobajada toda que se alastrou pelos scrap books, tornando-os crap books. O facebook é uma plataforma mais avançada que permite uma série de coisas interessantes, então me parece medíocre restringir seu uso a ficar dizendo que está bem, que fez isso ou aquilo, que não está triste? Toda vez que leio algo assim penso justamente o contrário e fico puto porque autocomiseração é uma coisa repugnante. Não consigo entender esse prazer em despertar pena alheia. Ora, se a pessoa está na minha listagem de amigos(as) é porque nutro alguma consideração por ela, daí ficar vendo ela sentir dó de si mesma e querendo chamar atenção dos demais pra poder se sentir especial é deprimente.

Um ponto importante para se frisar aqui: você não é especial, eu não sou especial e ninguém é especial intrinsecamente. Assumimos alguma importância para nós mesmos ou para outra(s) pessoa(s) em determinados momentos da vida. Entretanto, como já discuti aqui no blog antes, os momentos são efêmeros, daí precisamos criar mais momentos admiráveis e isso demanda energia, entusiasmo, coisas essas que misericórdia ofusca.

Outra coisa infeliz são os perfis falsos. É literalmente gozar com o pau alheio, difundido idéias forjadas na popularidade de pessoas famosas. Isto demonstra uma presença de espírito muito pequena ou nula, pois descarta a luta pela conquista de credibilidade e de influência por méritos próprios. Paralelamente temos os perfis anônimos que se valem do desconhecimento para expressar opiniões torpes. Mas volto naquela velha premissa, se existe oferta disso é porque há demanda. Dessa forma, o combate é pelo desprezo. Se o consumo for inexpressivo, a pessoa tende a desistir da idéia.

Portanto, pense sobre o uso que você tem feito das mídias sociais e se está cooperando pra redução de sua longevidade.

Extras:

Matéria: Pesquisa aponta que menos de 30% de usuários do Twitter são verdadeiros (via @rodrigonasdacon)

Poema: Bits à esquerda (Pense Sobre Poesia)



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Coragem (Sim senhor)

Sim senhor
Sim senhor

O último post do ano passado se chamava Medo (clique aqui para ver) e é um dos mais acessados até hoje. Quando o escrevi, estava vivendo uma fase bastante complicada. Agora quase um ano depois, vejo que vários dos meus medos se tornaram reais e temê-los não adiantou de nada. Pelo contrário, quando mais medo senti de certas situações, mais complicadas elas se tornaram.

Em alguns momentos de ano me faltou coragem, mas houve quem fizesse o que devia ser feito. Em outros momentos me sobrou coragem, mas houve algo pra impedir que fosse feito o que não deveria ser. Enfim, a vida se encarregou de seguir seu próprio rumo. Meu trabalho maior foi manter a direção alinhada, ajeitando aqui e ali. A ferramenta que me ajudou a fazer esse balanceamento foi a palavra Sim. Claro que o Não ainda é bem presente em minha vida, mas da mesma maneira que o personagem do Jim Carrey no filme Sim Senhor aprendeu a dosar o uso de ambas, eu também estou aprendendo. Nem tanto, nem tão pouco, apenas o equilíbrio que um libriano persegue. Vivo agora mais consciente dos meus atos e de suas consequências. A própria vida passa a ser mais viva quando abraçamos o Sim. No twiiter, Paulo Coelho disse uma coisa bem legal que tem a ver com isso: “quando disser sim, diga com o coração aberto. Quando disser não, diga sem medo.

Jim Morrison, Janis Joplin e Jimi Hendrix morreram aos 27 anos. Eu, apesar de não ser roqueiro, também morri algumas vezes neste ano com esta mesma idade. Mas hoje, com 28 ano, vejo 2010 ficando para trás na estrada e 2011 já “pontando” na curva. Dessa vez, diferentemente dos últimos anos, vejo a chegada de um novo de fato. Novos sonhos, novos projetos, novo trabalho, nova cidade e pessoas novas, enfim, uma vida novinha em folha. É bem verdade que essa folha está meio amassada e marcada pelos esboços que começaram a ser rascunhados outrora, mas isso é o de menos, afinal, como diria Nando Reis, o que passou, passou e o que marcou, ficou. Se diferente eu fosse será que eu teria sido amado? Acho que não,  pelo menos não por mim mesmo.

Vendo 2010 no retrovisor, vejo muitos erros e poucos, mas importantes, acertos. Isso faz com quem eu olhe para 2011 com outros olhos, pois sei que o aprendizado gerado por todo caos que se instaurou em minha vida reverberou em várias outras pessoas ao longo do ano e isso fez com que houvesse um crescimento coletivo, cada um à sua maneira. De mesmo modo, o caos de outras vidas também implicou em mim, ainda que ele tenha se manifestado em diferentes ordens de grandeza. Tal fato fez com que minha consciência coletiva se ampliasse e passei a ver sentido em clichês do tipo: somos todos um.

Portanto, hoje me vejo um cara de sorte por poder contar nas duas mãos as pessoas que amo. Mesmo que nem todas elas me amem de volta com a mesma vontade e intensidade que sinto. Imagino que aconteça o mesmo no sentido inverso, pois não sei se amo de mesmo modo a todos que me amam. Mas isso não tem a menor importância, pois amor não é pra ser medido, é pra ser sentido, vivido e compartilhado. Isso eu aprendi bem em 2010.

Enfim, é bom olhar pra trás e ótimo olhar pra frente, mas lembrando que o melhor lugar do mundo para se estar é aqui e agora. Não fique só sonhando e/ou reclamando. Viva! Faça! Realize!

Que tenhamos ainda mais coragem em 2011.

Feliz ano novo! Vejo vocês em 2011.

ps.: recomendo o filme que falei no post. Se você não gostar da mensagem, ao menos irá se divertir com o Jim Carrey que é mega engraçado. Além disso, recomendo a trilha sonora do filme que tem músicas do banda Eels e da gatíssima Zooey Deschanel e a banda Von Iva.

ps2: música/vídeo da sountrack do filme: The sound of fear


miojo social

Midias Sociais - publicado em www.magoweb.com
Midias Sociais – publicado em http://www.magoweb.com

Mídias sociais, de acordo com a definição de Edu Dubner que foi publicada no site midiasocial.com.br, trata do “uso de meio eletrônico para interação entre pessoas. Os sistemas de relacionamentos digitais combinam textos, imagens, sons e vídeo para criar uma interação social de compartilhamento de experiências. O ser humano é antes de tudo um ser social, as ferramentas digitais estão potencializando essa tendência e alterando completamente a comunicação dessa nova economia.”

Como é algo novo, todos nós estamos aprendendo juntos, entretanto, já existe uma quantidade razoável de material sobre o assunto na Internet e o site de onde tirei aaquela definição inicial é um bom ponto de partida pra quem quer se aprofundar um pouco mais. Isso posto, vou me ater a algumas questões subjetivas das mídias sociais.

A tecnologia existe para servir ao homem, logo, seus benefícios tendem a tornar nossas vidas mais fáceis. É ótimo poder interagir mais com outras pessoas, independentemente das barreiras geográficas, haja visto que somos seres sociais (questão abordada várias vezes aqui no blog: aqui, aqui, aqui e aqui). Todavia, não acredito que seja saudável para alguém realizar a maior parte de suas relações sociais via meio digital. Tudo bem ser seguido por 437 pessoas no Twitter; ter 201 amigos no Orkut ou no Facebook; ter inúmeros acessos (page views) no Flickr, no Blogspot, ou ainda no meu estimado WordPress; mas a vida é mais do que isso, é preciso viver a realidade. As mídias sociais devem ser um complemento do mundo real e não o contrário. Já parou pra pensar em quantas pessoas de suas mídias sociais você vê pessoalmente a cada mês?  Quantas cervejas tomam juntos, ou quantas risadas deles você ou delas em vez de ler abreviações de risos – rs ou  =) ou  :) ou :^). A quantos lugares bacanas você foi com algumas delas e quantas histórias engraçadas vocês viveram juntos recentemente? Ou mesmo quantas barras elas tiveram que segurar e você pode ajudar de alguma forma, que não fosse apenas mandar(postar) um emoticon de smile dando a entender que as coisas iriam ficar tudo bem.

Pensar nisso tudo faz com que venha à mente aquele pensamento de que é difícil coincidir horários e rotinas, mas boa parte das coisas legais da vida é fruto de algum sacrifício. Talvez seja assim para que saibamos valorizá-las de fato. Tem uma frase simples que cabe nesse contexto: as pessoas são mais importantes que as coisas. Não deixar de viver bons momentos com as pessoas que lhe são preciosas para ficar “agarrado” no computador. Senão, você pode acabar na mesma situação do sujeito abaixo:

Imagens do clip Do the Evolution - Pearl Jam
Imagens do clip Do the Evolution – Pearl Jam

Para que o post não fique muito grande e cansativo de se ler, vou concluir explicando minha teoria do miojo social. Quando você está com fome, a maneira mais fácil, rápida e barata de resolver a situação é comendo um miojo. Você sabe que o valor nutritivo dele é irrisório e que o sabor é também não costuma sofrer grandes variações, mesmo usando as artimanhas ensinadas noLarica Total, mas ele se torna atraente em função da lei do menor esforço, se tornando imbatível diante da aventura que é encarar a cozinha a fim de preparar algo decente. Em alguns momentos, imagino as mídias sociais de modo semelhante, isto é, quando surge a vontade de interagir com alguém, é mais fácil, rápido e barato lançar mão do meio virtual. É um lance meio superficial, mas “mata a fome de ver gente”.  Não precisa ligar, marcar, sair, se deslocar e toda aquela “chatice” do mundo real. A desvantagem é que a experiência proporcionada, na maior parte da vezes, é um tanto pobre, não trazendo consigo os nutrientes contidos nas as relações humanas que de fato nos “alimenta” como ver, ouvir, tocar, sentir, rir, chorar e etc. Daí, a mídia social se transfigura no miojo social.

Enfim, tudo isso foi só pra dizer que a evolução tecnológica não deve significar um retrocesso social. Ainda vou escrever sobre as relações amorosas oriundas do meio virtual, mas num próximo post, pois acho que neste aqui já existem questões suficientes para se pensar sobre. Além disso, tenho que sair da toca e ir pra rua ver gente para aproveitar o restante das minhas férias do trabalho.

Abraço e até a próxima.