O Aleph

Publicado: junho 8, 2011 por pensesobrewordpress em Reflexões
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O Aleph - Paulo Coelho

O Aleph - Paulo Coelho

Quantas chances deixamos passar ao longo da vida? Algumas profissionais, outras pessoais ou mesmo a oportunidade de ficar calado. Normalmente isso está atrelado à falta de informação.  Agimos sumariamente com base no conhecimento que temos e com isso perdemos a possibilidade de expandir nossas fronteiras.

Conforme  falei no post anterior (veja aqui), existem aqueles que preferem criticar por esporte. Vejo isso a respeito do Paulo Coelho. Dos escritores brasileiros em atividade, ele é indiscutivelmente um fenômeno. Possui uma obra de mais de 15 livros publicados e já vendeu quantidades exorbitantes no mundo todo. Além disso, teve participação marcante na música brasileira, compondo com Raul Seixas dezenas de músicas, emplacando vários sucessos como: Eu nasci a dez mil anos atrás; Tente outra vez; Al Capone; Medo da chuva e Sociedade alternativa.

Amado por muitos e desmerecido por tantos outros, os quais fiz parte por um bom tempo. Na adolescencia, quando começava a tentar desenvolver o gosto pela leitura, encontrava sérias dificuldades com as recomendações literárias dos professores: Meu pé de laranja lima, Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Grande Sertão Veredas e etc. Eram temas que não faziam parte do meu cotidiano e não acrescentavam em nada a minha vida, não naquele momento. Buscando alternativas, encontrei dois livros do Paulo Coelho que pareciam ser mais bacanas: O Diário de um Mago, pois narrava uma aventura pelo caminho de Santiago da Compostela; e Brida que falava sobre bruxas. Ou seja, muito mais interessante quando se é adolescente. Por isso não recrimino quem lê Harry Potter e Crepúsculo, apesar de preferir Tolkien e Anne Rice, acho válidas as tentativas de ampliação do saber. Além disso, a leitura, independentemente do tipo, ajuda a desenvolver o senso crítico. Entretanto, parei de ler por conta do ranço alheio que incorporei, em especial o que foi disseminado por professores de literatura. Os quais inclusive classificavam a obra de Coelho como “Enganatura”. Ora, se ele escreve fantasia ou realidade, não importa, é arte. É muito fácil criticar a obra pronta, mas pavimentar um caminho como o dele não. Outro erro é querer compará-lo a escritores de outros estilos e tempos, ainda que brasileiros. Incorre na mesma tolice que relatei no último texto, de se comparar Tolkien com Martin.

Perdi o preconceito pelo Paulo, após ouvir uma entrevista sua no Nerdcast (ouça aqui). Lá percebi um cara sincero, que explicita sua verdade pela escrita, ainda que muitos a tomem por ilusão. Alguém que teve coragem de lutar pelo que acreditava, pagando o preço de mudar sua vida radicalmente. Foi assim que, segundo ele, deixou a carreira em gravadoras em busca de se tornar escritor.

Seu último livro, O Alph, não é a oitava maravilha do mundo, mas possui uma série de pensamentos que poderiam facilmente ser incorporada ao Tao Te King ou qualquer outra obra de aconselhamento pessoal para uma vida perfeita.  Destaco abaixo alguns que me saltaram aos olhos:

  • “É a dúvida que move o homem adiante.”
  • “Não se mede o tempo como se calcula a distância entre dois pontos.
  • “Passado e futuro existem apenas na nossa memória.”
  • “Não traia as graças que lhe foram concedidas.”
  • “Quando a insatisfação não desaparece, ela foi colocada ali [...] com uma única razão: é preciso mudar tudo e caminhar adiante.”
  • “Quando estamos diante de uma perda, não adianta tentar recuperar o que já se foi, é melhor aproveitar o grande espaço aberto e preenchê-lo com algo melhor.”
  • “[...] quem está realmente comprometido com a vida jamais para de caminhar.”
  • “[...] uma vida sem causa é uma vida sem efeito.”

Ler O Aleph também me inspirou a escrever certas coisas como o post Espiritualidade (leia aqui) e também algumas poesias (leia aqui).

Portanto, meu preconceito me fez ficar parado. Tenho outros ainda que precisam ser trabalhados, em diversas áreas. O que me tranquiliza é a consciência de possuí-los e a vontade de querer superá-los.

É isso, pense sobre.

Engenharia de obra pronta

Publicado: maio 25, 2011 por pensesobrewordpress em Reflexões
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Anton - Crítico gastronomico do filme Ratatouille

Anton - Crítico gastronomico do filme Ratatouille

Ontem li uma comparação (veja aqui)  entre os livros de J. R. R. Tolkien e de George R.R. Martin que me fez pensar em quão tolos somos ao querer traçar paralelos entre as coisas. Ora, algo não pode ser simplesmente bom e pronto? A pessoa que escreveu o texto listou 10 razões pelas quais ‘A Guerra dos Tronos’ é (muito) melhor do que ‘O Senhor dos Anéis’ (sic).  Eu concordo que a série do Martin é excelente, mas avacalhar o Tolkien já é demais.

A infantilidade de O Hobbit nos possibilitou flertar com um mundo rico em detalhes, cuja fantasia era caracterizada pela sua sutileza. Além disso, a narrativa possui vários pontos altos, principalmente por conta do desfecho que suplanta a trama principal. Em o Senhor dos Anéis, livro escrito ao longo de 12 anos, Tolkien desdobra a Térra Média ao dar vida à mitologia (Silmarilion) que ele rascunhava antes mesmo da primeira aventura de Bilbo com os 13 anões em sua primeiro obra. Outra questão importante a ser frisada é que a criação disso tudo se deu na primeira metade do século passado, num período complicado para o mundo pela iminência da guerra e, posteriormente, por sua manifestação. Logo, é natural que as manifestações artísticas daquele período carregassem subjetivamente alguma pureza, embutindo mensagens de paz e esperança confortando o as pessoas acerca da “luta do bem contra o mal”.

De lá pra cá o mundo se transformou absurdamente em inúmeros aspectos: políticos, sociais, econômicos, geofísicos e etc. Desse modo, a cultura seguiu essa mudança e modernizou seus conceitos. Todavia, obras clássicas tendem a se firmar com o tempo. O primeiro volume da Guerra dos Tronos foi publicado em 1996. Um livro de fantasia mas com um contexto diferente por trazer trazer uma série de aspéctos políticos que, de certo modo, refletem a realidade dos nossos dias. Diferentemente dos livros de Tolkien que eram anacrônicos, a obra discute valores, interesses, vícios e as demais questões da vida adulta, haja visto que era declaradamente para o público adulto.

Portanto, entendo as semelhanças entre Tolkien e Martin se restringem às abreviações em seus sobrenomes e também pelo fatos de ambos serem escritores de fantasia. Comparar uma obra com a outra isoladamente de todos seu contexto no tempo é uma estupidez sem tamanho. Entendo que nossa percepção funciona melhor quando fazemos comparações. Talvez sejamos movidos a paradoxos, o que justifica a máxima religiosa pagã: “recebemos o inferno para que reconheçamos o paraíso”.  Entretanto, acho razoável e justo confrontar certas coisas com elas mesmas no tempo, assim é possível avaliar sua evolução.

Esse papo todo me fez lembrar dos engenheiros de obra pronta, aquelas criaturas se alimentam de críticas sumárias. Com suas línguas e canetas (ou impressoras) sempre a postos para tecer comentários vazios e impertinentes ou até mesmo pertinentes mas de maneiras inadequadas. Sua razão de existir se baseia em fazer parte do problema e não da solução, vigorosamente incapazes de arregaçar as mangas para ajudar a criar mas profícuos em julgar negativamente o que foi feito. Como o exercício da engenharia de obra pronta não exige registro no CREA, é bem fácil de encontrar o desserviço desses “profissionais” próximo a nós: situados não raramente na baia da frente no trabalho, na carteira lateral da sala de aula, em meio aos contatos do Msn ou mesmo devidamente acomodado no sofá da sala. Mas se o CREA não reconhece, muito menos eu.

É isso, pense sobre críticos, engenheiros de obra pronta e comparações adequadas.

Muro (digital) das lamentações

Muro (digital) das lamentações

Pensava no twitter como um lugar pra compartilhar coisas e idéias, mas como elas afundam naquele mar de banalidades é melhor preserva-las aqui. Entendo que por ser uma mídia social, é natural seu emprego na socialização, onde as pessoas se expressam fazendo uso, ou não, do anonimato. Porém, ultimamente percebo um volume excessivo disso, o que torna a coisa toda bastante pedante. Chega a parecer a versão digital do Muro das Lamentações, onde os religiosos depositam seus pedidos/lamúrias nas fendas da parede.

No caso do twitter, quem sabe tenha sido sempre assim e eu que nunca prestei atenção. Ou então, ele tenha atingido seu ápice e agora iniciou o processo natural saturação. Desse modo, é possível que essa mídia comece a descer a ladeira, para dar vez a uma nova forma de interação. Seja como for, se houvesse uma consciência coletiva um pouco mais apurada, talvez fosse possível prover uma sobrevida a esse fenômeno digital.

Mas como nada é tão ruim que não possa piorar, fazendo coro ao twitter segue o facebook com aqueles aplicativos desprezíveis que fazem a cabeça da galera. Eu sinto palpitações quando aparece no meu mural algo do tipo “sabedoria do É o Tcham”; “Como você está hoje?”;  “O que devo fazer hoje?”; “Eu confesso que preciso” e etc. Colocar “sabedoria” e “É o tcham” na mesma frase sem usar a palavra “ausência” ou algum similar é uma incoerência absurda. Quanto às demais perguntas, vou esclarecer apenas um detalhe: a resposta da pergunta é proveniente de um programa! Isto é, a pessoa vai aceitar a afirmação gerada por um algoritmo com base em absolutamente nada, pois é bem provável que sua lógica seja randômica.

A solução pra isso é: consiga uma vida (apt-get a life!) e decida você o que fazer, descubra em si mesmo o que precisa e desenvolva sua sabedoria – sozinho ou a partir de fontes de conhecimento confiáveis.

O orkut começou seu declínio em função daquela bobajada toda que se alastrou pelos scrap books, tornando-os crap books. O facebook é uma plataforma mais avançada que permite uma série de coisas interessantes, então me parece medíocre restringir seu uso a ficar dizendo que está bem, que fez isso ou aquilo, que não está triste? Toda vez que leio algo assim penso justamente o contrário e fico puto porque autocomiseração é uma coisa repugnante. Não consigo entender esse prazer em despertar pena alheia. Ora, se a pessoa está na minha listagem de amigos(as) é porque nutro alguma consideração por ela, daí ficar vendo ela sentir dó de si mesma e querendo chamar atenção dos demais pra poder se sentir especial é deprimente.

Um ponto importante para se frisar aqui: você não é especial, eu não sou especial e ninguém é especial intrinsecamente. Assumimos alguma importância para nós mesmos ou para outra(s) pessoa(s) em determinados momentos da vida. Entretanto, como já discuti aqui no blog antes, os momentos são efêmeros, daí precisamos criar mais momentos admiráveis e isso demanda energia, entusiasmo, coisas essas que misericórdia ofusca.

Outra coisa infeliz são os perfis falsos. É literalmente gozar com o pau alheio, difundido idéias forjadas na popularidade de pessoas famosas. Isto demonstra uma presença de espírito muito pequena ou nula, pois descarta a luta pela conquista de credibilidade e de influência por méritos próprios. Paralelamente temos os perfis anônimos que se valem do desconhecimento para expressar opiniões torpes. Mas volto naquela velha premissa, se existe oferta disso é porque há demanda. Dessa forma, o combate é pelo desprezo. Se o consumo for inexpressivo, a pessoa tende a desistir da idéia.

Portanto, pense sobre o uso que você tem feito das mídias sociais e se está cooperando pra redução de sua longevidade.

Extras:

Matéria: Pesquisa aponta que menos de 30% de usuários do Twitter são verdadeiros (via @rodrigonasdacon)

Poema: Bits à esquerda (Pense Sobre Poesia)



Animal de estimação

Publicado: abril 27, 2011 por pensesobrewordpress em Reflexões
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"Sou só mais um cãozinho brincando com sua bola" (Edredon)

"Sou só mais um cãozinho brincando com sua bola" (Edredon)

Pensei em escrever esse post após assistir Marley e Eu ou Procura-se Um Amor Que Goste de Cachorros. O segundo eu já até tentei mas não fui até o fim, o primeiro nem isso. Logo, vou me ater apenas às minhas percepções do assunto.

Nunca fui muito fã de animais de estimação. Na infância tive um piolho de cobra (se não conhece, clique aqui pra ver o que é) e um casal de periquitos que nunca deu filhote, fato esclarecido mais tarde quando descobrimos que eram duas fêmeas. Tivemos cães também com seus nomes tradicionais: Xuxa, Malhado, Duque, Dique e Ralf. Todos vira-latas que latiam proporcionalmente ao tanto comiam e faziam cocô. Assim, despertavam a repulsa da minha mãe que incutiu na minha cabeça que animal era algo sujo. Além disso, certa vez o Malhado comeu a perna do meu bonequinho do Flash que havia ficado no quintal em cima de um botijão de gás. Isso foi um golpe terrível pra mim, superado apenas pelo gato que me fez quebrar o pé quando se escondeu atrás de uma tampa de mesa de concreto que estava encostada na parede. Ele havia roubado uma batata frita do meu pratinho num quiosque na praia de Piratininga (litoral do RJ) e, após meu encalço, se refugiou lá ardilosamente – a tampa virou.

Até hoje tenho certa antipatia de gatos, quanto a cães, me tornei indiferente. Achava bacana e tudo, mas eles lá e eu cá. Todavia, há 13 anos conheci a Mila, uma poodle, na casa do meu amigo Vinícius. Ela sempre foi brava na recepção e carinhosa após os 5 primeiros minutos. Como era criada dentro de casa, comecei a ver que animais mais próximos da família tinham uma ligação maior e não eram tão sujos quanto eu imaginava. Hoje a Mila está cega de ambos os olhos, mas continua com o mesmo jeitinho de sempre e é tratava como da família (tipo uma idosa de respeito), não só pelas suas limitações, mas pelo amor sedimentado com o passar do tempo.

"Cade a bolinha! Joga a bolinha! Vai! Vai!" (Noturno)
“Cade a bolinha! Joga a bolinha! Vai! Vai!” (Noturno)

Além da Mila, tive um contato ainda mais próximo com o Noturno, o beagle do meu irmão. Por ser da raça que inspirou o snoopy, a simpatia surge naturalmente. Entretanto, o cachorro tem uma energia danada que chega a encher o saco. É como se bebesse energético em vez de água. O meu irmão acompanha o ritmo do malandro, já eu acho demais. Por outro lado, vi que meu irmão ficou muito próximo do quadrupede e que rolava um companheirismo bem grande entre eles – algo que também observei com a Mila na casa do Vinícius, isso me chamou a atenção.

Ano passado decidi que deveria ter um cãozinho também. Seria uma experiência parecida como a do personagem do Jack Nicholson no filme Melhor Impossível, isto é, um cara que não gosta de animais mas que aprende com o passar do tempo. A diferença foi que ele se viu obrigado a fazer isso e no meu caso seria por vontade própria. Imaginei que isso me ajudaria de alguma forma a me tornar uma pessoa melhor.

Escolhi a raça Teckel (dachshun) por conta de algumas familiaridades em suas características: dóceis e engraçados. Beleza não é o forte deles, mas de tão esquisitinhos, acabam despertando certa simpatia. Escolhi o nome Edredon pois é um nome estranho e engraçado, tal qual meu amigo canino. Nesses dois meses em que estamos juntos, não sei se me tornei uma pessoa melhor, mas seu companheirismo e disposição me surpreenderam a ponto de conseguir compreender melhor o ditado: “o cachorro é o melhor amigo do homem”.

Por fim, me recordo que apareceu um pássaro verde (que eu não sei a espécie) na casa da minha mãe na mesma época em que ela foi diagnosticada com câncer. O grande barato é que, felizmente, o câncer foi controlado e o bicho se tornou seu companheirão. Além disso, virou um tipo de símbolo de esperança pra ela por ter surgido num momento tão delicado. Eles vivem juntos até hoje.

Portanto, me parece que ter um contato mais próximo com um animalzinho nos ajuda a ser mais humano.

É isso, até a próxima.